9 de julho de 2012

Hoje

Andava quieto, só,
Pensando no que viria,
Nos odes futuros,
Sem cantar uma nota

Calou-se o Tempo, pois corria
Desesperadamente na rotina
Ator transfigurado
Na mais bela personagem

E leve
Cálido
Intenso noir dormente

Um passo, e aperta a dúvida
Os olhos suportam?

Questionamento infindável
Sempre às bordas de um terraço
Pés prontos a saltar
Mas a mente insiste
Batalha
E vence
Por mais uma sobrevivência



Escrito em 4 de julho de 2012.

Imagem: Visions of Metropolis 2, by W.B. Sloan.

Mudança

Findou-se o ato
Sem fôlego, pendeu o ator
Sobre o palco sujo
De letras palavras versos

Esgotou a voz
Naquele "diálogo" último
Sangrou demais os dedos
Tecendo a inútil dialética

E, quando se apaga a luz
Eis que outro tom é aceso
Em cor dodecafônica

Ele ouve, e anda
Com ouvidos procura
A fonte daquele vinho

Bebe, e lhe dá sede
Água de Alice, veneno
Doença quente no peito
A matar novas palavras

Que já não lhe basta
A realidade das palavras.
A sanidade dos versos
É para ele só inércia

Pois notas queimam
Cadências ardem frescas
No salão turvo
De memórias reinventadas

Aquele circo de dores
Trouxe ao menos força
Ao som gritante,
Antes quieto num casulo

Pois gritará.
Alçará a voz em acrobacias
Entornará a luz em si
Tempestade só, a destruir,
Para recriar com nova vida
Ou ao menos mostrar
A escuridão que se inicia.



Escrito em 25 de maio de 2012.

Imagem: Subversion, by Miriam Sweeney.

8 de julho de 2012

A aprendiz

Não é que não seja belo
Nem que não satisfaça
O espetáculo torpe
Da mediana atriz

Sabe algumas falas
(Embora me tenha dito
Que as sabia todas)
Decora muito bem

Mas sua face retorcida,
Naquela tosca tentativa
De um riso a la Tchékov

Enjoa, não faz pensar
Lembra o ingresso pago
E assim suscita o ódio
Sibyl Vane que nem amou

Desce daí, que já se esgota
O prazer da cobiça
Encerra o ato
Que já me enoja a tua voz!

Tu nem rosa és!
Mero botão, que não suporta
Sangue de um Curinga

Não é que tenha sido precoce
A chegada daquele fim
Nem que desejasse
Uma peça rápida e vã

Mas uma "arte" dessas,
Enquanto me suja de cinza,
Toma meu tempo
Corrompe meu palco
E cansa
Muito mais do que ensina



Escrito em algum dia morno de maio de 2012.

Imagem: Neda's Entrance, by Sergio Lopez.

21 de junho de 2012

E Nós o recriamos...

Neste tempo louco de junho sai a graphic novel de Rafael Campos Rocha, artista plástico e quadrinhista, Deus, essa gostosa.

Com heresia no nome e em sua descrição, a graphic novel traz uma leitura interessante dos personagens bíblicos e de temáticas complexas como religião e sexo.

Deus, essa gostosa tem ganhado muitos fãs na mesma proporção do desconforto que causou, pois nesta narrativa o leitor acompanha sete dias da vida desta Criadora incomum, fã de futebol, amiga de Karl Marx e do Diabo, dona de sex shop, envolvida em movimentos exóticos/esotéricos do amor carnal.

Embora ainda não tenha lido, achei a proposta bem interessante!

27 de abril de 2012

De um monólogo

Pois então visitei a Loucura, e ela me agarrou com braços fortes, fez-me amante, senhor e servo, até me dilacerar com suas garras de harpia.

És tu então que vem, desafiando a proteção frágil que construí? Tens nas tuas mãos flores das mais cruéis, nas tuas mãozinhas que quase amassam pétalas. Mas por que, por que não abres tua boca?

Cinza, inércia se fez da mais bela dança que valsei. Sutileza, gentileza, pergunta, e apenas o silêncio. É assim que se destróem pontes e se erguem muralhas, sabes?

E agora apontas para meus braços, derramando as pétalas mais podres, como se eu os aviltasse a cada noite em nova dança. Pequena, se sou uma Bovary, não é senão porque busco o incêncio que já encontrei em ti, e que me basta. Basta-me ainda banhar-me nas poucas brasas que ainda aquecem minha nuca, mas se vês em mim um trapezista, a saltar de corda em corda, talvez teu passado te ofusque a visão.

É verdade que já parti o espelho de Shalott, mas logo depois encontrei o fim. Não terás tais cacos, é fato, mas sinto que um certo Iago corrompe por dentro a tua força de mouro general.

Abaixa então teus braços, relaxa teus ombros. Não fui eu, Ofélia, que matei teu pai, não desejei tua queda. Mas cuida, que vais encontrar teu pântano sepulcro embaixo do salgueiro Indiferença, nascido não das minhas palavras, nem da falta delas, mas do silêncio de tuas faces multifacetadas.




Escrito em 23/04/2012, num bloco de papel.

Em preparação a um conto.

Imagem: Renaissance by Delphine Pavy.

17 de abril de 2012

Google, Doodles e outras histórias...

A criatividade não tem limites, e para mim uma das amostras mais interessantes dessa verdade é abrir a página de pesquisa do Google e encontrar diversas referências a pessoas, eventos e outros temas que marcaram a nossa história, na remodelagem do logotipo do Google.

Segundo o site Doodle 4 Google:

Divertir-se com o logotipo corporativo e redesenhá-lo de tempos em tempos é impensável em muitas empresas – mas, no Google, isso faz parte da marca. Ainda que o doodle seja antes de tudo uma maneira divertida da empresa reconhecer eventos e pessoas notáveis, ele também evidencia a personalidade criativa e inovadora da própria companhia.

Essa brincadeira recebeu o nome de Doodle, surgindo em 1999 quando Larry e Sergey, fundadores do Google, brincaram com o logotipo corporativo marcando presença no Festival Burning Man, no deserto de Nevada.

O desenho representava que o "pessoal" havia saido do escritório para prestigiar o evento e, mesmo sendo bem simples, agradou os usuários.

Um ano depois, ambos os fundadores, pediram ao atual webmaster Dennis Hwang (na época um estagiário) para elaborar um doodle em comemoração ao Dia da Queda da Bastilha. Obtendo sucesso com seu doodle, Dennis Hwang passou a Doodler-chefe, e os doodles passaram a se tornar algo regular na página inicial do Google.

No início eles marcavam apenas os feriados e eventos mais conhecidos dos usuários, porém, atualmente eles celebram grande variedade de eventos, incluindo os menos conhecidos.

Com a popularização dos doodles sua demanda aumentou, e hoje, sua criação fica na responsabilidade de uma equipe de criação. Até hoje já foram criados por volta de 300 doodles para os EUA e 700 para o resto do mundo. A equipe também se reúne regularmente para decidir quais feriados e eventos receberão os doodles, e quais serão os doodles utilizados, escolhendo os mais inovadores e criativos.

Abaixo alguns que achei mais interessante. Para conhecer mais, entre no site com os doodles já criados.

A homenagem do Google ao guitarrista Les Paul, segundo dados publicados pela Rescue Time em seu blog, custou à economia mundial R$ 268 milhões, referindo-se ao custo que as empresas tiveram com seus funcionários acessando durante o expediente de trabalho a página.


Em comemoração ao 122º aniversário de Charles Chaplin, o doodle desenvolvido foi um vídeo com pouco mais de 2 minutos, que mostra um cover de Carlitos em situações engraçadas.


Em 11 de maio deste ano o Google criou um doodle em homenagem ao 117º Aniversário de Martha Graham, com animação de Ryan Woodward, coreografia por Janet Eilber, executada por Blakeley White McGuire (principal dançarina da Martha Graham Dance Company).


Em 08 de fevereiro de 2011 o doodle foi uma homenagem ao 183º Aniversário de Júlio Verne, inspirando-se no livro Vinte Mil Léguas Submarinas, captando a sensação de explorar o mar a bordo do Nautilus (submarino do livro), a mesma sensação em ler o livro.


Em 21 de maio de 2010 o Google homenageou os 30 anos da criação do Pac Man, um jogo que, apesar de simples, diverte ainda hoje. O doodle é uma adaptação do clássico jogo, permitindo ao usuário jogá-lo, bastando para isso que se aperte o botão Insert Coin (Insira moeda), no lugar do Estou com sorte, então o usuário inicia o jogo.

O jogo também possui o modo multiplayer para 2 jogadores. Para isso, basta clicar no botão Insert Coin, e aparece a Ms. Pac Man, controlável pelas teclas WASD.


Em 15 de junho de 2011 na página inicial do Google era possível acompanhar o eclipse lunar em tempo real.

No dia 31 de março de 2011 o usuário do Google pôde brincar com o queimador aperfeiçoado pelo químico alemão Robert Bunsen, que hoje é conhecido como bico de Bunsen.


Em 11 de fevereiro de 2011, o homenageado da vez foi Thomas Edison, considerado um dos maiores inventores de todos os tempos.


Em 06 de setembro de 2010, o doodle foi o Google Instant - Particle Logo.


No dia 08 de novembro de 2010 o doodle escolhido foi uma homenagem ao físico alemão Wilhelm Röntgen, por sua descoberta há 115 anos: o Raio-X.


No dia 06 de janeiro de 2006, os usuários viam na página do Google uma homenagem ao aniversário do francês Louis Braille, inventor do sistema de leitura para cegos, cujo logo podia ser visto em Braille.


Existem muitos outros bem legais, como a comemoração do aniversário de H.R. Hertz, o de protesto contra a S.O.P.A. e a P.I.P.A., a homenagem ao aniversário de Freddie Mercury. A criatividade para informar e protestar!

Outros doodles interessantes abaixo. Adivinhe quais foram os homenageados?


Em ordem, a resposta para os desenhos do quadro:

70º Aniversário de Bruce Lee ( China, Hong Kong, Taiwan, no dia 27 de novembro de 2010), Aniversário de Charles Darwin (Global, no dia 12 de fevereiro de 2009), 112º Aniversário de Zhang Daqian (China, HOng Kong, Taiwan, no dia 10 de maio de 2011), 172º Aniversário de Cezanne (Global, no dia 19 de janeiro 2011), 95º Aniversário de Edith Piaf (França e Alemanha, no dia 19 de dezembro de 2010), Aniversário de Escher (Global, no dia 16 de junho de 2003), Aniversário de Vivaldi (Global, no dia 04 de março de 2010), 120º Aniversário de Agatha Christie (Alguns países, no dia 15 de setembro de 2010), Aniversário de Oscar Wilde (Alguns países, no dia 16 outubro de 2010), Festival da Lua (China, Hong Kong, Taiwan, no dia 22 de setembro de 2010), 110º Aniversário de Antoine de Saint-Exupery (França e Alemanha, no dia 29 de junho de 2010), 110º Aniversário de René Magritte (Global, no dia 21 de novembro de 2008), Aniversário de Pablo Neruda (Países Selecionados, no dia 12 de julho de 2009), 213º Aniversário de Mary Shelley (Reino Unido, no dia 30 de agosto 2010), Aniversário de Rumi (Turquia, no dia 30 setembro de 2008), Dia de Martin Luther King Jr. ( EUA, dia 19 de janeiro de 2009).


13 de abril de 2012

De um poema de amor

ou Pássaro de Fogo
Duvida que as estrelas são fogo
Duvida que este sol se mova
Duvida da verdade para seres mentirosa
Mas não duvides (...)
Que eu possa esquecer
__________________________________

Vê, as cores que partiram
Pelos nossos braços
Matizes vivas
A correr na pele suave

Pelo teu pescoço, tua nuca
Martírio do cárcere
A gritar liberdade

Azuis a queimar
Nos cabelos pretos
Um toque
Lascivo mergulho

E notas, leves
No crescendo interminável
Pela curva de teu dorso

E sente, o calor a nascer
Do silêncio sem cor
Um pássaro de fogo
A pousar em pequenino seio

Dedos que dançam
E prendem, ou tentam,
O momento em presto
Entre mãos que se beijam

Ouve então.
Se em teu pequeno corpo
E em meu cárcere
Nasceu tal rapsódia

E se o coda final
Não foi mais que decepção

Não foi senão sonho
Real distorção de sabores
A acordar da realidade
Para nela lançar como jamais



Escrito em um bloco de papel,
em 12/04/2012.

Ouvindo Opheliac, by Emilie Autumn.

Citação: trecho de Hamlet, W. Shakespeare.

Imagem: cena de Fantasia 2000,
sob adaptação da peça Pássaro de Fogo,
de Igor Stravinsky.