9 de março de 2010

Fantasma da Ópera...no divã?


"O Fantasma da Ópera", um dos maiores musicais de todos os tempos, estreia em Londres nesta terça-feira em meio a inquietação entre fãs inveterados do musical, que vêm postando opiniões online desde que as pré-estreias começaram, duas semanas atrás.

O compositor Andrew Lloyd Webber se preocupou com a repercussão na Internet -- boa parte dela negativa -- tanto que a criticou em entrevista recente a um jornal, apesar de continuar confiante em que "Love Never Dies" terá final feliz.

A discussão vem acontecendo sobretudo no site da publicação teatral What's On Stage.

Mais de 850 mensagens foram deixadas no site desde 22 de fevereiro, quando "Steve 10086" descreveu o musical como "um tédio". Mas nem todos os comentários têm sido negativos, e muitas pessoas que os fizeram não tinham assistido ao musical.

Lloyd Webber, que recentemente passou por tratamento contra câncer da próstata, descreveu as pessoas que já estão atacando a nova produção como "uma cultura patética" de pessoas "que se pautam exclusivamente pelo velho Fantasma da Ópera".


No site do próprio musical, um blogueiro resumiu o sentimento de muitos fãs de "Fantasma". "Uma coisa é certa: nunca haverá nada tão bom quanto o Fantasma. Fui assistir à sequência com a cabeça aberta, mas me senti como se estivesse assistindo a um rascunho da coisa real."

Criador de muitos musicais de sucesso, incluindo "Evita", "Starlight Express", "Cats" e "Jesus Christ Superstar", Lloyd Webber acha que muitos de seus maiores sucessos poderiam ter tido dificuldade em sobreviver se tivessem sido criados na era da Internet, marcada pelas reações instantâneas.

"Se alguém (com acesso à Internet) tivesse assistido à primeira pré-estreia de 'Cats', acho que o musical teria sido encerrado ali mesmo", disse ele.

Sob alguns aspectos, "Fantasma da Ópera" é o musical mais difícil para se igualar, tendo quebrado recordes com mais de 9.000 apresentações apenas em Londres, a maior temporada na história da Broadway e apresentações diante de mais de 100 milhões de pessoas desde que estreou, em 1986.

Mas "Fantasma" também recebeu algumas críticas negativas iniciais, e Lloyd Webber disse recentemente ao jornal The Independent: "A história do teatro musical é repleta de resenhas negativas dadas a peças que depois viraram clássicos."

"Love Never Dies" estreia hoje no teatro Adelphi, no West End, em Londres, e chegará à Broadway em novembro e à Austrália em 2011.

O novo musical leva adiante a história do Fantasma, que deixou seu esconderijo no Teatro de Ópera de Paris e, dez anos mais tarde, assombra os parques de diversões de Coney Island, em Nova York.

Fonte: Yahoo! Notícias

Homem de Ferro 2


Se você gostou de Iron Man, prepare-se!!! A Sequência vêm ai...

Depois de ser exibido após a premiação do Oscar nos Estados Unidos, na madrugada de segunda-feira (8), caiu na internet o novo trailer de "Homem de Ferro 2".
O vídeo traz várias cenas inéditas de Robert Downey Jr. de volta como o herói Tony Stark, além dos novos personagens Viúva Negra (interpretada por Scarlett Johansson), o vilão Chicote Negro (Mickey Rourke) e Máquina de Combate (Don Cheadle), entre outros. Gwyneth Paltrow retorna como a mocinha Pepper Potts, enquanto Samuel L. Jackson será Nick Fury. 
Com direção de Jon Favreau, o filme estreia nos cinemas brasileiros em 30 de abril.


8 de março de 2010

Trilha sonora de Alice no Brasil!


A Disney Brasil confirmou o lançamento dos dois CDs, contendo as trilhas sonoras de Alice no País das Maravilhas, no Brasil!

Um deles contém canções de vários artistas, e o outro (que particularmente me interessa MUITO) contém a trilha sonora composta por Danny Elfman para o filme. Os dois CDs serão lançados nas nossas terras quentes e calorentas no dia 24 de março. Aliás, o CD com a trilha de Elfman será vendido (por puro sadismo da Disney talvez) apenas pelas livrarias Saraiva.

Para quem ainda não sabe, e já que cada site anunciava uma data diferente, a Disney Brasil marcou para o dia 23 de abril o lançamento do filme no Brasil. Ou seja.............. a trilha sonora chega aqui quase UM MÊS antes do filme..........................

Desânimo à parte, a Disney liberou semana passada o tema principal do filme (e toda a trilha de Elfman) no Youtube.




Fonte: Blog Disney Mania

Cansaço

E lá se vai, andando
Corpo rijo, saboreia o frio
Recorda cada caco e estilhaço
Da turva janela que arrebentou

Desvia esquinas, somem postes
E lá se vai, voando
Alma leve, debilitada
Cansada de tudo, de si

Um breve aceno, com a mão
A ninguém, a nenhum lar
E lá se vai, na correnteza
De incolores sentimentos

E sentir a falta... que falta?
Se fechar os olhos e se soltar
É o que dá, que assim seja e amém
Pois de tudo, lá se vai, para o fim.

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 Escrito no Jardim, em 03/03/2010, no completo silêncio.
 
"A mais ninguém... Cansado de tudo. De mim." 
 
P.S.: Um agradecimento à minha amiga Mariana, pela imagem.

Oren Lavie

Viajando por um blog interessante, encontrei um link meio duvidoso, mas que caía em um clipe que me inspirou por dias. Todo em stop motion, todo feito tendo como "cenário" uma cama e almofadas e travesseiros etc. E nos vídeos relacionados ainda encontrei músicas tão tranquilas quanto profundas...

De quem estou falando? De um produtor, diretor de teatro, compositor, cantor, um israelense que passou pela Academia de Música e Arte Dramática de Londres (LAMDA) e dirigiu peças encenadas em Israel, Londres (com muitas músicas de sua autoria), Nova York e Berlim, que gravou um brilhante álbum, lançado na Europa em janeiro de 2007 e nos EUA em março de 2009, com o título de The Opposite Side of the Sea.

Estou falando de Oren Lavie. O clipe a que me referi é da música Her Morning Elegance, que se tornou viral no Youtube (com mais de 10 milhões de visualizações!) e ganhou o Grammy Award de 2010 na categoria Melhor Clipe Curto.

Para conhecer as outras músicas do artista (entre as quais The Man Who Isn't There, que me influenciou bastante, e A Dream Within A Dream, baseada no poema homônimo de Edgar A. Poe), abaixo está o link para o álbum The Opposite Side of the Sea.

The Opposite Side of the Sea - Oren Lavie

E abaixo você confere o clipe Her Morning Elegance:




Fontes:

Blog Dois Espressos

Oren Lavie - Wikipedia (em inglês)

1 de março de 2010

A Tríade do Engano



O Circo

Venha ver, venha ouvir
O mais ínfimo espetáculo da Terra!
Pois nós cavalgamos e trotamos
E roçamos a lama com cascos de feltro

Temos muito, tivemos muito
Mas há ainda mais e mais
Porque ah queremos mais e mais
Até termos o que não se vende

Vendemos aqui, bem aqui
O nosso toque, nossas mãos
É um bom preço afinal
Saltarmos juntos na tempestade uma vez mais

E queremos seu toque também
Ora e por que não quereríamos?
Cada um de nós quer sua parte
Nessa troca simples e pueril

Uma tristeza, uma raiva e mil risos
Que a dor pesa na balança
Que a lágrima é inestimável
E o não-feito é feito de ouro

Pois se foi perfeito o espetáculo
Por que desejaríamos voltar?
Queremos acordar, então venha
Que o vazio aplauso já vai terminar

Escrito no Jardim, em 08/01/2010.
Ouvindo Scarborough Fair, Leaves Eyes.

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Doença

Estou doente
Pois meus braços doem
E meus olhos cegos
Não enxergam mais luz

Estou fraco
Pois diante do mundo
Diante de ungeziefer* vários
Eu me destroço abaixo de cascos
De intermináveis cavalarias

E a doença, ah quão bela!
A musa de mais outros doentes
Imortais cegos, surdos e aleijados
Pelo noir cálido e pungente
Que se assoma e multiplica

E a fraqueza, maldita
Que me apanha e dilacera
Ri, como um palhaço ostentoso
Sem brilho, sem humor

Eu caí
Tropecei nas garras agudas
Da harpia, escárnio da desgraça
E recebi o veredicto

Estou preso
Dedos livres, pés e mãos
Olhos livres, ouço e grito
Estou preso

Eu ouço
O hino das máscaras
A máscara das mil cores
A cor escarrada do rancor
E a dor amadurecida
Como o fruto do Éden
A dançar e levantar a cobiça

Estou doente
Do meu peito nasceu
Um pássaro que não voou

* ungeziefer: "inseto daninho", termo usado em A Metamorfose por Franz Kafka, para descrever o personagem Gregor Samsa.

Escrito no Jardim, em 12/01/2010.
Ouvindo Sonata ao Luar, de L. v. Beethoven.

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Última Nota

E então foi assim
Depois de ventanias e temporais
Árvores ao chão, terra e ar
Mais uma vez enfrentou ele o Fim

Ele cogitou guardar uma parte
Numa caixinha de música
Mas suas mãos agressivas
Quebraram a delicada cadência

E ele assim olhou em volta
E viu cem mil outras flores
A perder de vista, perfumes
E o desinteresse fez seu abraço

E foi assim, depois
Perdeu-se o brilho
Perdeu-se o perfume
Face a face, a criança e a traquina
O joguete a enlaçar o jogador

Agora anda, sem pai
E canta, até dança enfim
Afinal, não está livre?
Livre em sua interna colônia penal

E não tem agora ele o mundo?
Pois não pode novamente respirar
E almejar suas próprias ilusões?

Ele agora apenas observa
As cem mil multicoloridas
Por que tocá-las?
Ele agora apenas admira
Como o Jardim de suas noites
É e sempre foi metamorfose

Retorce, e malha, e esculpe
O caminho etéreo que percorreu
Pois ele é enfim o mesmo
Mas finalmente precisa apenas de si

Escrito no Jardim, em 13/01/2010.
Ouvindo Sonata ao Luar, L. v. Beethoven.

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Epílogo

E eis, que o poeta anda sozinho
Entre flores, por entre o Jardim
Apanha algumas, delicia-se com perfumes
E arranca várias

É fato, que ele largou uma
Novamente, como seu vil costume,
Na estrada, a partilhar da terra
Sem da Terra tirar sustento

E olha, que o poeta anda nu
Sereno, ele se despoja dos trajes
De quaisquer máscaras, – pétalas!
Ah que ele não precisa de pétalas!

É ódio, é dor, é dormência?
Diversão, tédio, clemência?

Repara, pois ele apanha mais outra
E a flor cresce, e a raiz cresce
Braços envoltos, sem ar
Repara! – ele ri!

Pois a flor se lhe arranca
Sangue, dor, ou mesmo tempo,
Não está a lhe sangrar o peito
Mas a lhe divertir – tanto!
Eis, que o poeta se delicia na dor!

Mas espera, que há diversão maior!
Pois quando a flor é mais bela,
E suas pétalas refulgem ao sol,
Acaba o sangue, dor e até o tempo
E aquela jactante flor – agora póstuma! –
Cai ante a estrada

Pois eis, que o poeta sempre anda
Entre flores, por entre jardins
Alimenta algumas, pisoteia várias
E sempre anda o poeta – sozinho.

Escrito no Jardim, em 14/02/2010.


Imagens por Victoria Francés.

28 de fevereiro de 2010

9 - A Salvação

E se você acordasse em meio a folhas rabiscadas, móveis caídos, poeira, e dezenas de outras coisas jogadas, e olhasse pela janela e visse centenas de metros - quilômetros - de desolação? Bem, esse é o desafio do protagonista de 9 - A Salvação, lançado em setembro de 2009 (aliás, em 09/09/09) pela Focus Features. O personagem vê carros batidos, muros destruídos, pixações e outras marcas de alguma revolução recente, em uma atmosfera de cores vazias. Vê pessoas - algumas - aos cantos, e vê que ele mesmo, enfim, não passa de um boneco. E não fala!

9 - A Salvação é um longa metragem com produção de Jim Lemley, Timur Bekmambetov e......... Tim Burton! Isso mesmo, o Sr. Burton faz parte da produção deste filme, porém a ideia original da história não vem dele, afinal. Baseado em curta metragem (intitulado somente "9") criado por Shane Acker como trabalho de graduação, o filme teve o apoio de Burton para que fosse iniciado, mas toda a concepção inicial e, por fim, a direção, é de Shane Acker.
Mas, como fazer um curta é muito diferente de fazer um longa, Acker contou para o novo roteiro com a ajuda de Pamela Pettler, que já havia trabalhado com Burton no script de A Noiva Cadáver. Toda a atmosfera pós-apocalíptica presente no curta foi aumentada exponencialmente, em cenários magníficos, com cores quentes e acinzentadas e um detalhismo que imergem o expectador em um sentimento de silêncio.
Aliás, falando de silêncio, o filme tem poucas falas (um triunfo para a expressão!), o que é raro em animações por computação gráfica, devido à dificuldade de transmitir na CG expressões sutis dos personagens. Os primeiros 10 ou 15 minutos do filme não têm diálogos, e mesmo durante o desenrolar da história quem assiste não é banhado com uma enxurrada de falas desnecessárias. Aliás, com uma história marcante, por que as falas?

O protagonista - de nome 9! - encontra outros como ele, também bonecos, e consegue falar por meio de um "conserto" feito pelo boneco 2. Aos poucos ele percebe onde está: um mundo destruído por máquinas. Ok, lugar comum, Matrix e Exterminador ecoam na cabeça nessa hora, mas o que há de interessante neste filme em particular é a falta de esperança. Não há tendências visionárias de tentar restaurar a Terra, de trazer a humanidade à sua glória (?!) passada, há simplesmente o sentimento de que o erro foi cometido, e nada mais pode ser feito. E aí, o filme acaba aí?

Bom, isso talvez você queira descobrir por assistir o filme! Ou você achou que eu ia revelar o final???

Opinião!
O filme conta com cenas de ação boas, mas nitidamente não se prende a isso. Não é, nesse ponto, como Exterminador do Futuro, Matrix ou outros do gênero pós-apocalíptico, que se perdem em meio a tiros, saltos estratosféricos etc. Há também suspense, mas novamente esse não é o maior foco, ou se é não segue pelo caminho comum. Uma das melhores cenas é quando os personagens acham que resolveram um problema, e tudo, inclusive a música, faz você acreditar nisso, e então surge um problema maior. Até aí, normal. A questão é que a música continua otimista, continua alegre, então a sensação clara que se tem é que só você percebeu que há algo errado!

A história, como já foi dito, passa por lugares comuns, como a destruição por máquinas, mas vence no sentido de não forçar um final feliz. Além disso, há alusões - diretíssimas - a governos extremistas, como o fascismo e o nazismo, com seu patriotismo exacerbado, capaz de tudo pelo "bem geral da nação". Inclusive as cores do regime mostrado remetem a Mussolini e Stalin, e as roupas a Hitler.

A iluminação também é incomum. Lembra bastante a dos film noir da década de 50 e 60, com contrastes fortes e muitas sombras. Por fim, o cenário, todo visto como de uma lupa (já que os bonecos são pouco maiores que uma mão), lembra muito a Europa do pós-guerra.

Enfim, sem querer ser repetitivo, mas já sendo, o maior trunfo de 9 - A Salvação é a ausência de um final feliz (pelo menos os habituais hollywoodianos), presente tanto no curta metragem como no longa.

O Curta
Abaixo você confere o curta 9, que deu origem ao filme:



E também o trailer do longa:




Fonte: Omelete e extras do filme.