7 de novembro de 2011

É Dura a Vida no Campo

Procurando por tirinhas humorísticas para utilizar em trabalhos escolares, deparei-me com o autor Sávio Moura e sua obra É dura a vida no campo. Quadrinhos bem humorados, que possuem como pano de fundo a vida no campo dos pampas.

Não há como não rir com os personagens: Chiru Velho, Dona Palometa, Virso, Juracema, Chumim, O Porco, O Cavalo, A Coruja e O Galo. Com um humor simples, o autor explora toda a cultura gaúcha e o cotidiano do campo de forma espirituosa.


Um pouco do autor...


Sávio Moura nasceu em 18/07/1965, na cidade de São Luiz Gonzaga (região das Missões, noroeste do estado do Rio Grande do Sul). Vivendo em meio a cultura missioneira, se encantando pelos artistas Pedro Ortaça, Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun e Noel Guarany (que formam o grupo Quatro Troncos Missioneiros), que valorizam e cantam a cultura da região sulina.

Em 1994, passou a colaborar no jornal A Notícia, como chargista. Dedica-se desde 2006 à tira É dura a vida no campo, criada para concorrer na 2ª Mostra de Artes do Atelier Los Libres.

No ano de 2007, recebeu uma homenagem na 2ª Feira do Livro Infanto Juvenil, realizada pela Prefeitura de São Luiz Gonzaga - SEMEC.

Abaixo seguem trechos de uma entrevista dada pelo autor ao jornal A Notícia (para ler na íntegra visite a página da entrevista):

A NOTÍCIA: Como surgiu a ideia de fazer a história em quadrinhos “É Dura A Vida no Campo”?

SÁVIO: Historicamente, quase todos os personagens de histórias em quadrinhos tiveram origem em tiras de jornais. Então considero uma evolução natural a criação de um gibi com os personagens da tira “É Dura a Vida no Campo”.

O projeto iniciou ainda em 2009, mas, pela sua complexidade, levou algum tempo para ser concretizado. Com tranqüilidade e com as histórias definidas, o projeto foi apresentado para a Editora Cassol, de Porto Alegre, que se interessou no gibi. Como o tema proposto vai de encontro ao que a editora trabalha, que são nossas tradições gaúchas, acredito que será uma boa parceria.

A NOTÍCIA: Quais as diferenças entre os livros publicados com as tiras de jornais e a revista?

SÁVIO: A produção de uma tira de jornal é muito rápida, pois a idéia já vem pronta, e o desenho pode ser feito em um instante. No gibi, as exigências quanto ao acabamento final é maior, e a produção de uma história leva mais tempo.

Os livros contêm todas as tiras publicadas, desde a primeira. São registros valiosos da evolução da história, com o surgimento e desenvolvimento de cada personagem. São edições luxuosas, e de custo mais elevado. Foi a partir daí que senti a necessidade de ter uma publicação mais acessível. A tira “É Dura a Vida no Campo”possui personagens fortes, com condições de sustentar histórias mais longas. Eu próprio tinha muita curiosidade de saber como o Chiru Velho e Cia. se comportariam em aventuras mais longas. E gostei muito do resultado final.

A NOTÍCIA: Como foi o processo de criação das histórias da revista?

SÁVIO: A criação das histórias seguiu um planejamento inicial: deveríamos ter uma história de mistério com o Chiru Velho, uma de romance com o Virso e a Juracema, e outra com o Porco e os bichos. A criação é completamente diferente de uma tira. Como são historias mais longas, é necessário seguir um plano: primeiro, faz-se uma resenha da história imaginada; ou seja, contar toda ela em texto. Baseado nisso, pode-se fazer o roteiro, que é um rascunho da história definindo o que irá em cada quadrinho. Com o roteiro definido, se começa o desenho a lápis. Depois, é hora da arte final, em nanquim. Em seguida, o desenho passa para o computador, para colocação dos diálogos nos balões e colorização. Após a revisão, a empresa de design faz a adaptação para as exigências da gráfica, a qual é contatada pela editora.

Para mais informações visite o site do autor.

6 de novembro de 2011

Flor de Neve e o Leque Secreto


Flor de Neve e Lírio são duas meninas que vivem na China do século 19. Embora vivam em condições de vida diferentes, elas possuem as mesmas obrigações: a de serem esposas perfeitas de maridos que nunca viram. A única escolha de uma mulher seria a da amizade, assim elas se tornam Iaotong, amigas por toda eternidade.

Mais tarde separadas elas passam a se comunicar por meio de leques, onde escreviam utilizando a escrita Nushu, conhecida somente por mulheres.

Paralela as histórias de Flor de Neve e Lírio, Nina e Sophia, duas amigas que vivem no século 21, descobrem a beleza da tradição do Iaotong, mas também descobrem a dificuldade de mantê-lo atualmente.


Flor de Neve e o Leque Secreto é baseado no livro de mesmo nome da autora Lisa See, e apresenta de forma sensível o universo dessas mulheres que sofriam a mutilação de seus pés, pois isso era o padrão de beleza da época. Embora aparentem fraqueza, as mulheres possuíam um universo único, paralelo ao mundo em que viviam. Tal universo ao meu ver é representado na escolha do Iaotong, o laço de amizade e amor que unia duas mulheres.

Contudo, o filme apresenta paralelamente a história de Nina e Sophia, que embora vivam em uma sociedade menos opressora, também possuem suas obrigações e tragédias pessoais. Assim, elas encontram na tradição do Iaotong uma forma de superação.

As duas tramas são emendadas, colocando uma nova perspectiva na história, que até então girava somente em torno do laço forte de amizade.

O silêncio que muitas vezes toma conta da cena é impressionante, sendo então completado por uma trilha sonora tocante. O filme conta um segredo para o espectador, e aqueles que interagem com as personagens parecem alienados, muitas vezes não compreendendo o comportamento das Iaotong.

Por fim, o filme termina com cenas belíssimas de telas em preto e branco.

Vale a pena conferir!


19 de outubro de 2011

Ziraldo


O que a mistura de Zizinha e Geraldo dá?

Ninguém sabe, mas a questão é no que deu, no cartunista, chargista, pintor, caricaturista, escritor, cronista, desenhista e jornalista brasileiro, todos eles reunidos na pessoa de Ziraldo Alves Pinto, ou somente Ziraldo.

Nascido em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, viveu com sua família (os pais e sete irmãos) até 1949 onde foi para o Rio de Janeiro viver com o avô.

Em 1957 formou se na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Casou-se no ano seguinte com Vilma Gontijo.

Desde pequeno se interessava por desenhar e ler. Sua carreira começou na revista Era uma vez..., por meio de colaborações mensais. Em 1954, iniciou no jornal A Folha de Minas, com uma página de humor.

Fez inúmeros trabalhos jornalísticos, além de produzir, como artista gráfico, cartazes para inúmeros filmes do cinema brasileiro. Nos anos 60, seus cartuns e charges políticas eram publicados na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Personagens como Supermãe e Mineirinho ficaram populares. Foi nesta época que lançou a primeira revista brasileira do gênero de quadrinhos feita por um só autor: A Turma do Pererê.

Em 1964, a revista foi encerrada pelo regime militar, e seus personagens só voltaram a ser publicados em 1975 pela Editora Abril.

Durante toda a ditadura, Ziraldo lutou contra a repressão fundando, juntamente com outros humoristas, O Pasquim, um dos principais jornais não-conformistas, que incomodou o regime militar até o fim deste.

Ganhador de vários prêmios e reconhecido internacionalmente, Ziraldo já foi até homenageado no carnaval de 2003 pela escola de samba paulista Nenê de Vila Matilde, com o enredo É melhor ler... O Mundo Colorido de um Maluco Genial.

Em 2004, ganhou com o livro Flicts o prêmio internacional Hans Christian Andersen.

Ziraldo é um gênio, seus livros contem um humor inocente, e sua arte gráfica insere ainda mais o tom infantil e leve. Arte gráfica que também pode ser identificada em logotipos, ilustrações, cartazes do Ministério da Educação, camisetas, entre outros.


O Joelho Juvenal conta a história do joelho de um menino, de sua infância até a vida adulta. Um livro bem interessante sobre o processo de amadurecimento.

"Era uma vez um joelho que se chamava Juvenal.
Juvenal tinha um problema, coitado: vivia todo escalavrado.
Também, quem mandou o Juvenal ser o joelho de um menino levado?
Juvenal queria muito aprender língua de menino só pra dizer assim: “Menino, tem dó de mim!”
Mas, quando o esfolado sarava, Juvenal bem que gostava de correr e de saltar.
E ele se desdobrava e se dobrava outra vez todo alegre, pois sabia que, indo e vindo, fazia o menino feliz."


O Menino Maluquinho conta a história de um menino traquinas, alegria da casa, líder da garotada, amigo de todas as horas, o mais sabido, o mais rápido. O livro é um relato de uma infância feliz. Veja a versão online.



O Bichinho da Maçã foi editado pela primeira vez em 1982. De forma alegre conta a história de um bichinho da maçã que adorava contar casos.



As Aventuras do Bonequinho de Banheiro, que utilizando de uma das mais conhecidas imagens do mundo nos traz a história de vida da mesma.


Existem muitas outras obras de Ziraldo, escritas e ilustradas, apenas ilustradas, são tantas que não cabem listá-las aqui, mas certamente é uma obra que vale a pena conferir!


Sites para visitar:

17 de outubro de 2011

O Salto

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"O que está dentro de mim dispensa e repudia
Os costumes e galas que imitam a agonia."
Hamlet, W. Shakespeare,
trad. de Millôr Fernandes
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Não sonhava mais
Ah que antes conseguia
Nem tentava, era dádiva
Presente de um rancoroso cansaço

Não mais dançava
Nem gritava calado
Sua procissão de silêncios
Não mais baixava olhos

Ouvia, de fato
E fazia soar as teclas
E traçava firmes as retas
Com o impulso do vento passado

Qual brasa que 'inda aquece
Mesmo o fogo tendo partido
Calava ainda multidões
De olhares mal dormidos

Brincadeira, ah joguete!
Um lance oportunista
De dedos exangues
Já sepultados em velhas páginas:

Eis que surgem olhos
O primeiro par deles na plateia
Quando já sumiam as luzes
E o sorriso já quase terminava

E voz, que chama e aprecia
Palavras sutis,
Suaves gestos leves
Em novas acrobacias

Tornou a dançar
E, já habilidoso, bailar
Pelo palco iluminado
Seu peito finalmente batia

Pontuando, aqui e ali,
Um menor, um diminuto
Por fim um pentatônico
Passo com os pés frios

Acendeu sua luz
Encarou a noite, pois valia
Encarou o tempo, ah, que valia
Pular o salto fatal da alegria

E fatal, bem... o foi
Sonhou seu poslúdio
Olhos brilharam, quimera!

Chegou-lhe o chão
Findou-se o sonho
Mas havia, ele, então sonhado?



Escrito no Circo, em 09/10/2011, às 3:50h.

Ouvindo a Valsa opus 64 nº 2,
de Frédéric Chopin

Imagem: estudo para uma provável
nova "capa" do Sonata Escarlate.

5 de outubro de 2011

A Invenção de Hugo Cabret

O livro conta a história do órfão Hugo Cabret, que vive em uma estação de trem na França no início do século XXI, onde cuida da manutenção dos relógios do lugar. Hugo possui um segredo, e este segredo lhe consome, porém sua vida muda ao ser pego roubando da loja de brinquedos da estação, onde o idoso dono do lugar e sua sobrinha aos poucos descobrem a verdade sobre o menino, e este aos poucos descobre que o seu segredo é bem maior e mais profundo.

O enredo do livro nos apresenta um pouco da origem do cinema, trazendo as emoções das primeiras apresentações de filmes ao grande público, a sensação de novidade, o medo, e principalmente toda a magia contida.

Lembrando um pouco de Will Eisner, o livro mescla ilustrações com texto, onde o autor tenta impregnar seu livro com um ar cinematográfico. Com ilustrações bem feitos, cenários bem construídos por meio do desenho, o autor não perde tempo descrevendo nada, concentra-se somente na história. Existem partes puramente visuais, e os efeitos de edição, os desenhos, além das sombras e enquadramentos, conferem uma atmosfera de suspense e perseguição como em um cinema.

O livro já foi adaptado para os cinemas sob a direção de Martin Scorsese ("Ilha do Medo"), e conta no elenco com: Asa Butterfield, Chloe Moretz, Jude Law, Helen McCrory, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Sacha Baron Cohen, Ray Winstone. Deve estrear nos cinemas em 2012.

Um livro que vale a pena ler, uma leitura fácil, rápida (ainda que ele tenha 500 páginas), e leve. Vale a pena conferir o site do livro!

7 de setembro de 2011

Meredead - Leave's Eyes


Através da dica de um amigo voltei a ouvir Leave's Eyes, uma banda que respeito muito. A vocalista Liv Kristine e seu marido Alexander Krull sempre fizeram um Metal Sinfônico de qualidade utilizando como pano de fundo a mitologia nórdica.

Em seu novo álbum Meredead, a banda transcende seu gênero, apresentando um material, que embora não seja novidade, possui uma qualidade indiscutível. Os arranjos, as letras, os vocais todo o álbum apresenta uma atmosfera de velhas histórias ao pé da fogueira, que você se sente pronto a viajar à bordo de um Drakkar.

Meredead foi um mergulho profundo na história, segundo Liv Kristine no Myspace da banda: Quando começamos a compor as primeiras ideias de música para o nosso quarto álbum, todos nós estávamos muito ansiosos para dar mais um passo no reforço da sonoridade individual e no conceito do Leave's Eyes, como temos feito a cada álbum", comentou a vocalista, "Junto com o processo de composição, eu mergulhei nos temas das canções e em diversas fontes de literatura. Algumas músicas precisavam claramente de letras enraizadas na história e cultura do norte, bem como com temas místicos."

Sendo fã de inglês arcaico, decidi compor algumas das letras em inglês arcaico, o que é claro, inclui grandes estudos de conhecimento gramatico e fonético, o que eu gostei muito de fazer. Além de inglês arcaico e moderno, algumas canções são cantadas em norueguês, para manter sua força individual e focar em certos temas de gêneros especiais do canto norueguês.

Foi dado ao álbum o título Meredead. É uma criada por mim (pelo menos ainda não achei em dicionários) e pode significar "morte pelo/no mar", ou "mar mortal"".

É um álbum feito para fãs do gênero, para quem realmente aprecia, pois ele é bem repetitivo em um primeiro momento, mas cada música conta uma história, algumas chegam a ser verdadeiros chamados de guerra.

28 de agosto de 2011

Edith Piaf

Não! Sem arrependimentos
Não! Eu não terei arrependimentos
Todas as coisas
Que deram errado
Pelo menos terei aprendido a ser forte
Non, Je Ne Regrette Rien -Edith Piaf

Este trecho define muito bem Edith Giovanna Gassion, ou como ficou mundialmente conhecida Edith Piaf. Cantora e letrista francesa, nasceu em Paris em 1915, filha de um contorcionista acrobata e de uma cantora de cabaré.

A infância de Edith foi muito difícil, marcada por desgraças: seus pais eram alcoólatras, tendo sido abandonada pela mãe.

Aos 16 anos, ficou grávida de Marselle, que morreu aos dois anos. Marcada por essa tragédia, Piaf continuou a cantar nos cafés e clubes da Rua Pigalle, endereços recomendados na Paris da época.

Piaf teve sua vida transformada por Louis Leplée, proprietário do cabaré Gerny's, um dos mais conhecidos de Paris. Com seu sucesso, ficou conhecida como "Mome Piaf" (pequeno pardal).

Contudo, a vida voltou a castigar a jovem Piaf, visto que Leplée foi encontrado morto no clube que dirigia. A cantora foi suspeita do assassinato. A imprensa a acusou e a elite parisiense lhe voltou as costas. Assim, Edith Piaf voltou a misturar-se com as pessoas dos piores bairros de Paris, levando uma vida desregrada.

Piaf, no entanto, voltou a brilhar ao final da 2ª Guerra Mundial, voltando aos grandes cenários da França, Europa e da América. Tornou-se a grande dama da canção francesa, ajudando talentos emergentes. Em 1946, foi para New York onde conheceu o boxeador Marcel Cerdan, morto em 1949, quando sofreu um acidente de avião. Isso causou em Edith uma profunda depressão, que a fez utilizar álcool e tranquilizantes para superar o trauma. Esta foi a época de seus grandes sucessos: La Vie En Rose e Le Trois Cloches.

Em 1950, triunfou no Olympia, e em 1956 no Carnegie Hall, em New York. Porém, depois de um acidente, Piaf ficou desfigurada e tornou-se viciada em morfina. Com saúde frágil, em 1959 teve seu diagnóstico de câncer.

Morreu aos 47 anos, em Florence no ano de 1964.


Algumas obras de Edith Piaf:


Piaf - Um Hino ao Amor, em minha opinião, é uma belíssima homenagem a esta cantora. A caracterização da atriz Marion Cotillard se percebe nos trejeitos, resumindo a força e a fragilidade de Piaf.

A tragédia, as drogas, tudo é tratado de forma sutil, evidenciando a pequena e frágil Pardal, que se torna um verdadeiro cisne em palco.

O filme é uma delicada biografia, um trágico conto da vida de Piaf, mas também é um filme que nos fala de amor, em todas as formas, inclusive as mais cruéis.