Eu não quero o dia
Não quero as massas
As lotações e os enxames
Eu não quero o barulho
O vaivém e a buzina
Não quero motores
Não desejo os outdoors
Letreiros óbvios protuberantes
Eu não quero a luz
Branca fria sobre a mesa
Não quero o sol
Direto do asfalto quente
Eu não comerei
A ganância nossa de cada dia
Não conversarei
A idiotice óbvia da rotina
Hei de não erguer
O copo cheio de palavras
Hei de não dormir
O descanso cego do escravo
Eu desejo o fim
Num adagio sensível
Quero a lentidão
Do toque sem palavras
Eu quero a concordância
Em silenciar a vida
Para viver como nunca mais
Frankenweenie, animação em stop-motion de Tim Burton (Alice no País das Maravilhas), ganhou mais uma nova imagem.
O longa é adaptação de curta-metragem homônimo do próprio Burton, de 1984, que ganhará versão em 3D nos cinemas. Conta a história do jovem Victor Frankenstien que realiza um desastrado experimento para trazer de volta à vida seu cachorro Sparky, atropelado por um carro.
Para dublar os personagens, Tim Burton chamou alguns velhos conhecidos como Winona Ryder (Edward Mãos de Tesoura), Catherine O'Hara (Os Fantasmas Se Divertem), Martin Short (Marte Ataca!) e Martin Landau (Ed Wood).
A estreia do filme está prevista para 2 de novembro deste ano. Abaixo, o terceiro filme da carreira deste grande diretor.
O canto gregoriano é uma antiga manifestação musical do Ocidente, com raízes nos cantos das antigas sinagogas. O canto surgiu da junção da cultura dos judeus convertidos, que cantavam os salmos e cânticos do Antigo Testamento, com elementos da música e da cultura greco-franco-romana, que foram acrescentados pelos gregos e romanos que se convertiam.
O período de formação do canto gregoriano vai dos séculos I ao VI, com auge nos séculos VII e VIII, mantendo-se com certa popularidade nos séculos IX, X e XI, quando inicia-se sua decadência.
A denominação "Gregoriano" ficou como homenagem ao papa Gregório Magno (540-604) que publicou, em 2 livros, uma coletânea de peças (Antifonário, melodias referentes às horas canônicas, e o Gradual Romano, contendo os cantos da Santa Missa). Gregório também iniciou a Schola Cantorum, que proporcionou grande desenvolvimento ao canto gregoriano.
No final do século XIX, o Mosteiro de São Pedro de Solesmes (França), a partir da iniciativa de Dom Mocquereau, tornou-se o grande centro de estudos e práticas do canto gregoriano. Ali também iniciou-se o trabalho de recuperação de antigos manuscritos do século VIII e IX, sobre o canto gregoriano.
No século XX, o papa Pio X pede aos monges para realizarem uma edição moderna com referência nos manuscritos, surgindo então a Edição Vaticana. Em 1985 foi lançada uma outra edição chamada Graduale Triplex com as 3 notações do canto gregoriano: a Vaticana, a de Laon (França) e a de Saint Gaal (Suíça).
As principais características do canto gregoriano, ou canto chão, são: as melodias cantadas em uníssono, sem predominância de vozes (homofônico); ritmo livre, sem compasso, baseado na acentuação e no fraseado; cantado sem acompanhamento de instrumentos musicais; e letras em latim, baseadas em sua grande maioria nos textos bíblicos.
A partir de 1994, lançou-se um novo olhar para o canto gregoriano, quando a gravadora EMI lançou em CD um disco que havia sido gravado há mais de 20 anos pelos monges do Mosteiro de Santo Domingo de Silos; o disco alcançou um sucesso considerável, atingindo a marca de 5 milhões de cópias vendidas.
Atualmente, existem vários grupos que executam versões de músicas famosas em estilo gregoriano. Um desses grupos é o Gregorian.
Gregorian é um projeto musical alemão liderado por Frank Peterson, que faz versões de músicas dos anos 60 aos dias de hoje. Formado por 8 vozes, o grupo foi considerado um modismo, mas a partir de 1998 o projeto passou a focar mais em sons populares e traduzi-los para o estilo gregoriano.
Os nomes das vozes deste projeto são: Richard Naxton, Johnny Clucas, Dan Hoadley, Chris Tickner, Richard Collier, Gerry O' Beime, Lawrence White e Rob Fardell.
Qual o seu artista musical preferido? Ah sim, claro. Ele/ela tem realmente uma beleza estonteante. E sua atitude é sem dúvida parte intrínseca de sua arte. As letras das músicas são verdadeiros poemas, talvez em línguas mortas ou dissecando problemas sociais. Inegável dizer, também, que suas roupas, seus conflitos e as declarações na mídia são totalmente coerentes com sua revolta contra a sociedade. Mas.... espere.... e a sua música?
Geralmente, quando se fala de música, é ela própria o que menos importa. Por mais paradoxal que possa soar esta afirmação, ela é plenamente verificável em qualquer discussão a respeito do assunto. Seja na informalidade de uma mesa de botequim ou na mídia mais especializada, há quase sempre uma série de fatores que se sobrepõem ao dado sonoro, obstruindo sua apreciação.
Recebi muito recentemente um link, por compartilhamentos de redes sociais, do Paulo Raposo, um compositor do Vale do Paraíba, São Paulo, mais precisamente de Pindamonhangaba. O link em questão é o texto intitulado A Irrelevância da Música, publicado em março de 2008 no portal Trópico da UOL, de autoria de Matheus G. Bitondi, e que discursa sobre a minúscula importância real que se dá à música quando falamos de música.
E o mais interessante é que o texto não se limita à música popular, como se poderia supor. A própria música erudita, com seus "deuses" inatingíveis, é colocada em foco.
No Brasil existem muitos autores, contudo, a grande maioria sofre para lançar seus livros, além de muitas outras dificuldades, que os tornam verdadeiros guerreiros. Erika Monterisi é um deles...
A internet se tornou uma ferramenta aliada dos autores, que inovam sua relação com leitor, tornando-a mais próxima, além de criar novas formas de divulgação do seu trabalho.
Uma dessas formas são as parcerias com blogs, que praticam sorteios, possibilitando aos leitores chances de conhecer autores nacionais. O site Viagem Imaginária é um desses e está com uma promoção até o dia 15/12, para sortear o livro Sol & Lua!
Ninfomaníaca? Bêbada? Viciada? Não existem adjetivos próprios e impróprios que descrevam Rê Bordosa. A diva do mundo underground é uma criação do cartunista Angeli.
Criada em 1984, Rê Bordosa era o símbolo de uma época: mulheres entrando na meia idade que viviam seus problemas existenciais em meio ao sexo livre, drogas e tudo o mais que viesse. Uma personagem de caráter escrachado e sem qualquer pudor, o que confere todo seu charme.
Personagem de maior sucesso de Angeli, Rê Bordosa fez sua primeira aparição na antiga revista Chiclete com Banana, e fez grande sucesso. Tamanho, que foi morta pelo autor, para que ela não estigmatizasse a carreira do mesmo. Aqui uma entrevista retirada do site Universo Hq, onde o autor comenta sua conturbada relação com a personagem:
Pergunta - Exatos 13 anos depois da morte da Rê Bordosa, a personagem ainda te incomoda?
Angeli - Bom, creio que não me incomoda mais. Até porque o que mais me angustiava era a possibilidade da existência dela se tornar um grude na minha carreira. Daí a decisão de matá-la.
Pergunta - Você já comentou que começou a se sentir incomodado com a possibilidade da personagem ficar maior do que o autor. Foi isto que o levou a parar de publicar tiras da personagem?
Angeli - Sim, é verdade. Sempre me irritou muito em entrevistas de outros desenhistas aquela coisa do "mundo encantado de Maurício de Sousa", ou "mundo encantado de Saci Pererê" (Ziraldo). Enfim, o mundo encantado de qualquer coisa. O meu projeto não tinha muita pretensão de seguir uma trajetória específica, mas a visão que eu tenho do meu trabalho é que, no todo, ele resulte em uma crítica de comportamento, no qual todos os personagens, charges e textos se juntem em uma crítica só.
Pergunta - No caso de Rê Bordosa, a personagem seguiu um caminho diferente, fugiu a seu controle?
Angeli - Quando eu percebo que alguma coisa está tomando um rumo que sai um pouco fora deste projeto, começa a me incomodar. E a Rê Bordosa, de alguma forma, estava apagando o brilho dos outros personagens.
Pergunta - Como assim?
Angeli - Ela era uma personagem muito forte e gostosa de trabalhar, mas problemática. O meu medo foi sempre de ter que carregá-la e me ver obrigado a desenhá-la até por uma questão de mercado. O leitor gosta, funciona, claro. Mas se eu fosse fazer um livro tinha que botar ela na capa, e isso começou a me incomodar. Qualquer proposta que de trabalho, era com a Rê Bordosa em primeiro lugar. E meu objetivo era fazer uma coisa mais ampla do que uma personagem.
Pergunta - A Rê Bordosa foi assassinada há 14 anos. Ela era muito voltada a mulher daquela época (1984 a 1987). Você acha que atualmente existem muitas Rê Bordosas por aí?
Angeli - As leitoras da época da Rê Bordosa continuam muito fiéis a ela. As mulheres de hoje que não a leram, possuem os mesmos problemas que ela tinha na década de 80. Creio que agora a autodestruição, através do sexo, do álcool e do cigarro é menor. Esta geração ainda tem um sentimento de culpa, problemas de adequação com o sexo oposto, com uma sociedade machista e também diante do que as mulheres acham o que é certo ou errado.
Pergunta - Como você contextualizaria sua personagem naquela época?
Angeli - A Rê Bordosa era um corpo estranho no movimento feminista ou machista, seja o que isso fosse. Então, hoje em dia ainda tem esses problemas, mas a forma de atuar é diferente. Talvez a droga que se usa hoje seja diferente e o álcool não esteja tão presente. E tem também a AIDS, que mudou muito o comportamento das mulheres.
Pergunta - A Rê Bordosa nasceu em 1984 e morreu em 1987. A AIDS já estava começando a ser discutida. Hoje, você acha que, com o tempo, a AIDS poderia mudar o comportamento da personagem?
Angeli - Acho. Eu não gostaria de mudar o meu personagem por causa de uma doença que surgiu. Mas, sem dúvidas, o comportamento sexual da mulher de hoje mudou. Fazer loucuras sexuais não é mais a mesma coisa de quando a Rê Bordosa fazia. Como, por exemplo, levar um time de futebol para dentro da banheira. Acredito que isto não existe mais.
Pergunta - Em algum momento da vida você se sentiu Rê Bordosa?
Angeli - Pode falar de uma década toda (risos)
Pergunta - Conte uma história de Rê Bordosa que você tenha vivido...
Angeli - Uma vez rolou uma bebedeira muito grande, e eu e o Homero (amigo de infância) acabamos presos na 4ª delegacia. Fizemos um teatro lá dentro, estávamos tão bêbados que começou a achar engraçado tudo aquilo. Tomamos umas porradas e pontapés e mandaram a gente embora.
Tinha um poste na frente da delegacia, e a coisa que nós dois mais queríamos era fazer xixi. Então, descemos as escadas, paramos no poste e começamos a mijar, um de cada lado do poste. Acho que isso é uma atitude de Rê Bordosa.
Tem também um outro caso que aconteceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Eu e Glauco (cartunista) ficamos bebendo uma semana inteira, e fomos atrás das menininhas da cidade. Nessa mesma viagem, arrumei uma namoradinha e fui para a casa dela. Fiquei lá um tempo, namorei e tudo. Umas 6h da manhã, eu falei: "Não vou dormir aqui, vou para minha casa". Saí de lá, mas esqueci que Ouro Preto é feita de ladeiras intermináveis, e eu não havia calculado o quanto tínhamos andado de madrugada até chegar na casa da menina. E foi um sufoco até chegar no hotel, eu me arrastava por aquelas ladeiras, com os bofes para fora. De repente abrem uma fresta de uma janela e gritam: "Aí, Angeli, tá longe de casa, hein, meu?" Eu só consegui lançar uns grunhidos, mas não tinha nem ideia de onde vinha o grito.
Para matar a saudade dos fãs, a Devir / Jacarandá lança uma coleção com as obras de Angeli. Rê Bordosa, vida e obra da porraloca é o terceiro volume da série Sobras Completas do autor.
Outra grande homenagem à personagem foi Dossiê Rê Bordosa, um curta metragem, feito em stop-motion, dirigido por César Cabral, que tenta explicar os motivos que acarretaram a morte de Rê Bordosa por seu próprio criador, o cartunista Angeli.