14 de dezembro de 2010

Trilha Sonora "Na Natureza Selvagem"


           Certamente, a trilha sonora é um elemento chave de um filme, ela, assim como os cenários, a interpretação dos atores, e todo o mais contribui de forma relevante para o sucesso de "criar o clima" da cena. Mas, existem aquelas trilhas sonoras que se sobressaem, tornam-se algo a parte do filme.
          Foi o que aconteceu com a trilha sonora do filme "Na Natureza Selvagem", dirigida por Eddie Vedder sob encomenda de seu amigo Sean Penn (diretor do filme). 
           Vedder fez a trilha após voltar da turnê com Pearl Jam, executando-a em 3 semanas, entre composição e gravação. A trilha sonora é poética, despojada e extremamente sensível. A faixa Guaranteed, ganhou o Globo de Ouro e foi indicada ao Grammy. Uma trilha sonora linda e viciante.

Faixas:
1 - Hard Sun
Escrita por Gordon Peterson.
Interpretada por Eddie Vedder.

2 - Society
Escrita por Jerry Hannan.
Interpretada por Eddie Vedder.

3 - Setting Forth
Por Eddie Vedder.

4 - No Ceiling
Por Eddie Vedder.

5 - Far Behind
Por Eddie Vedder.

6 - Rise
Por Eddie Vedder.

7 - Long Nights
Por Eddie Vedder.

8 - Tuolumne
Por Eddie Vedder.

9 - The Wolf
Por by Eddie Vedder.

10 - End of the Road
Por Eddie Vedder.

11 - Guaranteed
Por Eddie Vedder.

12 - Going up the Country
Por Canned Heat.

13 - King of the Road
Escrita e Interpretada por Roger Miller.

14 - Doing the Wrong Thing
Por Kaki King.

13 de dezembro de 2010

Vlad: A Última Confissão


          Vlad III foi um conhecido príncipe da Transilvânia durante o séc. XVI. Passou para a história por sua crueldade extrema, que lhe rendeu o título de Vlad Tepes (o Empalador) ou Drácula, cujo significado seria "filho do dragão", mas as pessoas traduziram por "filho do diabo", pois acreditavam que ele tinha um acordo com o diabo, dada sua maldade. 
            Bram Stoker se apropriou deste personagem histórico para dar vida ao seu, criando um clássico do terror "Drácula", a obra que criou o mito literário do vampiro de hoje. 
Drácula se eternizou...como um vampiro, como um empalador, e esta imagem tem sido usada exaustivamente por várias mídias.
           É extremamente raro, quem explore o lado histórico do personagem, e C. C. Humphreys ao escrever seu romance "Vlad: A Última Confissão" o faz, reconstituindo a vida de Vlad desde sua juventude (que segundo a história foi passada como refém dos turcos), explorando o ambiente em que ele vive, e como se desenvolveu suas crenças e sua personalidade, o autor tenta elucidar um pouco da mente deste controverso personagem. Contudo, o livro é neutro, ele apresenta os fatos (tais, como poderiam ter sido) e deixa em nossa mãos a tarefa de julgar Vlad III.
        O romance é organizado por meio dos testemunhos das 3 últimas pessoas vivas que desfrutaram da intimidade de Vlad: Ion Tremblac, cavaleiro valáquio, que foi refém dos turcos junto com Vlad, se tornando seu melhor amigo; Llona, amante de Vlad; e Vasilie, ex-soldado e monge que se tornou seu confessor. E é através da união dos olhares destas 3 pessoas que a história de Vlad cria vida. 
          Um livro que vale a pena ser lido, não apenas por sua trama, mas pelo conteúdo pesquisado pelo autor.

             "Vlad franziu a testa. 
                     - Por que você se surpreenderia com eles? Todos os reféns são filhos de rebeldes. É por isso que somos reféns, para que nossos pais, que governam suas terras pela graça da Turquia, continuem a reconhecer quem é o verdadeiro senhor. Dracul, meu pai, deixou a mim e a meu irmão Radu sob seus... cuidados cinco anos atrás. Não apenas para que recebêssemos a melhor educação que é possível ter, mas para que, se ele se rebelar outra vez, você possa nos matar.
             Ion estendeu a mão, pegou seu cotovelo.
                        - Pare...
             Vlad se afastou dele.
                      - Por quê, Ion? O agá Hamza conhece nossa história. Ele já viu reféns chegarem e partirem, viverem e morrerem. Ele ajuda a nos dar do melhor: comida, línguas, filosofia, as artes da guerra e da poesia. - Ele apontou para sua tábua. - Eles nos mostram sua fé, uma fé de tolerância e caridade e, no entanto, não forçam nossa conversão, pois isso é contra a palavra do Sagrado Corão. Se tudo caminhar bem, eles nos mandam de volta para nossas terras para tratar em seu nome de todos os problemas que existem lá, para pagar-lhes tributo em ouro e jovens, e agradecê-los pelo privilégio. Se as coisas não acabarem bem... - Ele sorriu. - Então espalham nossos cérebros bem-educados pelo chão. - Ele voltou a olhar para Hamza. - Falo alguma coisa que não seja verdade, efendi? Se sim, então me bata com força por mentir, por favor.
              Hamza o olhou por um longo momento, sua expressão nula. Por fim, perguntou:
                      - Quantos anos você tem?
                      - Farei 17 em março.
                      - É demasiado jovem para ter pensamentos tão cínicos.
                      - Não, agá Hamza - retrucou Vlad, suavemente -, sou apenas demasiado jovem para fazer algo sobre isso."

12 de dezembro de 2010

The Masque of The Red Death


       The Masque of The Red Death é uma adaptação cinematográfica de 1964, do conto de mesmo nome, escrito por Edgar Allan Poe. 
       Dirigido por Roger Corman, o filme conta com Vicent Price no papel de príncipe Próspero. Filmado na Inglaterra, a modesta produção é uma das mais suntuosas dos trabalhos de Corman.
        O colorido utilizado nas roupas e nos cenários reforçam o clima de fantasia e irrealidade no qual a história se desenrola.
        Vicent Price faz uma interpretação impecável, e destila toda essência maligna de Próspero. Um filme que vale a pena ser visto por sua simplicidade, por sua ótima adaptação do conto de Poe, e pelas críticas claras a humanidade.



7 de dezembro de 2010

Minúsculos


       Pense em uma série que mistura documentários da BBC ou National Geographic com elementos de Toy Story...Pensou? Por mais absurda que pareça a mistura ela dá origem a "Minúsculos"!
        Minúsculos é uma animação sem diálogos que usa da sensibilidade das situações para criar uma série leve, bem humorada, e por que não dizer, poética!
        Personagens em 3D e cenários reais, terminam por temperar e compor o ambiente. Vale muito a pena ver!




















28 de novembro de 2010

Moça com Brinco de Pérola


    Johannes Vermeer foi um pintor holandês que viveu entre 1632-1675, conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer.
      Vermeer é um importante representante da pintura holandesa do séc. XVII, estando apenas atrás de Rembrandt. Ficou conhecido por suas composições inteligentes, e pelo brilhante uso da luz.
      Pintou diversos quadros, entre eles Moça com Brinco de Pérola, que para alguns é classificado como a "Mona Lisa Holandesa". Da mesma forma que a pintura italiana, muito se especula sobre a modelo que Vermeer utilizou, contudo não existem registros sobre a origem da mesma.
     Em 1999, a escritora Tracy Chevalier publicou um romance, no qual utiliza do mistério que envolve a origem do quadro e de sua modelo, que encanta pela beleza expressiva e olhar intrigante. 
     O romance é muito bem escrito, onde chama a atenção o romantismo e a praticidade na relação de Vermeer e Griet, jovem camponesa que vai trabalhar na casa do pintor, devido a dificuldades financeiras de sua família. Dentre suas funções está a de limpar e arrumar o estúdio, onde Vermeer passa a maior parte de seu tempo, trabalhando e refugiando-se de sua família caótica.       
       Aos poucos Vermeer e Griet se aproximam, ela possui um olhar crítico natural, entendendo o pintor, que passa a ensiná-la a preparar e misturar tintas. Essa relação causa ciúme do resto da família e a inveja dos outros serviçais. 
      O romance consegue criar uma fantasia tão forte, que em determinados pontos te faz duvidar se não foi real, deixando de ser uma mera possibilidade.




          Baseado no livro de Chevalier, Olívia Hetreed criou o roteiro de Moça com Brinco de Pérola, com direção de Peter Webber.
         Scarlett Johansson interpreta a jovem Griet e Colin Firth que vive o papel de Vermeer, ambos atuando de forma simplesmente hipnotizante. A interpretação expressiva e silenciosa dos dois atores, nos apresenta a sensualidade e a tensão sexual que existia entre o pintor e a serviçal, no entanto com uma sutileza e de forma tão delicada, quanto o processo de pintura.
         A semelhança de Scarlett Johansson e a modelo que posou para o pintor é tão grande, que ainda que ela não tenha sido a primeira opção, acabou por ganhar o papel.

         
            O filme tem 3 indicações ao Oscar (Fotografia, Direção de Arte e Figurino) e 2 indicações ao Globo de Ouro (Atriz - Drama e Trilha Sonora), um filme e um livro que valem muito a pena conferir!!

13 de novembro de 2010

Na Natureza Selvagem

                O acaso pode nos conceder grandes surpresas, e ele me deu a chance de "zapear" nos canais enfadonhos um filme maravilhoso... 


              O filme é baseado no livro de mesmo nome, escrito por Jon Krakauer em 1997, que conta a história de vida de Christopher Johnson McCandless. Filho de um engenheiro da NASA, nascido em 1968 no estado da Virginia, EUA. Christopher se destacava na escola por sua habilidade atlética e seu isolamento que culminou em um crescente descontentamento com a situação social nos EUA.
            Em 1990, inspirado pelos trabalhos de escritores como Jack London, Leon Tolstoi e Henry David Thoreau, largou tudo após concluir a universidade, doou suas economias para a caridade e se tornou um andarilho, sob a alcunha de Alexander Supertramp ("Super Vagabundo"). 
             Escrito e dirigido por Sean Penn o filme também conta com a impressionante atuação de Emile Hirsch, que atuou em filmes como "Show de Vizinha".
           O filme impressiona pela maturidade clara do diretor, e pela escolha dos atores que interpretaram magistralmente seus papéis, além de uma trilha sonora feita sob medida por Eddie Vedder.
             Uma belíssima história de vida, que nos traz uma profunda reflexão sobre os valores da sociedade, e nossos papéis dentro dela. Ouso dizer que o filme na Natureza Selvagem, não é fuga (e vivência) de seu protagonista para a natureza, mas sua análise profunda da natureza, geralmente, selvagem de todo ser humano...





9 de novembro de 2010

A vitória nossa de cada dia

           "Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas, coisas e coisas por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: 'tens medo'. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saberem como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
          Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer 'pelo menos não fui tolo' e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos se estivéssemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."

Clarice Lispector
Do livro "Uma Aprendizagem ou Pequeno Livro dos Prazeres".


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Em homenagem a Francisco Siriaco, uma flor de lótus em um pântano.