22 de setembro de 2010

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus


        O Diabo está nas escolhas... Certa vez li isso em algum lugar, acho que nenhum filme conseguiu ilustrar tão bem está verdade.

          O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é um filme muito interessante de ser visto. O Dr. Parnassus é como um dono de mamolengo ou circo que nos apresenta um universo único, o de nossas mentes guiadas pela sua.
           Jogador incontrolável há milhares de anos ele fez uma aposta com o diabo, o Sr. Nick, graças à qual ele obteve a imortalidade. Séculos depois, ao conhecer o seu verdadeiro amor, o Dr. Parnassus fez outra aposta com o diabo, na qual ele trocaria a imortalidade pela juventude, desde que, ao atingir 16 anos, a sua filha se tornasse propriedade do Sr. Nick. Com Valentina prestes a completar 16 anos ele tem de correr contra o tempo para recuperar seus erros passados e não perder sua preciosa filha, fazendo uma nova aposta com o Diabo.
           A qualidade da atuação dos atores é inegável, como podemos exemplificar com Christopher Plummer, interpretando o Dr. Parnassus, ele vai de um sábio místico a um bêbado inveterado. Este é apenas a ponta do "iceberg" de bons atores, Lily Cole, Tom Waits e Andrew Garfield completam o elenco.
          O filme em si tem um tom infantil, mas seu roteiro impecável neutraliza este efeito beirando algumas vezes o suspense, no fim deixa um cenário que causa uma sensação de irrealidade. 


             O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é um ótimo filme a ser assistido, contudo ele ficou mais conhecido por ter sido o último filme de Heath Ledger, que ficou com um dos personagens mais enigmáticos. Pode parecer confuso as cenas em que Ledger é substituído por Johny Depp, Jude Law e Colin Farrel, mas essa confusão, logo dá lugar a uma normalidade inquietante a cerca do personagem, sendo muito interessante a metáfora que se instala.
             Um filme muito interessante, ao qual é necessário dar a devida atenção, do contrário creio que você ficará perdido no Imaginário do sofrido Doutor...Então, apenas se surpreenda!!

20 de setembro de 2010

Salt


              Quando olhamos para a história batida do filme "Salt", onde uma agente da CIA é acusada de espionagem, e a partir daí começa a história de perseguições em velocidades alucinantes, o famoso jogo de traições entre agentes, Rússia v.s E.U.A., cenas de ação que desafiam a gravidade e qualquer outra lei da física, percebemos os temperos desse filme.
           Vale ver Angelina Jolie, que protagoniza o filme rejeitado por Tom Cruise, que o considerou muito parecido com seus trabalhos anteriores, em uma personagem que não exige muito, mas que lhe coube muito bem. Além de Jolie, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor não ficam ofuscados roubando a cena toda vez que aparecessem.
               Salt é interessante apenas por que vemos uma mulher em um filme de ação deste tipo (o que é raro nos filmes do gênero).
               Gostei do filme, distrai e cumpre muito bem seu papel de entreter, mas não espere mais do que isso ou você poderá sair decepcionado.



17 de setembro de 2010

Tormenta

O que definir, e o que dizer
Do próprio lar a que pertenço
Se a cada passo e pensamento
Mergulho mais no esquecimento?

O que enxergar, e o que ouvir
Do entardecer em que adormeço
Se a cada verso e movimento
Perco mais o ar que acalento

Se das colinas nasce o perfume
Posso eu respirar o crepúsculo?
Das flores se não brota a noite
Me deitar posso no frio leito?

Sem saber, sem conhecer e ver
Porquês, caminhos e horizontes
Apenas sentir posso, a tempestade,
Cada gota, um cálice de sentimentos

O silêncio, e o que enfim pensar
Se o anoitecer me seduz e acalenta
Enigma! Labirinto? Peregrino?
Sou o que dorme em plena tormenta.


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Escrito em páginas dispersas, em 23/08/2010.

Ouvindo Loreena McKennitt.

Foto: Núcleo Cunha/Indaiá do Parque Estadual da Serra do Mar.
Cedida por Fernanda Campos.

13 de setembro de 2010

O Nome do Vento - Patrick Rothfuss


            Pensei muito antes de começar a falar deste livro, que comecei a ler sem muitas esperanças, um livro que peguei pra abandonar... Mas todo livro é uma surpresa, e este foi uma das mais interessantes, pois devorei ele completamente, digeri suas páginas lentamente, sem pressa, com deleite, como se estivesse a comer um doce preferido.

               A história é uma fantasia onde o herói misterioso nos é apresentado como um mero taberneiro, mas a medida que se avança, percebe-se a complexidade do enredo.
              Kvothe cresceu entre artistas itinerantes, mago, taberneiro, um herói, um matador, ninguém sabe ao certo quem ele é realmente, sua busca pela verdade por trás do grupo denominado Chandriano, o leva a muitos lugares, e ele se torna muitas pessoas. Um personagem que pode parecer invencível, se torna também frágil...
                  Patrick Rothfuss consegue nos prender em sua história, criando um mundo de fantasia que ultrapassa em muito os autores da atualidade.
                  Um livro que não se pode deixar de ler!

O NOME DO VENTO

3 de setembro de 2010

Ukiyo-e

Quando se fala em desenho no Japão, com certeza o mangá seria a primeira coisa que viria a nossa mente. No entanto, existem gravuras retratando imagens de bravos samurais, cortesãs, atores e cenas de teatro kabuki (o teatro japonês), paisagens naturais, que estampam muitas camisetas, agendas e outros.
Estas imagens são gravuras Ukiyo-e, surgido há mais de 300 anos o estilo encanta por sua beleza, graciosidade, e principalmente, por retratar a história do país. O nome significa "figuras do mundo flutuante", uma expressão que nos remete a efemeridade, como se os temas retratados vagassem entre o tempo e o espaço. A palavra originada do vocabulário budista (sendo importada da China, por consequencia), expresssando uma visão idealizada da vida e do comportamento humano.
No Japão, o conceito passou a ser utilizado na literatura, principalmente na poesia, para mostrar que a vida no mundo nada mais é, que um sonho passageiro.
A beleza das figuras, fez do ukiyo-e uma arte cultuada no Japão, e também fora dele, influenciando até os impressionistas franceses.
O estilo é uma das várias formas de arte gráficas que surgiram no período Edo (1600 - 1868), quando a capital imperial do Japão foi transferida para região onde hoje está o centro de Tóquio. Edo era o centro cultural e econômico do país.
Os artistas que se dedicavam ao estilo retratavam o cotidiano da época: as belas mulheres de Yoshiwara (bairro de prostituição de Tóquio), o teatro kabuki, os lutadores de sumô, e as paisagens naturais em torno do monte Fuji. O ukiyo-e, podia ser comparado, em popularidade, ao mangá atualmente.
A partir do séc. 15, elas começaram a ser impressas em massa. O ukiyo-e possui pelo menos 3 fases importantes:
- A inicial que usava exclusivamente a tinta preta, seu maior expoente foi o artista Hishikawa Moronobu (1618 - 1694);
- A segunda em que os temas mais recorrentes eram as beldades japonesas e os atores do teatro kabuki;
- A terceira onde se retratavam mais frequentemente as paisagens.
Foi nesse terceiro período que a técnica se aperfeiçoou e ganhou maior riqueza no traço e equilíbrio na combinação das cores. A excução de uma obra ukiyo-e pode durar até um mês.
Alguns nomes conhecidos do ukiyo-e:
- Katsushika Hokusai (1760 - 1849) é o maior nome do ukiyo-e. Sua obra prima é AS TRINTAS E SEIS VISTAS DO MONTE FUJI. Aos 70 anos decidiu retrabalhar o tema e lançar o livro CEM VISTAS DO FUJI, considerado um trabalho ainda mais belo que o anterior. Hokusai estudou pintura ocidental por conta própria e aplicou várias técnicasd de luz e sombra, até então desconhecidas no Japão, para obter os efeitos de perspectiva que dão tridimensionalidade, característica de suas obras.



- Kitagawa Utamato (1753 - 1806) ficou conhecido por retratar a beleza do feminino, através da gueixas e prostitutas. O traço gracioso e habilidade na composição das cores fazem dele um mestre no estilo.
Utamaro foi para Edo jovem para aprender a técnica, sendo posteriormente descoberto. Das suas obras se destacam POEMAS DE AMOR, BELDADES POPULARES, DEZ QUALIDADES DE MULHER e DEZ TIPOS DE MULHER.



- Ando Hiroshige (1797 - 1858) executou uma viagem entre Edo e Kioto, ao longo da rota de Tokaido, que liga as duas cidades, e retratou cada uma das 53 estações de pernoite. O resultado foi publicado, em 1832, em uma série de 55 estampas chamada CINQUENTA E TRÊS ESTAÇÕES DE TOKAIDO. E juntamente com OS CEM LUGARES CÉLEBRES DE EDO, fizeram deste artista um dos mais populares do ukiyo-e.



- Toshusai Sharaku é outro importante mestre desta arte, não se sabe muito sobre ele, sua data de nascimento e morte nos são desconhecidas, mas pode-se intuir através de sua obra entre maio 1794 e fevereiro 1795. Ainda que tenha atuado em um período muito curto, ele publicou cerca de 150 desenhos. Sharaku retratou imagens do teatro kabuki, tornando-se rapidamente uma marca registrada de sua obra, fazendo sua fama também fora do Japão.



Fonte: revista Bons Fluídos, fev. de 2008. págs. 74-77.

31 de agosto de 2010

Um ano de pensamentos

No mês de agosto o blog Sonata Escarlate completa 1 ano de vida! Em comemoração a um  ano tão cheio de temas, notícias e tantas outras coisas, principalmente a surpresa com o novo, fazemos uma celebração a tudo isso. Será aqui publicada  uma série especial de artigos sobre o tema mais recorrente, e talvez o único diluído em  tudo neste blog: Música!

São três artigos sobre o tema. O primeiro, sobre a música em diferentes mitologias. O  segundo, sobre a história da música. O terceiro e último, um breve resumo sobre teoria  musical.


A música e a mitologia (1ª parte)
A música na História (2ª parte)
A música e sua teoria (3ª parte)



Boa leitura!

Sonata Escarlate

A música e a mitologia (1ª parte)

           A música é um instrumento universal de comunicação, não existe uma cultura que não possua suas músicas características, não há quem não goste. Sua origem é antiga, acredita-se que os homens pré-históricos já apreciavam música, inicialmente de uma forma ritual, sendo realizada por batidas rítmicas dos pés e das mãos. Ali o homem agradecia e pedia proteção aos deuses em suas questões.

          A palavra tem origem grega, Mousikê significa "a arte das Musas". Segundo a mitologia, a música começa após a morte dos Titãs (Oceano, Ceos, Crio, Hiperião, Jápeto e Crono), quando após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os seis filhos de Urano, foi pedido a Zeus que se criassem divindades capazes de cantar as vitórias dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com Mnemosina, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, no devido tempo, nasceram as Nove Musas (Clio, Euterpe, Talia, Melpômene, Terpsícore, Érato, Polímnia, Urânia e Calíope ou Caliopéia, esta última a líder das musas).
"Atena e Musas", de Frans Vriendt
           Inicialmente as musas eram inspiradoras apenas dos poetas, porém mais tarde sua influência se estendeu a todas as artes e ciências. Também foram tardias as associações entre as musas em áreas especificas de proteção: de maneira geral, Clio se ligou à história; Euterpe, à música; Talia, à comédia; Melpômene, à tragédia; Terpsícore, à dança; Urânia, à astronomia; Érato, à poesia lírica; Polímnia, à retórica; Calíope, à poesia épica. Ainda na mitologia greco-romana existem grupos regionais de musas, tais como Méleta, da meditação; Mnema, da memória; Aede, protetora do canto e da música.
Orfeu
          Há também, outros deuses ligados à música como Museo, filho de Eumolpo, que era tão grande musicista que quando tocava chegava a curar doenças; Orfeu, filho da musa Calíope, era cantor, músico e poeta; Anfião, filho de Zeus, que após ganhar uma lira de Hermes, o mais ocupado de todos os deuses, passou a dedicar-se inteiramente à música.




Hathor
          Na mitologia egípcia a música teria sido inventada por Tot ou Osíris, contudo podemos ver a música relacionada mais à deusa Hathor. Ela ensina aos seus adeptos a dança e o sentido da festa, protetora dos vinhos, chama seus fiéis para o banquete divino.
          Na época ptolomaica, os mistérios de Hathor eram celebrados nos mammisis por uma comunidade de mulheres intituladas "perfeitas, belas e puras". As Hathor tocavam música, cantavam e dançavam depois de um passeio ritualístico pelos pântanos, onde haviam feito zumbir os papiros em honra à deusa, num rito que remonta à Criação do mundo; as Hathor eram sete, número sagrado, ligado à espiritualidade feminina.
          A superiora das sete Hathor segurava um cetro cuja extremidade tinha a forma de uma umbela de papiro. Suas irmãs envergavam, como ela, vestidos longos, estavam enfeitadas com fitas vermelhas formando sete nós nos quais o Mal ficava encerrado. Essas sete filhas da divina Luz, Rá, eram responsáveis pelo tempo de vida dos humanos e pelo seu destino. Por isso presidiam simbolicamente a todos os nascimentos e vinham visitar as parturientes.
          As serpentes uraeus que trazem na fronte lançam chamas, ora purificadoras, ora destrutivas; tudo depende da autenticidade do ser que as enfrenta. Saber reconhecer a presença das sete Hathor e suscitar a sua benevolência é uma arte difícil. Podem conceder longevidade, estabilidade, saúde e descendência, mas também estabelecem as provas e o termo de um destino. As fadas da Europa pagã foram suas herdeiras.
As sete Hathor
          Em Dendera e Edfu, as sete Hathor tocam tamboril e sistro (instrumento de percussão) em honra da deusa e do faraó que acabam de nascer. A superiora da confraria pronuncia palavras que sobem ao alto dos céus: "Tocamos música para Hathor, para ela dançamos, senhora dos cetros, do colar e do sistro, todos os dias a celebramos, da noite à alvorada, tocamos tamboril e cantamos em cadência para a senhora da alegria, da dança, da música, a dama dos encantamentos, soberana da Casa dos Livros. Como é bela e radiosa a Dourada! Para ela, céu e estrelas dão um concerto, Sol e Lua cantam louvores."

Dagda
          Na mitologia celta Dagda era o deus relacionado à música. Dagda tinha tal habilidade no manejo da harpa, e sua arte era tão bela que ele a usava para convocar as estações do ano. Arrancava também tão suaves melodias deste instrumento que muitos mortais passavam deste mundo para o outro como num sonho, e sem sentir dor alguma, sem sequer repararem nisso.

          Para os chineses a música possuía poderes mágicos e refletia a ordem do Universo. Os músicos chineses tocavam cítara, várias espécies de flautas e instrumentos de percussão. Usavam uma escala pentatônica (de cinco tons, que será abordada ainda neste artigo), principalmente.



Esta postagem faz parte de uma série especial de artigos sobre música: 


Um ano de pensamentos (introdução)
A música na História (2ª parte)
A música e sua teoria (3ª parte)


Fontes dos três artigos:

          Spectrum - Música Medieval
          CrowMusic - Música Irlandesa
          Blog Cultura Japonesa - Hogaku
          Fundação Japão - Cultura Japonesa
          Folha de S. Paulo, 24 de março de 1998 - A Música
          Wikipedia - Modos Gregos
          Wikipedia - Raga (em inglês)
          Wikipedia - Escala Diatônica
          Livro "Harmonia", de Arnold Schoenberg