14 de agosto de 2011

William Butler Yeats

William Butler Yeats, ou mais conhecido como W.B. Yeats é um grande poeta nascido em 13 de junho de 1865, em Dublin, Irlanda. Poeta e autor teatral, ganhou o Prêmio Nobel em 1923 de Literatura.

A obra de Yeats compõe-se de poesia lírica e diversas peças de teatro, inspiradas essencialmente na mitologia celta. Algumas de suas obras mais significativas são: "Cathleen ni Houlihan (1902)", "On Baile's Strand (1904)" e "Deirdre (1907)".

W. B. Yeats foi fundador em 1889, juntamente com a escritora Isabella A. Gregorym, o Irish Literaray Theather em Dublin, transformado mais tarde no Irish National Theatre Society, grande impulsionadora do teatro nacional irlandês, encenando peças de Yeats e J.M Synge.

Em 1887, W. B. Yeats se inscreveu em uma "Sociedade Teosófica", em Londres, onde se dedicou ao estudo dos escritos de William Blake e H.P. Blavastsky, além de alquimistas, rosacruzes, cabalistas, Sociedade Hermética de Dublin, a Ordem da Aurora Dourada.

Em 1917, casou-se com Georgie Hyde-Lees, que veio a se descobrir uma médium passando a psicografar.

Foi com os rabiscos produzidos por ela que W. B. Yeats compôs "Uma Visão", um tratado esotérico cheio de gráficos e descrições dos 28 tipos possíveis de personalidade (26 humanas e 2 sobrenaturais), de cuja matemática ele tirou versos e imagens, cumprindo o que sua esposa psicografara: "Nós viemos trazer-lhe metáforas para a sua poesia".


A ILHA DO LAGO DE INNISFREE

Erguer-me-ei e partirei já, e partirei para Innisfree,
E uma pequena cabana erguerei lá, de barro e vime feita:
Nove renques de feijão aí terei, uma colmeia de obreiras e
Viverei sozinho na ensurdecedora clareira.

E aí terei uma certa paz, porque a paz vem lentamente,
Caindo dos véus da manhã, até onde o grilo canta;
Onde a meia-noite é trémula, e o meio-dia é roxo brilho,
E a noite, de asas de pardais se completa.

Erguer-me-ei e partirei já, porque sempre noite e dia
Oiço a água do lago a folhear murmúrios na rebentação;
Quando vou por estradas, ou por passeios cinza,
Oiço-a no lúmen profundo do coração.


LEDA E O CISNE

Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.

Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?

Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.

Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?


UMA CAPA

Uma capa fiz do meu canto
Debaixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se por eles fora lavrada.
Deixa, canto, que a tomem
Pois maior feito existe
Em andar nu.


MORTE

Nem temor nem esperança assistem
Ao animal agonizante;
O homem que seu fim aguarda
Tudo teme e espera;
Muitas vezes morreu,
Muitas vezes de novo se ergueu.
Um grande homem em sua altivez
Ao enfrentar assassinos
Com desdém julga
A falta de alento;
Ele conhece a morte até ao fundo —
O homem criou a morte.

5 de agosto de 2011

Torpor

Anoitece.
Minha sombra fugiu
Meu corpo se cansou
E então desapareço
Na espera por outro dia

Chove.
A lágrima secou
A língua se esqueceu
Do cálido toque
E em torpor se calou

Janelas até batem
Árvores até discutem
Mas ah, braços soltos
Dedos que não tem vontade

Falso interesse onipresente
De todos os lados, vazio
Letargia das letargias
Um quase infindo rallentando

E tanto tempo!
Poeira acumulada
Fino pó na entrada
De um espetáculo interrompido

Levado pelo cálido abraço
Aconchegante rotina que enlaça
Esqueci-me de bater,
De acordar o coração

O sangue até não parou
Mas o olhar arrefeceu
À vista de maravilhas
Enxergar não mais era preciso

Agora, porém, eu vejo
O escuro inevitável
A cela bem vestida
Qual sono primaveril

Fala então, desperta,
Solta a voz esquecida
Deixa-a gritar
Verte tua fúria,
Tua tempestade

Calarei o dia
Alçarei meu próprio vôo,
Corpo em chamas, das cinzas
Em sombra e luz nos céus
De minha longa
Minha eterna noite



Escrito no Circo, em 04/08/2011, às 21:20h

Ouvindo Valsa opus 34 nº 2,
de Frédéric Chopin

4 de julho de 2011

O Retrato de Dorian Gray


Baseado no romance de Oscar Wilde " O Retrato de Dorian Gray", o filme de mesmo nome seria a décima adaptação do personagem de Wilde.

Embora seja a primeira adaptação que assisto, gostei muito, o enfoque da tríade Dorian, Basil e Lorde Henry é interessante, sendo evidenciado todo o processo de decadência pelo qual o jovem Dorian passa. Além da crítica ácida aos modos hipócritas da sociedade tão bem evidenciados no personagem de Henry.

O amor idílico de Basil e o desejo de Henry pela beleza de Dorian, sentimentos que levam a execução do quadro, são mostrados como dois polos que entram em conflito pela posse do jovem, principalmente em relação a Basil, que encontra sua decadência quando transcende a linha entre a devoção e a entrega absoluta.

Dorian por sua vez interpretado por Ben Barnes, não nos é mostrado de uma forma angelical, como no livro, mas sim como um jovem de modos brutos e inocentes que se deixa levar pelo hedonismo londrino. Sua inocência é demonstrada de forma corporal, e não em sua beleza física.

Por fim, o elemento principal, o quadro de Dorian, que sofre todas as agruras do tempo e de seu modo de vida relapso e prejudicial. A transformação mostrada para mim foi um pouco exagerada, mas a relação que Dorian tem com o quadro quando o descobre a verdade de sua existência e o quanto isso o afeta, foi bem explorada, principalmente no diálogo entre Dorian e um padre, onde a maldição do jovem transcende a fé ignorante do padre.

Enfim, um filme muito interessante e bem feito, vale a pena assistir!

Fonte: Site.

20 de junho de 2011

Anjos e Outras Armadilhas


"...Uma história de anjos e demônios, música e plantas, luz e sombras, contada com todas as cores da noite."

Tive de emprestar palavras para poder descrever o quanto apreciei a obra de Pedro Pires, português, nascido na cidade do Porto (Portugal). Anjos e outras armadilhas é uma série de três contos que podem parecer isolados, mas que se completam. Uma narrativa complexa, com uma poesia sensível e perturbadora.

As imagens vem a completar o quadro da narrativa, com ilustrações que nos deixam uma impressão de sonho e irrealidade, atmosfera que a todo momento acompanha a narrativa.

O autor escreveu, ilustrou, produziu a capa, foi responsável pelo projeto de gráfico e as letras da edição publicada pela Devir Editora.

Uma estreia muito boa do autor!!


Sobre o autor, Pedro Pires é publicitário desde 1989, dedicou também especial atenção à ilustração e à pintura. Tendo exposto alguns inéditos coloridos no Salão de Banda Desenhada do Porto de 1999. Dois anos depois, viu editado Desse teu Corpo, a sua primeira história em quadrinhos colorida após as experiências anteriores em preto-e-branco, como Senti-a no Braço (com argumento de Vale da Silva) e Olivião, publicadas na Coleção Quadradinho.

Nos últimos tempos, também tem experimentado a ilustração infantil. Depois de executar alguns trabalhos na área de tradução e design para a Devir em Portugal, teve o primeiro capítulo de Anjos e Outras Armadilhas pré-publicado na revista Comix # 3.

Biblioteca Sustentável


A criatividade das pessoas não tem limites, e enquanto muitos países vivem a falácia de atitudes mais sustentáveis uma cidade da Alemanha inova com um projeto sócio-ambiental que deveria inspirar muitas outras cidades.

A Open Air Library é uma biblioteca construída basicamente com caixas de cerveja doadas por uma empresa local. A população ajudou na construção da estrutura e um escritório de design realizou o acabamento, reutilizando partes da fachada de um armazém abandonado da cidade.

Um projeto completo, a Open Air Library também tem como iniciativa o incentivo a leitura entre a população que doou cerca de 2 mil livros para o acervo. A biblioteca fica aberta 24 horas, sem seguranças, o que não acarretou nenhum sumiço do acervo.

Lições a parte, fica a inspiração para outros países, afinal não foi o dinheiro que construiu a biblioteca, mas a vontade coletiva e o amor ao conhecimento!


Moda Vamp?!


A nova febre do momento sem dúvida é a imagem do Vampiro, nunca ela foi tão aclamada, tão copiada e reinventada como antes. Nessa onda o site Fottus, fez montagens de famosos em versões vampíricas. Alguns ficaram muito bons, outros, nem tanto!

Scarlett Johansson

Madonna

Alanis Morissette
Fonte: Fottus.

13 de junho de 2011

O Nome da Rosa

Fazia um bom tempo que estava para assistir "O Nome da Rosa", estava um pouco receosa sobre esse filme, contudo ao assistir fiquei extremamente satisfeita.

O filme é baseado no livro de Umberto Eco, que se passa na última semana de novembro de 1327 num mosteiro do século XIII onde ocorrem assassinatos misteriosos.

Este mesmo local, onde ocorrem tão sinistros assassinatos, receberá uma importante discussão, e resolução de um impasse, entre duas ordens distintas do clero da época: os franciscanos, que pregam a simplicidade e humildade, e os beneditinos, que vivem de uma forma luxuosa.

O personagem central William de Baskerville é um franciscano, porém é também um homem de conhecimento, justo, e apegado a "razão", contrastando com os valores pregados pela Igreja. Possuidor de um astrolábio, um quadrante e lentes de aumento, o autor completa a figura de William como um filósofo e um pensador, não sendo então, um joguete da igreja.

Seu pupilo Adson, é jovem, sua juventude e inocência, o protegem de ser manipulado, e sua visita a abadia faz com que ele conheça uma jovem garota, que devido a sua pobreza é usada pelos monges para satisfazer seus desejos sexuais em troca de alimento. Adson se apaixona por ela, e tem sua primeira experiência sexual, esse acontecimento lhe trás um elo entre o que ocorre fora da vida eclesiástica, lhe trazendo a realidade dos gentios explorados pela Igreja.

Assim, William e Adson, como Sherlock Holmes e Watson, tentam buscar por meios lógicos os culpados dos assassinatos que ocorrem na abadia, em meio a histeria da crença de obras demoníacas.

O nome do filme tem referência na expressão usada na Idade Média que servia para denotar o infinito poder das palavras, mas para mim em uma das cenas finais, essa expressão muda de sentido denotando a "eterna dúvida". Enredo interessante e completo, cenários bem construídos, boas atuações, personagens profundos e bem elaborados, e uma história que prende do começo ao fim, fazem com certeza valer a pena assistir a esse filme!