22 de junho de 2010

O Ateísta de Fé


Este artigo é uma pequena homenagem a José Saramago, escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta, que morreu recentemente, é certo que a literatura perde muito, em especial a portuguesa.

José de Sousa Saramago nasceu na vila de Azinhaga, no concelho da Golegã, em 16 de novembro de 1922, em uma família de agricultores. Passou grande parte de sua vida em Lisboa, para onde a família se mudou em 1924.
Não cursou a universidade devido as dificuldades financeiras de sua família, mas mesmo assim Saramago demonstra desde cedo interesse pela cultura e estudos. Formou-se em uma escola técnica, sendo seu primeiro emprego serralheiro mecânico. Contudo, fascinado por livros, durante a noite visitava a Biblioteca Municipal Central - Palácio Galveias com frequência.
Aos 25 anos de idade publica "Terra do Pecado (1947)", seu primeiro romance. Após este primeiro, apresentou ao seu editor, tempos depois o livro "Clarabóia", que depois de rejeitado, permanece inédito até a data de hoje.
Não deixando a literatura, Saramago após 19 anos lança "Os poemas Possíveis". Em um espaço de 5 anos, publica, sem grandes alardes, mais 2 livros de poesia: "Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). Trabalhando até está época no Editorial Estudos Cor muda para Diário de Notícias, e depois para o Diário de Lisboa.
Em 1975 retorna ao Diário de Notícias como Diretor - Adjunto, onde fica por 10 meses até o dia 25 de novembro do mesmo ano, quando militares portugueses intervêm na publicação, desta forma Saramago passa a dedicar-se somente a literatura.
Remanescentes da fase jornalista de Saramago são quatro crônicas: Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões que o DL Teve (1974) e Os Apontamentos (1976).
Após três décadas da publicação de seu primeiro romance, Saramago retorna com "Manual de Pintura e Caligrafia", porém não foi neste livro em que pode-se definir seu estilo, que só viria a aparecer em "Levantado do Chão (1980)".
Dois anos depois lança "Memorial do Convento", onde finalmente atinge destaque. Entre 1980 e 1991 o autor lançou mais 4 romances que misturam realidade e interpretação do fato oficial: "Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)", "A Jangada de Pedra (1986)", "História do Cerco de Lisboa (1989)" e "O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)", sendo está última sua obra mais controversa.
De 1995 a 2005, publicou mais 6 romances, onde inaugura um nova fase em seus enredos, onde a história se desenrola mais em locais ou épocas determinados do que em personagens: "Ensaio Sobre a Cegueira (1995)", "Todos os Nomes (1997)", "A Caverna (2001)", "O Homem Duplicado (2002)", "Ensaio Sobre a Lucidez (2004)" e " As Intermitências da Morte (2005)".

De entre as premiações destacam-se o Prêmio Camões (1995) - distinção máxima oferecida aos escritores de língua portuguesa; o Nobel de Literatura (1998) - o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa.

No fim Saramago olha para a humanidade condenada a uma breve existência, recheada de questionamentos, de virtudes e principalmente de vícios. Como escritor e crítico, ele se torna um espelho sincero.

Saramago morreu em sua casa, em Lanzarote, no dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos de idade vítima de leucemia crônica. Seu funeral teve Honras de Estado, e seu corpo foi cremado.


Obras:

Romances: Terra do Pecado, 1947 - Manual de Pintura e Caligrafia, 1977 - Levantado do Chão, 1980 -Memorial do Convento, 1982 -
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984 - A Jangada de Pedra, 1986 - História do Cerco de Lisboa, 1989 - O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991 - Ensaio Sobre a Cegueira, 1995 - Todos os Nomes, 1997 - A Caverna, 2000 - O Homem Duplicado, 2002 -
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004 - As Intermitências da Morte, 2005 - A Viagem do Elefante, 2008 - Caim, 2009.

Peças teatrais: A Noite - Que Farei com Este Livro? - A Segunda Vida de Francisco de Assis - In Nomine Dei - Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido.

Contos: Objecto Quase, 1978 - Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979 - O Conto da Ilha Desconhecida, 1997.

Poemas: Os Poemas Possíveis, 1966 - Provavelmente Alegria, 1970 - O Ano de 1993, 1975.

Crônicas: Deste Mundo e do Outro, 1971 - A Bagagem do Viajante, 1973 - As Opiniões que o DL Teve, 1974 - Os Apontamentos, 1977.

Diário e Memórias: Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994 - As Pequenas Memórias, 2006.

Viagens: Viagem a Portugal, 1981.

Infantil: A Maior Flor do Mundo, 2001







Links Interessantes:



Neste Blog: Caim.


Fonte: Wikipédia 

4 de junho de 2010

A Flor e o Menino

 
E então eu vi um menino, sozinho
Esperando a noite, o frio
E senti o abraço quente
De um eterno amanhecer

Talvez sozinho – e lá surge
No vento, a flor em fogo
Caminham, e o mundo olha
O que apenas eles enxergam

O que fica, no caminho
Por que sangram?
Por que as lágrimas
Se o luar lhes ergue as velas?

E então eu vi, no gélido sereno
Sob a ancestral árvore, solitários
O menino e a flor
Um universo de saudades

E o riso brinca, e como açúcar
Suaviza a amarga verdade
Suas sombras os seguem

E eles riem, e voam
À alta torre, solitários
"Ao meu refúgio, minha bela Rapunzel"

A cada nota, enlevados
Inebriados pela noite, por luar
Tecem o cenário tolo do palco,
Do espetáculo de suas quase vidas

Pois não podem, não podem?
É mudança, é perda, vaidade?

E na escuridão, eu senti
A flor incendiou o menino

Em praias, em tardes, estradas
Banhados pelo sonho, aquecidos
Um leito, uma noite em dia
E a quase dúvida: é sonho?

Dedos tocam pétalas
Pétalas se refugiam em mãos
Sussurro, perfeita ilusão
O mundo entre dois braços

E então eu ouvi os pedidos
"Fica! Condensa aqui o espaço,
Encerra aqui nossa eternidade!
Fica!"

É preciso, é necessário
E a flor parte, ao vento
E eu vi o menino, e deitada
Ao seu lado, fria, a saudade.


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Escrito no Jardim, em 04/06/2010, às 13:50h.


Imagem "roubada" de uma grande amiga,
Mariana.
Ouvindo Oren Lavie.


"Depois de uma noite, madrugada,
Depois de um abraço eterno"

3 de junho de 2010

Ou Cecília Ou Meireles


Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está a minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.



Um sorriso para quem adivinhar de quem é este poema...

Tudo bem se não acertar, eu mesma vou dizer, este poema é de Cecília Meireles, uma poeta que se por um lado me remete a infância e toda sua mitologia, também me põem a perguntar quem é a pessoa que se mira no espelho.

Nascida em 7 de novembro de 1901, na mesma cidade em que morreu de câncer em 9 de novembro de 1964, Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi poeta, pintora, professora e jornalista.

Da sua vida cita:


"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.



Criada por sua avó portuguesa Jacinta Garcia Benevides, aos nove já começa a escrever seus poemas.
Como professora estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.
Espectro foi sua primeira publicação em 1919, aos dezoito anos. O livro era composto de sonetos de caráter simbolista, embora vivesse em pleno período Modernista.
Em 1922 se casou com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem teve 3 filhas, contudo ele sofria de depressão aguda o que o levou ao suicídio em 1935. Se casou em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Em seus poemas infantis conseguimos sentir musicalidade, explorando vários elementos.

No ano de 1923 publicou "Nunca mais..." e Poema dos Poemas, e em 1925 "Baladas Para El-Rei". Depois de longa pausa, publica em 1939 "Viagem", livro que lhe concedeu o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

Nos Açores, berço de seus pais, o nome de Cecília Meireles foi dado à escola básica da freguesia de Fajã de Cima.

Obras

- Espectros, 1919 
- Criança, meu amor,1923 
- Nunca mais…, 1923 
- Poema dos Poemas, 1923 
- Baladas para El-Rei, 1925 
- Saudação à menina de Portugal, 1930 
- Batuque, samba e Macumba, 1933 
- O Espírito Vitorioso, 1935 
- A Festa das Letras, 1937 
- Viagem, 1939 
- Vaga Música, 1942 
- Poetas Novos de Portugal, 1944 
- Mar Absoluto, 1945 
- Rute e Alberto, 1945 
- Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948 
- Retrato Natural, 1949 
- Problemas de Literatura Infantil, 1950 
- Amor em Leonoreta, 1952 
- Doze Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952 
- Romanceiro da Inconfidência, 1953 
- Poemas Escritos na Índia, 1953 
- Batuque, 1953 
- Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955 
- Pistoia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955 
- Panorama Folclórico de Açores, 1955 
- Canções, 1956 
- Giroflê, Giroflá, 1956 
- Romance de Santa Cecília, 1957 
- A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957 
- A Rosa, 1957 
- Obra Poética,1958 
- Metal Rosicler, 1960 
- Poemas de Israel, 1963 
- Antologia Poética, 1963 
- Solombra, 1963 
- Ou Isto ou Aquilo, 1964 
- Escolha o Seu Sonho, 1964 
- Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965 
- O Menino Atrasado, 1966 
- Poésie (versão francesa), 1967 
- Antologia Poética, 1968 
- Poemas Italianos, 1968 
- Poesias (Ou isto ou aquilo& inéditos), 1969 
- Flor de Poemas, 1972 
- Poesias Completas, 1973 
- Elegias, 1974 
- Flores e Canções, 1979 
- Poesia Completa, 1994 
- Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998 
- Canção da Tarde no Campo, 2001 
- Episódio Humano, 2007 
- Obra principal de Cecília Meireles: Olhinhos de Gato. Olhinhos de Gato é um livro que foi baseado na vida de Cecília, contando sua infância depois que perdeu sua mãe Matilde Benevides Meireles e como foi criada por sua avó D. Jacinta Garcia Benevides (Boquinha de Doce, no livro) 



Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Fonte: Lusopoemas
           TV Cultura

2 de junho de 2010

Ao número um sua justa premiação...


Se você parasse para pensar em um personagem marcante, o número um, aquele que inspira as melhores qualidades, aquele que deixa de ser um personagem para virar uma lenda, um mito...

Aquele herói que salva moçinhas indefesas, gatos burros presos em árvores, prende vilões faladores? Qual seria? Superman, Dr. House, Batman, Curinga?!


Esqueça tudo isso...


O Number One é... Homer Simpson!


O chefe da família da animação "The Simpsons", criada por Matt Groening, foi eleito pelos leitores da "Entertainment Weekly", que votaram pelo site da revista, o maior personagem criado para a televisão e cinema nos últimos 20 anos.

"As pessoas se identificam com Homer porque todos são movidos secretamente por desejos que não podemos admitir", disse Matt. "Homer é capaz de mergulhar de cabeça em cada pensamento único e impulsivo que lhe ocorre", completou o desenhista.

O pai de Bart, Lisa e Maggie venceu o bruxinho Harry Potter, que ficou em segundo luga, seguido de Buffy, a caça-vampiros, o mafioso Tony Soprano e o vilão Coringa, de "Batman".

Ainda na votação virtual - que comemorou os 20 anos da publicação - personagens como Fox Mulder e Dana Scully do "Arquivo X", David Brent, do "The Office", Cartman, da animação "South Park" e o cômico espião Austin Powers foram lembrados entre os cem inesquecíveis. A lista completa será publicada na edição comemorativa da publicação, que divulgou, apenas, os primeiros lugares entre os personagens.


Fonte: Yahoo!

26 de maio de 2010

Distante

          É inegável que estamos fora de casa. As luzes nos incomodam, e é difícil encarar a noite sem pensar em algum olhar estranho que pesa sobre nós como aberrações que somos. Andamos por aí vestindo a ignorância, tateamos tudo que vemos e um sorriso nos brota da face quando alguém acredita na nossa cegueira. E o mundo, por sorte, de certa forma sempre acredita em nós. Mas o que fazer com aqueles poucos – pouquíssimos, aliás, excepcionalmente raros – que param à nossa frente e nos encaram, que enxergam em nossos olhos a certeza, de uma indizível profundidade, de que estas não são as nossas roupas, não é nosso este modo de andar e por Deus! estas palavras não são nossas; o que fazer quando um deles, com os olhos, diz entender, e ainda pior do que tudo, se propõe bom samaritano – o que fazer deles?
          Talvez o melhor seja devolver o olhar, carregado desta vez com outra certeza: estes trajes são temporários, tudo é só por um momento. Não diremos que eles se enganam – eles sabem o que veem –, nem tampouco mostraremos o abismo cujo eco eles acabam de ouvir – seus ouvidos ainda não estão preparados para os gritos que de lá ascendem, e talvez nunca estarão. Diremos, por certo, é certo, é momentâneo, em pouco tempo voltaremos para casa, tomaremos nosso caminho pela noite. É melhor dizer isso. De fato, para eles, é melhor mentir.
          E teremos mesmo de mentir, pois não sabemos mais o caminho, não, e de modo algum ele pode ser ou já foi nosso caminho. Se ao menos nos reconhecêssemos no reflexo na água, se ao menos pudéssemos ver nossos braços limpos... Pois agora, a cada minuto nosso corpo suplica, nossa mente exaspera, e mesmo assim, assim seguimos adiante. Uma pausa, dois minutos, e escrevemos rápido letras tortas. E logo voltamos ao nosso teatro. E enfim chega o momento de poder voltar. E podemos?
          Se ainda na baixa luz de um quarto nós pudermos dormir, já nos esquecemos de que aquele não é nosso lar. E qual seria? As paredes se assomam, os mesmos livros e quadros nos acusam de negligência, e por fim nem aqui estamos sozinhos. E se arriscamos algumas notas, a música se ergue como senhora de nossas mãos, e as castiga com a vara fina da dor. E por fim nem assim estamos livres. E então só nos restam as estrelas.
          É claro que estamos fora de casa. Mas, depois do que somos, nós temos, suportamos, um lar?


Escrito em 25/05/2010, em meio a cinzas.

Imagem: "Natureza morta com espelho", de M. C. Escher
 
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"Ich vermisse jene Freiheit
Die ein Liebender nicht kennt
Doch vermisse ich die Liebe
Die den Lieben empfängt"

"Sinto falta daquela liberdade
Que um amante não conhece
E ainda me falta o amor
Que o amante recebe"

Alles unter Schmerzen, Lacrimosa
(tradução livre)

24 de maio de 2010

A Trovadora



Esta cantora me foi apresentada por uma amiga muito amada, e logo me apaixonei de tal forma que não consegui mais parar de ouvir.
Imagine você de repente transportado para florestas, onde fogueiras ardem, onde velhas histórias são sussurradas pelo carvalho velho... Apenas imagine por um instante, fechando os olhos que no vento existem vozes, velhas vozes que lhe contam lendas sobre donzelas raptadas, cavalheiros mortos em nome de sua honra, sobre magias de amor e ódio, e até mesmo do próprio tempo...
Pense nas suas músicas como um pequeno pedaço de cultura e conhecimento, passado como antigos celtas faziam, através da fala...
Foi tudo que senti ouvindo Cécile Corbel!


Cécile Corbel é uma harpista, compositora, arranjadora e cantora de músicas folclóricas celtas nascida em 1980 na Bretanha, em Finistère, no oeste da Europa.
Na adolescência após aprender violão veio a conhecer a harpa celta.
A jovem cantora bretã fascina por sua personalidade carismática, se tornando um bardo a cantar histórias de um mundo mágico.
Ela também apareceu como a heroína em uma ópera de Alan Simon's intitulado "Anne de Bretagne".
Cécile Corbel também interpreta e co- compôs em japonês a trilha sonora Arrietty's Song do filme Karigurashi no Arriety, produção do estúdio Ghibli, sob direção de Hiromasa Yonebayashi.


Composição do grupo:

Cécile Corbel: harpa e voz
Cyril Maurin : guitarra
Pascal Boucaud : teclados e bateria
JB Mondoloni : bodhran
Eric Zorgniotti : violoncelo

Discografia
2005 - Harpe Celtique & Chants Du Monde
2006 - Songbook vol. 1
2008 - Songbook vol. 2





 





Minha amiga Naty ;)

15 de maio de 2010

Toque Único


A arte sumi ("tinta") foi introduzida no Japão a cerca de 2000 a.C., o sumi-ê (ou, sumie) também é chamado "suiboku-ga", e é a técnica japonesa de tinta monocromática, feita em pinceladas únicas e rápidas. Esta técnica começou na China durante a Dinastia Sung (960-1274), sendo levada até o Japão por monges zen-budistas.
O sumi-ê tem sua origem na caligrafia chinesa, as pinceladas aprendidas na caligrafia são as mesmas utilizadas na pintura.
Uma de suas características é que o toque do pincel no papel deve ser único e espontâneo, sem ter de pensar em algo no momento antes da pintura, estando ligada assim a filosofia e a meditação, pois é preciso estar presente e deixar o braço deslizar sobre o papel, deixando aflorar os sentimentos de seu autor naquele exato instante.
No sumi-ê tradicional usa-se somente a tinta preta, mas isso está longe de tornar qualquer obra simples e sem detalhes. Não existe tempo para reflexão ou pensamento consciente naquilo que se está realizando, não existe a possibilidade de repetição ou correção, um traço é encarado como único, se existir algum erro ele está "morto", e portanto, a obra perdida.
Neste sentido muitos samurais praticaram o zen-budismo e o Sumi-ê. Onde um golpe de espada é único e espontâneo, não havendo chances para correções ou reflexões.



No sumi-ê a tinta é feita de fuligem e cola (sumi) e pincéis de pêlo de ovelha ou texugo (de forma que se retenha muito líquido), mas o papel é na maior parte das vezes fino e absorvente, que dá a principal característica a este tipo de pintura.
No sumi-ê pinta-se o espírito do objeto, cada traço é cheio de energia, tendo de mostrar vitalidade, vida. Shin’ichi Hisamatsu, filósofo e profundo conhecedor da arte Zen, ressalta sete particularidades que devem existir em uma obra Zen, são elas: assimetria (fukinsei), singeleza (kanso), naturalidade (shizen), profundidade (yugen), desapego (datsuzoku), quietude e serenidade interior (seijaku).




Os principais temas relacionados ao Sumi-ê são: bambus, ameixeiras, orquídeas, flores, pássaros e paisagens, não esquecendo aqueles ligados a temas religiosos como pinturas de patriarcas ou parábolas.
Existe uma tendência atual de colocar cores em algumas partes da pintura, principalmente onde a cor é uma forma de demonstração do espírito do objeto. Esse fato ocorre em muitos temas, como por exemplo, nas pétalas de flores.




Para se pintar Sumi-ê, o praticante tem que conhecer perfeitamente o objeto que vai pintar, para que não exista reflexão ou dúvida durante o processo criativo deve ocorrer uma observação quase que constante das coisas à volta, assim sua prática também traz uma consciência maior sobre a vida, pois com ela começa-se a existir uma maior sensibilidade das coisas e pessoas que nos cercam.






 Fonte: Bugei