31 de outubro de 2009

Beirut



Beirut é o nome da banda de Zach Condon, nativo de Santa Fe, Novo México. O primeiro lançamento oficial com o nome de Beirut contou com a colaboração de Jeremy Barnes (Neutral Milk Hotel, A Hawk and a Hacksaw) e Heather Trost (A Hawk and a Hacksaw); ele combina elementos do Leste Europeu e do folk. Zach Condon tem o trompete e o ukelele como seus principais instrumentos, tendo sido impedido de tocar guitarra por conta de um machucado no pulso.

Quando mais novo, Zach Condon já havia lançado alguns álbuns. Ele gravou com o nome The Real People quando tinha 15 anos um albúm de lo-fi chamado The Joys of Losing Wight. Estudou na escola Santa Fe High School até os 16 anos de idade, quando foi viajar pela Europa, continente no qual teve contato com a música balcânica, incluindo Boban Marković Orchestra e Goran Bregović.

Em 2006, o Beirut lançou dois álbuns inspirados pelos Balcãs pela Ba Da Bing, Gulag Orkestar e Lon Gisland. Também lançaram outras músicas separadas, três disponíveis no Pompeii EP, outra num split-CD junto a Calexico, e outra numa coletânea para a revista The Believer. Enquanto morava no Brooklyn, Zach Condon gravou também um video de "Scenic World" na fábrica da Sweet'N Low, e tocou em vários lugares em Nova Iorque e Europa.

O segundo álbum, The Flying Club Cup, vazou na internet em 25 de Agosto de 2007 e lançado em 9 de outubro de 2007.

A música Elephant Gun foi tema dos protagonistas da microssérie Capitu, exibida pela Rede Globo no ano de 2008. A banda muito boa, que mistura vários elementos sem preconceito e sem erro!!


Albúns

Gulag Orkestar 


The Flying Club Cup

EPs

Lon Gisland 


Pompeii

Elephant Gun EP


March Of The Zapotec/Holland EP

Vídeos

Elephant Gun


Nantes


Site Oficial

Site do Albúm "The Flying Club Cup"

Manacá


O manacá é uma pequena árvore, de 8 a 15m de altura, comum nas áreas alteradas pelos homens, crescendo bem em capoeiras e capoeirões sendo incomuns nas matas mais desenvolvidas. Pertence ao mesmo gênero da quaresmeira (Tibouchina granulosa) e da orelha-de-onça (Tibouchina holosericea), mais conhecidas que o próprio manacá.Floresce entre novembro e fevereiro, por isso, também é chamada de "natalzeiro" aqui em nossa região. Sua bela florada com flores que variam do branco ao lilás colorem a paisagem regional do final do ano...

Não é desse manacá que eu estou falando, não Manacá é muito mais, tem um som gostoso que te enleva, tem um balanço bom que te faz querer mais e tem Letícia...




Rock com literatura de cordel, sebastianismo, festa de congada e Ariano Suassuna. Castanholas com baixo e guitarra. Pés descalços com performances de fogo. Tudo isso e muito mais é a banda Manacá, um verdadeiro furacão. O grupo conta com a bela Letícia Persiles nos vocais harmoniosos e hipnóticos, Luiz Cesar Pintoni (guitarra), Daniel Wally (baixo) e Bruno Baiano (bateria).


Depois de tocar (e se destacar) em festivais como Bdebanda, Rock pela Vida e Grito Rock, além de ter se apresentado nas principais casas de shows da cidade, o Manacá foi selecionado para participar da nona edição do Mada, em Natal. Mais um sucesso que rendeu a contratação da banda pela Na Moral Produções (de artistas como Marcelo D2, Pitty, Luxúria e Marjorie Estiano).

Links 1 / 2



Vídeos

Desejado


Lamento


29 de outubro de 2009

Trans-Siberian Orchestra


Trans-Siberian Orchestra (TSO para os chegados...rsrs) é uma orquestra de power metal formada por integrantes do Savatage (extinta banda de heavy metal), começou em 1996 com um projeto de músicas natalinas, mas que deu tão certo que inspirou o segundo albúm sobre Beethoven. O Albúm Beethoven's Last Night conta a história da última noite do compositor em que ele seria tentado por Mephistopheles, após terminar a Décima Sinfônia.

Simplesmente perfeito! Não dá pra não se apaixonar nesta ópera rock, com suas guitarras, seus cellos... Não se pode por em palavras apenas se ouvir e apreciar.

Albúns:

Night Castle

Beethoven Last Night

The Christmas Attic

The Lost Christmas Eve

Christmas Eve and Other Stories




Vídeos



sites:

Site Oficial TSO

Site Night Castle

Edgar Allan Poe



Escritor, poeta, romancista e crítico literário nascido em 19 de janeiro de 1809, no nº 33 da rua Hollis, em Boston. Filho de uma família escocesa-irlandesa, seu pai o David Poe Jr. era ator e abandonou a família em 1810.
Sua mãe Elizabeth Arnold Hopkins Poe, atriz, morreu logo depois em 1811 de tuberculose, ao que Poe foi acolhido por Francis Allan e John Allan, um mercador de tabaco bem sucedido de Richmond, que nunca o adotou de maneira legal, mas lhe deu o sobrenome.

Frequentou a escola de Misses Duborg, em Londres, e a Manor School, em Stoke Newington. Regressando em 1820 ao seio da família Allan em Richmond, registrando-se na Universidade da Virgínia, em 1826, que frequentaria durante apenas um ano, expulso por seu estilo aventureiro e boêmio.

Desentendeu-se com o padrasto por dívidas de jogo, Poe entrou para as forças armadas com o nome de Edgar A. Perry, me 1827. Publicou nesse ano seu primeiro livro "Tamerlane and Other Poems".
Dispensado do serviço militar após dois anos, em 1829 com a morte de sua madrasta publicou seu segundo livro "Al Aaraf", reconciliando-se com seu padrasto que o auxiliou a entrar na Academia MIlitar de West Point. No entanto, foi expulso da mesma em 1831, sendo então repudiado por seu padrasto até a morte deste em 1834.


Trabalhou em Baltimore, para onde mudará morando com a tia viúva, no jornal Sothern Literary Messenger no final de 1835 como editor. Casando-se em segredo com sua prima Virgínia, de 13 anos, em 1836.

Mudou-se para Nova Iorque em 1837, onde aparentemente nada produziu, antes de se mudar para Filadélfia e publicar pouco depois The Narrative of Arthur Gordon Pym.
Em 1839 tornou-se editor assistente da Burton's Gentleman's Magazine, onde publicava grande número de artigos, história e críticas. Nesse mesmo ano, foi publicada, em 2 volumes, a sua coleção Tales of the Grotesque and Arabesque (traduzido para o francês por Baudelaire como "Histoires Extraordinaires" e no português "Histórias Extraordinárias"), que apesar do pouco sucesso, foi apontada como um marco na literatura norte-americana.

Durante este período sua esposa Virgínia Clemm morreu de tuberculose, após sofrer com invalidez durante um tempo. Tal sofrimento levou Poe ao consumo excessivo de álcool, deixando o antigo emprego. Regressou a Nova Iorque, onde no Evening Mirror, onde publicou em 1845 seu celébre poema "The Raven" ("O corvo"), antes de se tornar editor no Brodway Journal.



Com a falência do Brodway Journal em 1846, Poe mudou-se para o Bronx, local onde sua mulher veio a morrer no ano seguinte.
Emocionalmente abalado, Poe veio a cortejar a poeta Sarah Helen Whitman, mas o noivado não durou, causado pelo consumo de álcool de Poe e a intromissão da mãe da poeta. Nessa epóca Poe tentou suicídio por alta dosagem de láudano.
Acabou por regressar a Richmond, onde retomou a relação com sua paixão de infância, a então viúva Sarah Elmira Royster.

Poe veio a falecer no dia 7 de outubro de 1849, acredita-se que por consumo excessivo de álcool (sua morte nunca foi explicada de forma precisa), ele foi encontrado no dia 3 de outubro de 1849 em delirium tremens, trajando roupas que não lhe pertenciam, não sabendo explicar o que lhe tinha ocorrido.
Suas últimas palavras teriam sido: "It's all over now: write Eddie is no more." ("Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe").

Poe difere de outros autores por usar um terror psicológico, seus personagens flertam com a loucura e a lucidez, clima evidenciado pela narrativa na primeira pessoa.


Obras:

A Dream (1827)
A Dream Within a Dream (1827)
Dreams (1827)
Tamerlane (1827)
Al Aaraaf (1829)
Alone (1830)
To Helen (1831)
Israfel (1831)
The City in the Sea (1831)
To One in Paradise (1834)
The Conqueror Worm (1837)
The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
Silence (1840)
A Descent Into the Maelstrom (1841)
Tell Tale Heart (1843)
Lenore (1843)
The Black Cat (1843)
Dreamland (1844)
The Purloined Letter (1844)
The Divine Right of Kings (1845)
The Raven (1845)
Ulalume (1847)
Eureka (1848)
Annabel Lee (1849)
The Bells (1849)
Eldorado (1849)
Eulalie (1850)
The pit and the pendulum (1842)
William Wilson (1839)


Links para algumas obras:











Sites sobre o autor

Poe Brasil(site brasileiro)

Edgar A. Poe (site em inglês)

24 de outubro de 2009

Caim - José Saramago


José Saramago, escritor português, prêmio Nobel de Literatura em 1998, está criando pôlemica novamente em seu novo livro, Caim (lançado no dia 18 de outubro). Falando sobre o tema religião, o autor foi criticado pela Igreja Católica por conta de declarações feitas durante o lançamento. Segundo Saramago, sem a Bíblia "os seres humanos seriam provavelmente melhores".

O autor fez várias critícas, durante homenagem a ele na cidade portuguesa de Penafiel, onde apresentou seu livro.
"Na Bíblia há incesto, é inegável. Não existiria este livro se o episódio de Caim e Abel não estivesse na Bíblia, onde se mostra a crueldade de Deus. Não se deve ter confiança no Deus da Bíblia", declarou.

O prêmio Nobel, ácido em suas manifestações, disse que "não esperava reações dos católicos porque eles não leem nem a Bíblia", e se perguntou: "Quem vai ler um livro desse tamanho?".

Sobre a temática do livro, Saramago reconheceu que o a figura de Caim o acompanhava "há muito tempo" e acrescentou que a "questão" deste personagem bíblico sempre pareceu "um pouco estranha" para ele.







"Por que Deus aceita o sacrifício de Abel e rejeita o de Caim quando ambos apresentam suas oferendas? Aí se criou a inveja, Caim se sentiu humilhado", segundo Saramago.

O escritor reconheceu que o assunto o interessava, já que, apesar de ser ateu, não pôde escapar dos valores cristãos. Ele disse ainda que "não há um ateu absoluto, só poderia ser (ateu) aquele que vivesse em uma sociedade na qual Deus não tivesse penetrado".


Em Lisboa, um representante da Igreja Católica declarou que tal comentário não é digno de um Prêmio Nobel, e por isso Saramago não deveria ofender o cristianismo. O escritor ainda qualificou Deus como "cruel, invejoso e insuportável".

Sobre as críticas, Saramago disse não se importar. "Admito que o livro pode irritar os judeus, mas pouco me importa". Saramago obteve resposta de Elieze du Martino, de Lisboa, dizendo que o escritor "faz leituras superficiais da Bíblia".

Em "Caim", José Saramago usa a ironia para recontar a história de Caim, filho de Adão e Eva.



Site do Escritor 

18 de outubro de 2009

O Abraço

Levanta o alvo corpo rijo
Admira sanguínea aurora vindoura
Na torre erguida pela fome
A súplica dança com o fantasma

Toca a face, os rubros olhos
Atravessa-lhe a luz das paredes
Banha-se em vermelho veludo
Assassina Rapunzel dos condenados

Mil, cem mil, e mais olhares
Estátuas sem veias, estacas vivas
Uma sombra ri, e do pão toma
E dez pescoços torce com a navalha

Pele-de-luz, chama as virgens!
Eterna obra-prima, uma Vênus
A engolir o mundo como vinho
Quasímodo de púrpura, vestida

E saíram pela noite, e as crias
Mais noites tomaram da luz
Abraça a alma que espera
Agora no quarto feito de cinzas

Dá-me a fome, a ânsia e o desespero
Que o corpo novamente pereceu
Na noite filha das dores
Um sem-dores abraça o fantasma

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Escrito no Jardim
Ouvindo Nymphetamine, Cradle Filth

17 de outubro de 2009

Eu, Robô


      No domingo último, dia 11/10/2009, a Globo exibiu o filme Eu, Robô, na sessão Domingo Maior (o que particularmente acho um absurdo, um filme tão bom merecia um horário melhor, mesmo que já tenha sido exibido várias vezes). O filme, baseado em uma série de nove histórias curtas de Isaac Asimov (publicadas primeiramente em 1950), esbanja cenas de ação intensa, efeitos especiais magníficos e todo um conceito visual que permanecerá moderno provavelmente por muitos anos. Apesar de ser interessante por exemplo o fato de que o filme não segue nenhuma das histórias curtas de Asimov, o foco aqui não é exatamente esse. Aqui, resta uma pergunta: o que, no mundo de Eu, Robô, é realmente possível de ser visto, mesmo que daqui a milênios de evolução tecnológica, no mundo real?

      Pode parecer estranho, mas quase nada ali é realmente impossível. A ciência atual não consegue imitar o caminhar humano (quanto menos uma corrida ou uma luta vertiginosa como as do filme), porém dá passos nessa direção já há um bom tempo. O cérebro positrônico (uma das heranças de Asimov) não existe nem é previsto pela ciência (visto ser pura ficção científica dos anos 50, quando o pósitron havia sido descoberto), mas sistemas parecidos estão em constante evolução. Próteses como a do personagem de Will Smith detetive Spooner também estão sendo desenvolvidas (merecendo crédito aqui o brasileiro Miguel Nicolelis por seu trabalho na neurologia). Carros que andam sobre esferas, e não rodas, e outras características são mais possíveis ainda, bastando apenas a evolução necessária da tecnologia. A real dificuldade em Eu, Robô consiste mesmo na lógica.
      O filme é fundamentado nas Três Leis da Robótica – criadas por Asimov na história de 1942 “Runaround” - que regem todo e qualquer robô ou sistema de I.A. (no filme!). Para quem não se lembra, ou não assistiu:

“1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.”

      Para um humano as regras são simples de serem seguidas, certo? Bem, até certo ponto. O filme mostra isso. O personagem de Will Smith, o detetive Spooner, tem repulsa a robôs porque em um acidente um robô preferiu salvá-lo a salvar uma criança, que estatísticamente tinha menos chances de sobreviver. O que acontece ali é que o tal robô não percebeu o contexto, e é aí que se torna praticamente impossível aplicar as três leis em máquinas.
      Uma máquina não enxerga contextos. Para que ela possa enxergá-los, deve ser escrito um conjunto de instruções para cada caso possível, cada combinação possível, o que na Teoria da Computação é chamado de “explosão combinatória”. Para exemplificar, se você perguntasse a um computador “Onde está o nariz de Maria quando Maria está na casa dela?”, por incrível que pareça, ele não seria capaz de responder. Isto porque um computador não sabe que o nariz costuma ficar no rosto do dono. E se ele fosse programado para responder que o nariz “está na casa”, responderia também assim à pergunta “Onde está a mochila de Maria quando Maria está na casa dela?”. Nesse caso, a resposta certa seria “não sei”.
      O contexto depende, ainda, de aprendizado. Só sabemos que narizes ficam no rosto de seus donos porque temos contato com nosso próprio nariz e o de outros, ou seja, aprendemos o contexto em que um nariz existe. Máquinas atuais são capazes de aprender a responder a estímulos, aprender a solucionar problemas sem que estes estejam descritos em sua configuração inicial. Porém, para um robô (atual) com mãos e olhos, um nariz não é um nariz. É apenas uma descrição matemática de algo com que ele deve interagir. Assim, o contexto ainda não pode ser aprendido por robôs baseados apenas na lógica comum.

      Mas, supondo que o contexto possa ser aprendido por robôs, as Três Leis ainda incorrem em um “crime” lógico: são ambíguas. Em lógica computacional (e aqui não estamos falando apenas de computadores, mas sim de qualquer máquina capaz de entender instruções), nada pode ser ambíguo. Tomando por exemplo a segunda parte da 1ª Lei, que diz que um robô não pode, “por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal”. Inicialmente, a lógica desta Lei se aplicaria apenas aos seres humanos próximos. Porém, com o tempo, um sistema elaborado de I.A. (como a V.I.K.I. do filme) estenderia a aplicação desta Lei para qualquer ser humano existente. E aí a resposta lógica resultante seria quase ilimitada: o sistema deveria proteger todos os seres humanos contra tudo – resultando justamente na resposta que a V.I.K.I. encontrou para este problema. Porém, um sistema desse tipo não poderia – como a V.I.K.I. fez – encontrar uma resposta que agrida a algum ser humano.
       Cabe aqui uma nota. Asimov adicionou, depois da publicação original de seus contos, uma nova lei às três leis já existentes, que acaba sendo uma variação da 1ª lei, e é chamada de Lei nº 0:

“Um robô não pode causar mal a humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal, nem permitir que ela própria o faça.”

       Para cumprir com a última parte da lei nº 0 um sistema de I.A. deveria proteger a humanidade dela mesma..... sem causar mal a qualquer humano (indivíduo) pois isso entraria em conflito com as outras Leis – diferente do que a V.I.K.I. do filme faz, deduzindo que alguns deveriam morrer para que a maioria sobreviva. Ignorar as outras leis dessa forma denotaria um conceito de que “o fim justifica os meios”, conceito esse apenas possível se surgir de uma consciência. Aliás, será que o filme fala da consciência?

      Fala. O Dr. Alfred Lanning (James Cromwell) fala de “trechos randômicos de código”, que sinalizariam uma evolução em direção à consciência. Esses trechos randômicos de instruções seriam resultado de uma I.A. altamente desenvolvida, e gerariam ações independentes das Três Leis ou de qualquer sistema restritivo. Ainda no filme, o robô Sonny possui um segundo cérebro positrônico (uma analogia ao coração emocional), que permite que ele aja por conta própria, optando justamente por seguir ou não as três leis. Esse segundo cérebro implementa uma “consciência”, ou mais precisamente uma imitação dela. E é esse o fator realmente impossível do filme.
      Primeiramente, dois cérebros, ou dois sistemas de I.A., não poderiam conflitar um com o outro como no filme, ou se o fizessem, deveria haver uma prioridade sobre quem “dá a última palavra.” Além do mais, a simulação de uma consciência ainda encontra outros problemas...
      A consciência não é prevista pela Computação, pela lógica ou pela Matemática. Ela não segue padrões, é única e extremamente mutável. Dois gêmeos criados no mesmo lar, com o mesmo tratamento, tomarão ações diferentes sob a mesma circunstância. E o principal: por mais que o robô “pense” o mundo ao seu redor, ele não faz algo que só os humanos fazem: pensar o seu mundo interior. Enquanto um humano pode ter um universo dentro de si mesmo (ou às vezes mais de um!), um robô nem ao menos sabe que existe.
      A primeira pessoa que realmente se preocupou com as implicações da Inteligência Artificial, porém, não foi Asimov. Alan Turing (1912-1954), no artigo de 1950 “Máquinas computacionais e inteligência”, tratou não da pergunta “As máquinas podem pensar?” mas sim “Pode uma máquina – um computador – passar no jogo da imitação?” Ou seja, pode agir e dialogar tão naturalmente a ponto de fazer com que uma pessoa pense que seu interlocutor é humano? Até hoje, nenhuma máquina conseguiu tal feito. E, mesmo que conseguisse, como avaliar se a máquina sabe o que está fazendo?
      Suponha que você não saiba chinês (o que provavelmente é verdade). Então, você é trancado em uma sala, cheia de cestos com símbolos chineses (as perguntas de um entrevistador). Você não entende os símbolos, mas recebeu um livro com instruções (um software) para manipula-los, sem dizer no entanto seus significados. Quando caracteres chineses são enviados para a sala (pergunta) você deve enviar símbolos de volta para fora da sala (resposta). Você ainda recebe regras adicionais para poder passar em todas as entradas de dados (perguntas) possíveis. No entanto, você nem ao menos sabe que está respondendo a perguntas!
      É exatamente isso que acontece com as máquinas. A nós, elas parecem inteligentes, mas na verdade só respondem a comandos sem saber o real sentido do que fazem. Como avaliar quando uma máquina passa deste estado totalmente irracional para um estado de consciência? Ela deveria aprender contextos, deveria manipular a lógica aceitando ambiguidades, deveria criar conceitos sobre cada elemento do mundo exterior e interior, mas como saber se esse conceito, ao invés de puramente matemático, envolve também uma avaliação própria – um sentimento?

      Enfim, se os robôs poderão conversar conosco um dia? Se poderão conversar sobre opiniões, sentimentos, sonhos??? Ah, meu santo Turing*! Talvez. Mas eles jamais saberão sobre o que estão conversando, e o principal, não saberão que ESTÃO conversando...

* Turing também criou uma máquina teórica (também chamada Máquina de Estados, baseada em autômatos finitos) que foi e é a base de todas as máquinas computacionais atuais. Um pequeno detalhe: na época não existiam chips de silício, e computadores eram máquinas extremamente distantes do cotidiano.

Fonte:
          I, Robot - Wikipedia (sobre filme e contos de Asimov, em inglês)
          Revista Scientific American, nº 19, Edição Especial “Mente e Cérebro”, págs. 76 – 79 (artigo “Pensamento Eletrônico”)