
Outra teoria defende que a palavra decorreu de várias derivações: do particípio presente "sapiente" se fizeram várias derivadas: "sabença" ("sapientia"), no português arcaico "assabentar", "sabentar". Desta forma verbal "sabenta" e por fim "sebenta" - a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio.-(Silveira Bueno).
No Brasil, "sebo" tornou-se a forma vulgarizada de designar a livraria onde se vendem livros usados e raros, conforme consta no livro "Guia dos sebos do Brasil" de Jorge Brito, e no minidicionário "Aurélio".
Na obra de Brito, o autor revela que os primeiros sebos surgiram na Europa em meados do século 16, quando os mercadores e pesquisadores de papiros vendiam documentos importantes da época. O historiador Leonardo Dantas Silva conta que estes mascates eram chamados alfarrabistas (alfarrábio significa livro velho e raro), nome que os acompanha até hoje em países como a França e Bélgica, em que a atividade dos sebistas é considerada essencial para historiadores e pesquisadores em geral. Os sebos também são chamados de alfarrábios.
No Brasil, o comércio de livros usados precedeu mesmo o início da Imprensa. Devido à dificuldade de importação havia intermediários de livros já no século XVII. O comércio desenvolveu-se mesmo após a chegada Família Real (1808).
É possível reconhecer, em linhas gerais, alguns traços comuns entre as pessoas que visitam sebos regularmente. Dentre os principais atrativos listados pelos assíduos, estão a raridade de títulos e os preços inferiores aos dos livros novos. Parte desse público aprecia antiguidades de uma forma geral e ainda há os colecionadores, que buscam, por exemplo, obras autografadas ou não mais publicadas.
A maior parte dos clientes possui uma formação educacional média ou superior. A maior demanda é do acervo de literatura clássica, poesia e das obras cujo conteúdo se relaciona ao campo de formação de cada leitor.
O público é composto em geral por apreciadores de livros que têm um prazer intelectual na leitura das obras e na preservação da memória delas.E eles se demoram, muitos passam horas descobrindo os livros e decidindo quais comprar naquela visita. Professores, escritores, acadêmicos, jornalistas e colecionadores formam uma parcela significativa dos frequentadores de sebos.
A economia em torno do sebo
Uma das razões que explica o crescimento da procura pelos sebos é a diminuição do poder de compra da classe média que busca alternativas mais apropriadas a sua renda. A maior circulação dos livros pode indicar também uma perda da “aura” que, muitas vezes, acompanha essas publicações. Os livros deixam de pertencer a um dono só. A existência dos sebos contribui, de alguma forma, com a democratização do acesso ao livro.
Dentre as sugestões de melhorias dos sebos, os clientes destacam preços mais baixos na venda e mais altos na compra de livros acrescentados ao acervo. O processo de formação do preço dos livros usados segue alguns critérios gerais, segundo o blog do sebo "traça":
-livros comuns em catálogo custam, em média, metade do preço de novos
-livros comuns fora do catálogo, com procura, até a totalidade do preço de novos
- livros comuns fora do catálogo, sem procura, até metade do preço de novos
-livros raros: dependem exclusivamente da oferta e da procura
Algumas obras muito raras chegam à casa de milhares de reais, enquanto outras não chegam a R$ 1. Há até sebos com "moeda própria".O sebo carioca Berinjela estabelece seus preços na “moeda berinjela”, cada uma equivale a R$ 2
Os livros usados além de levar como quaisquer outros, o conhecimento procurado, revelam curiosidades e marcas. Suas páginas têm acontecimentos, experiências, sentimentos encobertos. Há memórias por detrás das anotações, dedicatórias e folhas marcadas. A aparência não revela tudo o que um livro provocou em alguém. O novo dono desconhece o caminho de seu livro até ali.
A socióloga Márcia Delgado, autora do livro Cartografia Sentimental de Livros e Sebos , marca em sua obra alguns destes vestígios e histórias. Ela escreve que boa parte do acervo dos sebos de Belo Horizonte foi vendida por viúvas. Várias delas costumam vender a biblioteca dos maridos assim que eles morrem. Há as que se desfazem da coleção para não sofrerem tanto com a lembrança de seus esposos. Outras sentem por esses livros raiva, por terem recebido a atenção que elas queriam. Para estas e aquelas o destino das lembranças foi o sebo.
Cada obra do grande acervo dos sebos forma repertórios intelectuais e concepções de mundo. Forma gente e histórias.
Eles estão perto, acomodam-se em beiras de calçadas, entradas de metrôs ou portinhas escondidas nos centros das cidades e demonstram ser hoje um importante e crescente espaço de trocas entre gerações e culturas. Em um momento no qual o número de leitores de livros do país é ainda muito pequeno, os sebos se colocam como possibilidades de acesso à produção de idéias de uma sociedade além de importantes centros de conservação das memórias intelectuais.. Aquela idéia que se tinha deles como lugares sujos, vazios, com livros amontoados e em péssimo estado vai perdendo lugar. Os sebos se mostram hoje espaços de convivência entre a tradição e um público cada vez mais atento às possibilidades das novas mídias. Um jeito antigo e atualizado de vender aquilo que ultrapassa tempos e previsões alarmistas de fim.

Há uma cidadezinha chamada Hay-on-Wye, no País de Gales, que é considerada a cidade dos livros. Dizem seus moradores, cerca de duas mil pessoas, que é a Meca dos bibliófilos, principalmente para os que preferem livros usados. A maioria das livrarias são sebos. Desde 1998 há um festival literário, quando mais de 80 mil pessoas visitam a cidade. Vários nomes importantes da literatura participam deste evento patrocinado pelo jornal The Guardian.


























