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16 de fevereiro de 2014

Gravidade


      Eu ouvi muito sobre o filme Gravidade, mas como não curto muito filmes de ficção científica preferi deixar de lado. Contudo, não podia estar mais enganada!

 

 
    O filme conta a história da Dra. Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) que é uma engenheira médica em sua primeira missão em um ônibus espacial. Acompanhada pelo astronauta veterano Matt Kowalsky (interpretado por George Clooney), que está no comando em sua última missão.
     Enquanto a Dra. Ryan realiza reparos em um telescópio, são atingidos por lixo espacial que destrói o ônibus espacial, deixando-os a deriva no espaço sideral, com oxigênio limitado e sem comunicação com a Terra. A partir deste ponto, ambos tentam sobreviver enquanto buscam por outras estações para poderem voltar a Terra.
 
 
     Resumidamente o filme é isso, seria simples senão fosse a maneira brilhante como ele foi desenvolvido.
     Com cenas impressionantes da Terra vista do espaço, e do próprio espaço, o diretor nos coloca ante a vastidão do Universo. Porém, a desesperadora situação de ambos os personagens nos dá uma sensação de claustrofobia e desespero quase o filme todo.
    Cabe ressaltar, que espanta a calma com que o veterano Kowalsky apresenta em detrimento da Dra. Ryan, que se desespera levando-a a "queimar" seu oxigênio.
     Outra coisa interessante do filme é o absoluto silêncio, salvo quando as tomadas se referem ao que os astronautas estão ouvindo por meio de seus comunicadores e locais com atmosfera. A cena em que Dra. Ryan se desespera e grita, mas não se ouve nada, pois supostamente estamos do lado de fora é bem marcante.
     Um dos filmes de ficção científica mais lúcidos que já vi, embora muito tenha se falado das falhas apresentadas, acho que elas são irrelevantes, senão plenamente compreensíveis, visto que muitas delas só são percebidas por pessoas que apresentem algum conhecimento técnico sobre órbitas de satélites, entre outros princípios físicos que regem nosso Universo.
 
   Vale muito a pena de se ver, pois as analogias estão presentes em quase todas as cenas, destaco a que Dra. Ryan chega a estação espacial, onde ela se entrega ao relaxamento tão profundo que fica em posição fetal.
 
    Existem vários detalhes ao longo do filme, que vai tocar cada pessoa de uma forma diferente. Uma experiência absolutamente impressionante!

6 de fevereiro de 2014

Deixa Ela Entrar - John Ajvide Lindqvist



 
      O livro Deixe ela entrar, de John Ajvide Lindqvist, sem dúvida foi um dos melhores livros sobre vampiros que já li atualmente, bem como suas adaptações cinematográficas.
      Abordando de forma inovadora um tema já batido, Lindqvist nos apresenta Oskar, um garoto que está entre a infância e adolescência. Filho de pais separados, vive com a mãe.
     Oskar é desajeitado, quieto, imaginativo, sofre de incontinência urinária, mas além de tudo isso, não possui quaisquer amigos. O relacionamento que possui com os colegas na escola se dá através do bullying pesado que sofre por parte deles. Neste cenário, ele conhece sua nova vizinha, Eli, no parque perto do apartamento onde mora. Em uma noite fria ele sai para brincar e a encontra no frio vestindo roupas leves.
    A partir daí o relacionamento vai se desenvolvendo para uma grande amizade, e Oskar vai conhecendo um pouco mais sobre a vida de Eli que vive com um homem mais velho, que ele entende ser seu pai.
    Paralelo a história de Oskar, na pequena cidade sueca, onde ele vive uma onda de assassinatos se inicia chocando toda a população.
    Basicamente este é o ínicio da obra de Lindqvist, falando primeiramente do livro, sua leitura é leve apesar da grande quantidade de cenas chocantes ao longo do enredo. Pedofilia, bullying, sexualidade são alguns dos temas cruamente tratados pelo autor.
   Na obra podemos observar várias histórias diferentes, que aos poucos vão se entrelaçando para o arremate final. Por isto o livro é agradável de ler, pois confere perspectivas diferentes, dinamismo.
   Lançado pela editora Globo no Brasil, o livro tem 504 páginas que não dá pra sentir, lê-se rapidamente com um gosto de quero mais no final.
   Suas adaptações cinematrográficas são excelentes, mas em minha opinião a versão sueca logrou mais sucesso em captar o livro para as telas. Com uma história complexa e densa, a versão americana simplesmente ignorou algumas partes deixando várias lacunas, já a versão sueca soube enxugar a história sem deixá-la tão lisa. Porém, ambas são muito boas!


Filme Sueco







      Este é um link (em inglês) que encontrei, possui supostos spoilers para uma continuação, contudo não consegui confirmar a informação.



Informações do autor

      John Ajvide Lindqvist nasceu em Blackeberg, Estocolmo, Suécia em 1968. Trabalhou como roteirista de séries para TV sueca, como mágico e comediante de stand-up. Seu primeiro livro Deixa ela entrar foi lançado em 2004, sendo o qual o destacou.

2 de fevereiro de 2014

Medusas

     Na mitologia grega, Medusa era uma bela mulher. Desejada por todos os homens e invejada por todas as mulheres.
     No entanto, como sacerdotisa de Atena, devia se manter virgem em honra a Deusa Guerreira. Sendo assim, sempre declinou o assédio de todos os pretendentes que a cortejavam.
     Mas sua beleza chamou atenção não somente dos homens, mas do Deus Poseidon, que invadiu o templo de Atena e violentou Medusa.
    O ocorrido despertou a ira da Deusa, que puniu Medusa, transformando-a em um monstro horroroso. Logo, Medusa, a mais bela das mulheres ficaria conhecida como Górgona, a feia criatura que petrificaria a todos que ousassem olhar em seus olhos.
    Antes caçada por sua beleza, Medusa agora é caçada por sua maldição, muitos heróis buscaram matá-la para se apoderar de seu poder, uma arma importante em uma batalha.
    Simplificando, eis o mito de Medusa! Se observarmos que muitos mitos nascem de situações cotiadianas, vemos até hoje tantas medusas, poseidons e atenas espalhados pelo mundo...
 
 
    Ler nos jornais que há um aumento no número de casos de estupro no Brasil, segundo o Ministério Público são 50 mil por ano, os estupros coletivos na Índia, a prática de retirada do clitóris na África, tantos e tantos abusos contra a mulher, sempre as mesmas histórias, tão exaustivamente retratadas em filmes, livros, documentários. A pergunta que fica é: por que não muda?
    Como sociedade, entendemos que somos criaturas civilizadas aptas a partilhar de uma vida em conjunto, contudo uma mulher que tenha sido violentada frequentemente sofre escárnio das autoridades que a atendem, de seus vizinhos, até de seus familiares. É pensamento comum que ela pediu para que acontecesse ao sair na rua com uma saia mais curta, um decote ou mesmo por andar desacompanhada! Mas paro e penso, que bando de animais somos nós, que não podemos observar uma mulher passar na rua com uma roupa curta que devemos sair por ai gritando e urrando atrás dela!?
   Existe uma clara falta de respeito para com o próximo, observá-lo como pessoa e não como um objeto para quaisquer que sejam os fins. Perpetrado em novelas, em filmes, em música, no boca a boca, esta cultura, vejo com pesar, se intensifica. Não há homens e mulheres, mas machos e fêmeas no sentido mais primevo da palavra.
    A quem podemos culpar? Ao homem que sem carater violentou uma mulher? Fazendo as vias de advogado do diabo, existe toda uma série de reforços ao longo de toda sua criação como pessoa que lhe dizem que ele pode tomar, é de seu direito e instinto, um "não" saído da boca de uma mulher sempre pode virar um "talvez" se insistir...
   Deve-se culpar as mulheres, que deixaram esta situação se reforçar através dos anos. De permitir e educar seus filhos a esta maneira tão "machista"? De rotular uma mulher devido a seu comportamento?
   Não se pode culpar indivíduos, não quando eles vivem em sociedade, a culpa tem de ser minha, sua, partilhada por todos... Não importa se estas situações ocorrem aqui no Brasil, na Índia, na África, lembrando um pouco de Boff, somos cidadãos do mundo! Cabe a nós passar adiante, sempre reforçando sem esmorecer a ideia de seres humanos, não mais de gêneros, crenças ou quaisquer outros rótulos, uma mentalidade mais empática e racional... Do contrário, deixemos de lado toda a civilidade e voltemos as cavernas!
 

Campanha contra estupros em prisões nos EUA da Ong Stop Prisoner Rape
 

     Deixo duas obras sobre o tema e a campanha (famosa na web) que humoristas indianas fizeram contra o estupro em seu país, faço um adendo sobre o termo Bhaiya que significa "irmão", sendo utilizado entre amigos, quando próximos. Muitos sacerdotes (homens-santos mencionados), condenaram as ações de estupro, no entanto, alguns sugeriram que as vítimas deveriam tratar seus estupradores como irmãos, demonstrando amor e compaixão para com eles.
 
 
 
     Beautiful: drama coreano de 2008 que conta a história de Eunyoung, uma mulher de beleza deslumbrante, mas que se sente triste pelas situações que passa em razão dessa beleza. Até que após um acontecimento terrível em sua vida ela começa a matar sua aparência, considerando sua beleza uma maldição...
     Um filme bem intenso, que passa muito do que as mulheres passam, desde de abusos até os rótulos como beleza, forma de vestir.


 
     O Harém de Kadafi: este livro escrito pela jornalista Annick Cojean, do jornal Le Monde, é um relato sobre as barbáries perpetradas contra as mulheres durante a ditadura de Muamar Kadafi. Sequestros, estupros, drogas, tudo era permitido para este ditador que se proclamava o libertador das mulheres.
     No livro vemos a história de uma dessas garotas, que foi vista na escola pelo ditador quando tinha 15 anos. Levada para casa dele foi estuprada, mantida em cárcere para satisfazer os desejos do "Guia". Lá ela se vê junto a outras garotas que tiveram o mesmo fim, recrutadas em escolas, faculdades, filhas de generais, soldados... O apetite de Kadafi não tinha fim!
     Após sua morte essas mulheres que esperavam se ver livres, foram perseguidas pela própria Líbia, que as via como um símbolo de vergonha. Muitas foram mortas por seus parentes, outras passaram a se prostituir para manter sua vida, porém outras lutaram para que suas histórias fossem ouvidas, e parte desta história pode ser vista no livro.

 
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23 de outubro de 2013

Guerra Mundial Z

 
     Depois de certo tempo, finalmente consegui assistir Guerra Mundial Z.  Demorei muito tempo, para tomar coragem, pois já havia lido o livro, então achei desnecessário, até que me rendi... Mas vamos por partes:
 
 
 
 
 

O livro

      A história de Guerra Mundial Z, não é um texto corrido, mas sim um relato de várias pessoas, após o holocausto zumbi.
      Os relatos referem-se a vários pessoas, de várias faixas etárias, lugares, e principalmente, de várias esferas sociais. Max Brooks nos dá então, uma visão completa do horror que seria a invasão zumbi.
       Muito além, Max Brooks nos deixa claro que a Invasão Zumbi foi apenas um pano de fundo para a própria capacidade destrutiva do homem. Quando a sobrevivência é o tema, fica claro, que não há direitos humanos, amor e solidariedade que resista, nos tornamos as mais cruéis e vis criaturas.
      Sem exageros, os relatos mostram um realismo tão grande, que quase nos dá vontade de construir um bunker e estocar comida/água para o porvir.
       Uma leitura fácil, simplesmente devora-se o livro, e termina-se com a sensação ruim de que você, bom samaritano faria boa parte das coisas ali descritas, como canibalismo, assassinato...
       Claro, que nem tudo são flores do mal, a obra de Brooks não seria interessante se não mostrasse os dois lados do ser humano, passagens heroicas também são descritas.
       A bem da verdade é que tudo o que o autor descreve ocorre sempre, em vários lugares do mundo, em várias situações do nosso cotidiano, muito mais do que um relato sobre uma Invasão Zumbi, Max Brooks faz um relato sobre o ser humano.
 
 
 
O filme
       Bom terminado o livro, imaginei como seria o filme, ficou uma pergunta: qual dos relatos o filme é baseado?
       Para minha surpresa o filme se encaixa como outro relato qualquer, com a estrutura apresentada pelo livro, o que causa certa surpresa.
       A decepção do filme fica a cargo do personagem principal, que no livro é um mero historiador, e dos zumbis. Os zumbis no livro são apresentados como um outro qualquer, apenas os recém transformados possuem alguma motilidade como a que vemos no filme, mas no mais, deu um tom de ação ao longa.
      A história gira em torno do agente das Nações Unidas, Gerry (Brad Pitt) que volta a ativa para permitir que sua família tenha um refúgio no barco das Nações Unidas, sua missão é descobrir uma maneira de enfrentar o zumbis e sobreviver em meio ao caos gerado por esta nova ameaça.
     Para ver o filme acesse o site.
 
     Para download do livro acesse o site.

O autor
       Max Brooks, nasceu em 22 de maio de 1972 em Nova Iorque, ficou mundialmente conhecido por suas narrativas apocalípticas com zumbis, seus livros mais famosos são: Zumbis: Um guia de Sobrevivência, que se trata de um guia de sobrevivência à um apocalipse zumbi; e Guerra Mundial Z, uma narrativa sobre um confronto em larga escala contra zumbis.
       Atualmente escreve roteiros para histórias em quadrinhos e a minissérie G.I. Joe: Hearts & Minds.
Site do Autor.


19 de outubro de 2013

A Frozen Flower

      
 
 
        Hong Rim é o Chefe da guarda pessoal do Rei, foi treinado durante toda sua vida para servir, vivendo dentro das dependências do castelo. Crescendo junto com o Rei, Hong Rim tem uma lealdade para com ele inabalável.

        Por sua vez, o Rei cresce apaixonado por Hong Rim, tornando-o seu amante. Porém, mais tarde forçado a tomar uma esposa para prover um herdeiro para o reino, não consegue se relacionar com sua jovem esposa, o Rei propõem que seu amante tome o seu lugar ao lado da Rainha para que ela possa conceber.



       Está atitude desencadeia o ponto central da trama, pois Hong Rim e a Rainha se apaixonam, passando a manter um relacionamento às escondidas.

       Paralelo a isso, a corte vive em clima de um golpe iminente, e o Rei passa a descobrir a traição de seus cortesãos, e no processo de descobrir os traidores, acaba por perceber que o Hong Rim passa faltar com seus deveres desconfiando do que se passa entre ele e a Rainha.

 


       Bom, aos poucos a trama vai se desenrolando, só assistindo para saber. O filme é de 2008, dirigido por Yoo Ha, com atuação de Jo In-Sung (Hong Rim), Joo Jin- Mo (Rei) e Song Ji-Hyo (Rainha).

        O filme se passa durante a Dinastia Goryeo, sendo baseado, ainda que não totalmente no reinado de Gongmin de Goryeo (1330 - 1374). De acordo com a história, após a morte da primeira rainha, de origem mongol. O Rei se cerca de belos guardas de origem nobre para servi-lo em todos seus desejos.

        Quando sua segunda esposa, engravida de um deles, Gongmin tenta matá-lo para acabar com o escândalo, mas é morto pelos próprios guardas que o serviam.

        A história em si tem muitas controvérsias, pois muitos creditam que está versão é uma tentativa de caluniar Gongmin, justificando a fundação da Dinastia Joseon.

        O filme é intenso, perturbador, e pra minha surpresa extremamente erótico (afinal, esperava algo mais histórico). Levantando questões interessantes sobre amor e deveres.

        Outro ponto positivo do filme, fora seu roteiro, é toda sua produção e estética, uma trilha sonora impactante vem a coroar a obra. Vale a pena conferir!!
 






23 de julho de 2013

De protestos, paranoia e outros...

Quase uma vida sem escrever por aqui, entre a vida corrida, preguiça e outras desculpas menos cabíveis, resolvi quebrar o gelo... Afinal de contas, tantas coisas interessantes ocorreram neste meio tempo, que é difícil se manter impassível. Protestos, espionagem, quedas de governos, e mais protestos sobre "n" assuntos, dos quais discordo e concordo, não há dúvidas que vemos mudanças no horizonte, fica a dúvida, se é para melhor.
Em meio a isso, lendo a Revista Super Interessante de junho (ed. 319) me deparo com uma reportagem sobre a raiva, doença que até não tinha cura. E vejam só, lá dizia que médicos obtiveram sucesso em um novo protocolo de tratamento, induzindo a pessoa ao coma, dando assim tempo para que o corpo combata a doença. Achei fantástico! Porém, levemos em conta, para cada cura que achamos encontramos mais um monte de doenças.
A medicina nos deu o conforto de esquecermos de nossa mortalidade, de nossa fragilidade, embora possa soar como uma paranoia, ouvimos a cada dia que passa por relatos de superbactérias, que colocariam o Superman no chinelo. 
Se a saúde é um direito ainda existem pessoas que não possuem acesso a ela, não falo da precariedade de nossos hospitais, mas da simples noção que muitos não têm de que existem outros semelhantes que não conseguem comprar um remédio para dor. Que estas mesmas pessoas, simplesmente não entendem o que é uma doença, logo sua cura fica aquém. 
Devo citar também, as doenças negligenciadas, que é um nome bonito para doenças que atingem pobres, visto não haver pesquisas para novos tratamentos (Malária, Leishmaniose, entre outras), pois financeiramente não compensa. 
Longe de qualquer ficção, filmes sobre doenças dão medo porque se aproximam da realidade. O ator Matt Damon (filme Contágio), em uma de suas entrevistas comentou que passou a valorizar a vida após protagonizar o filme. O medo é tão real e palpável que inspira várias obras cinematográficas, a mais nova é Guerra Mundial Z (embora as pessoas foquem nos zumbis). Estas obras são interessantes porque vão além, e nos levam a uma reflexão sobre nossa animosidade ao fim.
Meu eu hipocondríaco me diz que tudo irá terminar com um super vírus (a mãe natureza precisa balancear as equações de crescimento populacional humano), e como uma boa paranoia deve ser passada, vamos a ela...


Protagonistas reais...


Todo mundo já deve ter visto ou lido o que é um vírus, para não me estender muito sobre o assunto deixo aqui uma definição breve:

"Os vírus são seres muito simples e pequenos (medem menos de 0,2 µm), formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que, dependendo do tipo de vírus, pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos (citomegalovírus). A palavra vírus vem do Latim vírus que significa fluído venenoso ou toxina. 
Vírus é uma partícula basicamente proteica que pode infectar organismos vivos.
Tipicamente, estas partículas carregam uma pequena quantidade de ácido nucleico (seja DNA ou RNA, ou os dois) sempre envolto por uma cápsula proteica denominada capsídeo. As proteínas que compõe o capsídeo são específicas para cada tipo de vírus."

Não vou me estender no funcionamento da infecção, nem a morfologia dos mesmos, pois não é meu foco. Basta que tenhamos em nossas cabeças, que embora muitos estudiosos briguem se estes pequenos seres são vivos ou não, sua necessidade é obvia, e sua capacidade de evoluir também. 
Continuamente vivemos numa batalha muda: nosso corpo vs. vírus! Ganha aquele que tiver melhor preparado para ela.
Existem atualmente cerca de 3.600 espécies conhecidas de vírus, ressalto que está estatística é velha. Listo aqui alguns mais famosos:

Varíola

Embora tenha sido erradicado na década de 70, seus números continuam a impressionar. A partir do momento que você imagina que um vírus, um ser tão pequeno matou, somente no séc. XX, 300 milhões de pessoas.
O vírus é do tipo Orthopoxvirus, um dos maiores que infectam os seres humanos, causando dois tipos de varíola: varíola maior (ou somente varíola) e a menor (ou alastrim). Ambas possuem os mesmos sintomas, mas diferem em sua intensidade.
Com um período de incubação de 12 dias, seus sintomas se assemelham ao gripe (febre, mal-estar, dores musculares), contudo após infecção das vias respiratórias, o vírus se multiplica nas células e se espalha para o sistema linfático e sanguíneo onde atinge a pele surgindo as pústulas típicas, primeiro na boca, depois no corpo todo.
Credita-se que o vírus tenha estado com homem desde seus primórdios, com o advento da agricultura e sedentarismo. 
Não se sabe como ocorreu sua evolução, e qual sua origem (embora análises de DNA mostrem que ele se assemelha a varíola do camelo), pesquisas indicam que tenha seu berço na África ou na Ásia.
Atualmente, a população mundial não possui mais imunização contra o vírus, mas existem amostras de seu DNA em laboratórios russos e americanos. Mentes afoitas dirão que pode virar uma arma biológica.

Gripe de 1918, ou vulgo, Espanhola

Pra quem viu "Crepúsculo" o Edward Cullen morreu disso... E daí? Problema é dele! Mas brincadeiras a parte, esta famosa pandemia foi causada por uma espécie de Influenza do tipo A do subtipo H1N1. Embora tenha se alastrado por quase todo o globo, recebeu seu nome popular devido a Espanha, onde supostamente, o vírus fez sua maior quantidade de vítimas fatais.
Embora a ideia de um ser vivo (ou não, sei lá...) como um vírus, ser um conceito particularmente novo, Hipócrates no ano de 412 a.C. descreve doenças que possuem os mesmos sintomas que esta gripe, mesmo tendo sido atribuídos a outras causas.
Esta gripe assustou o mundo por vários motivos, mas o principal é porque matava jovens e adultos saudáveis. Isso é assustador ao se pensar que na época as condições de vida, embora tivessem melhorado, ainda deixavam a desejar, logo virar um adulto mostrava que seu sistema imunológico "tava mais que calejado". 
A Gripe de 1918 foi um marco por ter levado de 1 a 2% da população mundial.

HIV

Já muito conhecida, mas sempre esquecidas pela turma do "Isso não acontece comigo!".
O vírus da imunodeficiência humana é da família dos retrovírus e causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS). O HIV, basicamente, contém duas outras categorias de vírus: HIV-1 (com vários tipos designados de -A a -J) e HIV-2 (encontrado principalmente na África Subsaariana, e pouco comum no resto do mundo), ambos possuem distinções morfológicas.
Sua origem mais provável foi do consumo e manipulação de carne contaminada de chimpanzés na África, e embora o vírus tenha sido identificado somente em 1983, foram descobertas amostras de sangue de africanos coletadas em 1959 que já continham o vírus. 
Estima-se que tenha feito 25 milhões de vítimas até 1981, e há 33 milhões de pessoas que convivem com o vírus.
O HIV foi uma doença assustadora, que causou segregação de vários grupos (basta ver a antiga definição dos grupos de riscos, e verá claramente o preconceito), e que fez muitas vítimas. Hoje caminha-se para uma cura, e teorias da conspiração a parte (muitas dizem que ela já existe), ainda não se tem um tratamento definitivo.

Ebola

Considerado como um dos mais perigosos, o Ebolavirus, é uma espécie de filovírus de forma filamentosa que não possui classificação. Sua transmissão se dá por contato direto com fluídos de indivíduos infectados. Seus principais sintomas são febre alta e hemorragias graves, sendo o diagnóstico realizado pela análise do sangue e anamnése do paciente.
Não possui tratamento, porém algumas drogas tem surgido no horizonte de combate a este vírus. Por hora, somente o isolamento total dos infectados é realizado como forma de "tratamento".
Porque Deus é bom, o vírus tem ocorrência rara, surgindo em 1976 no Congo e no Sudão, com 602 casos e 431 mortes. Relata-se que os casos originaram-se do contato direto com primatas e animais selvagens.

Marburg

O vírus de Marburg (ou Marburgo) é o agente causador da febre hemorrágica de Marburg, que teve sua primeira epidemia em 1967. 
Sua fonte é desconhecida, sendo que o vírus é um tipo de filovírus (parente do ebola). A doença é caracterizada por súbito ataque de febre, dores de cabeça e mialgia após um período de incubação de 5 a 10 dias.
O primeiro relato do vírus ocorreu na cidade de Marburg, Alemanha. Técnicos de um laboratório que produzia a vacina contra a pólio, receberam macacos contaminados de Uganda com vírus, dos 31 técnicos que adoeceram, 7 morreram.
O vírus é infecta por meio do contato com secreções e sangue, sendo que o maior surto da doença (dada a letalidade) ocorreu em Angola (2004-2005) com 374 casos e 329 mortes.

Lassa

Causada pelo vírus Lassa (da família do Arena vírus) sua primeira aparição foi na cidade de Lassa, Nigéria em 1969. A infeccção se dá pela exposição à excrementos animais através do trato respiratório e gastrointestinal. O modo mais simples de contrair a doença é a inalação de partículas minúsculas de material infectado, porém é possível a infecção por meio da pele com machucados ou mucosas.
As primeiras vítimas do vírus foram duas freiras americanas que coordenavam uma escola em Lassa, estimativas ditam que o número de casos varia entre 300.000 e 500.000 por ano.
Devido ao período de incubação longo ( 7 a 10 dias), pode se alastrar para vários países por meio dos turismo.

Gripe Aviária (H5N1) 

Nome dado a uma variedade do vírus Influenza encontrado em aves, mas capaz de infectar diversos mamíferos.
O H5N1 é um tipo de vírus Influenza (o responsável pela gripe comum). O Influenza pode ser dividido em três tipos: A, B e C. O tipo A subdivide-se ainda em vários subtipos, sendo os subtipos H1N1, H2N2 e H3N2, responsáveis por grandes epidemias e pandemias.
Foi isolado pela primeira vez em 1996, em uma fazenda na província de Guangdong, na China. É transmitida principalmente pelo contato com aves infectadas. 
Seu índice de mortalidade é de 58,6%, ou seja, metade dos infectados morrem. Sua transmissão de humano para humano é rara.

SARS

A síndrome respiratória aguda é uma doença causada pelo coronavírus. 
Teve sua aparição em 2003, onde matou 9,6% dos infectados. Sua provável origem foi no consumo de civeta (um tipo de felino). A síndrome apareceu em Guangdong e se espalhou para mais de 30 países.
O vírus é considerado perigoso, por sua capacidade de mutação, pois em pouco tempo foi capaz de pular do civeta para o ser humano, sofrendo novas mutações e adquirindo a capacidade de ser transmitido pelo ar, aumentando sua chance de transmissão.

H1N1

A gripe H1N1, ou influenza A, é provocada pelo vírus H1N1 da influenza do tipo A. Ele é resultado da combinação de segmentos genéticos do vírus humano da gripe, do vírus da gripe aviária e do vírus da gripe suína, que infectaram porcos simultaneamente.
O período de incubação varia de 3 a 5 dias. A transmissão pode ocorrer antes de aparecerem os sintomas. Ela se dá pelo contato direto com os animais ou com objetos contaminados e de pessoa para pessoa, por via aérea ou por meio de partículas de saliva e de secreções das vias respiratórias. 
Após pânico inicial, observou-se que o vírus não é tão agressivo quanto se imaginava, sendo que tal fato, fomentou muitas teorias sobre os lucros da indústria farmacêutica gerados pelo alarde.
Os primeiros relatos do vírus surgiram em 2009, na América do Norte se espalhando com rapidez assustadora para 74 países. 
A gripe matou 44.100 pessoas no EUA contra 47.800 da gripe comum, embora tenha matado menos, o vírus da gripe suína atinge principalmente crianças e gestantes, enquanto o da gripe comum mata mais pessoas idosas (ou seja, com sua saúde já comprometida por outras doenças ou mesmo pelo declínio do sistema imune dada a idade).

NIPAH

Do gênero do Hepinavírus (que compreende mais duas espécies o vírus Hendra e Cedar Vírus). Tem sua origem na Malásia, onde morcegos contaminados entravam em contato com criadouros de porcos, que infectaram os tratadores através das fezes.
O vírus causa encefalite, que na grande maioria dos casos é mortal. Quando não mata, deixa profundas sequelas como convulsões e alteração da personalidade.
Este gênero de vírus é caracterizado por uma ampla gama de hospedeiros, sendo que em 2009 novas espécies foram descobertas sugerindo que a região de origem do mesmo (até então Austrália e Ásia), pode chegar até a África.
Possui uma mortalidade um pouco acima de 50%.

Sabiá

É uma espécie de vírus da família da Arenaviridae, causa febre hemorrágica, com náuseas e vômitos, progredindo para complicações renais e morte.
Foi descrito pela primeira vez em 1990 no bairro do Sabiá, Cotia (Grande São Paulo), a paciente "zero" morreu em 4 dias. O vírus ainda infectou mais 3 pessoas: 2 técnicos de laboratório que foram expostos ao sangue da paciente, e um operador de máquina de café no Espírito Santo. 
Suspeita-se que a transmissão se dê através de roedores, mas não sabe-se qual exatamente. 
Dos 4 infectados, os 4 morreram. Além da letalidade, outro perigo do vírus foi sua origem em uma área urbanizada.


Filmes Sobre o Assunto


Os 12 Macacos (1995) :No ano de 2035, a humanidade tenta sobreviver a um vírus desconhecido que já dizimou 99% da população mundial. Nesse contexto, um grupo desesperado de cientistas envia o voluntário Cole para o ano de 1996 para que ele descubra as origens da epidemia, que teria sido espalhada pelo misterioso exército dos 12 macacos.

Os filhos da Esperança (2006): Na Terra de 2027 uma epidemia faz com que os humanos se tornem inférteis. Faz quase 19 anos que o último bebê nasceu, e a cada ano que passa sem a presença inexplicável de crianças no mundo a humanidade vai acumulando o sentimento de desistir da vida.

Ensaios Sobre a Cegueira (2008): adaptação da obra de José Saramago, o filme mostra uma misteriosa epidemia de cegueira. A trama começa com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra fica cega também. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranoia contagiam a cidade.

Epidemia (1995): na trama, um vírus desconhecido extermina a população e os animais de uma pequena tribo na África. Convocados pelo exército americano para investigar a situação, o Dr. Sam Daniels (Dustin Hoffman) e sua equipe estão frente a frente com uma nova e perigosa doença. Estados Unidos, um macaco, portador do vírus, é contrabandeado para a pequena cidade de Cedar Creek e contamina o jovem Jimbo (Patrick Dempsey). Em pouco tempo, a doença começa a mostrar sinais de que está se espalhando a uma velocidade assustadora.

Eu sou a Lenda (2007): Em 2012, a cidade de Nova York aparece em ruínas. O cientista Robert (Will Smith)  é o único sobrevivente de uma epidemia, que começou três anos antes, com a tentativa de descobrir a cura do câncer. Em seu laboratório ele tenta encontrar um remédio para a doença e sai em busca de outros sobreviventes do surto. 

Fim dos Tempos (2008): O diretor de ‘O sexto sentido’ traz a história de uma família em fuga de um fenômeno inexplicável e irreversível, que ameaça a humanidade. A epidemia parece surgir do nada. Em questão de minutos, irrompem nas principais cidades americanas episódios de mortes arrepiantes e estranhas que desafiam a razão e surpreendem a mente por sua chocante capacidade de destruição.

Resident Evil: baseado na famosa franquia de games da Capcom, uma corporação chamada Umbrella conduz experiências genéticas ilegais em seu laboratório no subterrâneo de Raccoon City. Em um dia aparentemente normal na base, uma sabotagem faz com que o T-Vírus contamine o local e mate a todos. Um exército entra em ação para impedir que a epidemia se espalhe e lutar contra os zumbis devoradores produzidos pela contaminação.

A Epidemia (2010): a Refilmagem de “O Exército do Extermínio” (1973), de George A. Romero, narra a disseminação veloz de um vírus transmissível pelo ar que mata em poucos dias. Enquanto a epidemia se espalha cada vez mais rapidamente, médicos de todo o mundo correm contra o tempo para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver diante do desmoronamento da sociedade.

Invasores (2007): Nicole Kidman é uma psiquiatra de Washington que descobre a origem extraterrestre da epidemia e precisa lutar para proteger seu filho, que pode ter a chave para conter uma invasão iminente. Mistura de ficção científica e terror, que conta a história de uma misteriosa epidemia que altera o comportamento dos seres humanos.

Contágio (2011): o filme Steven Soderbergh baseado na epidemia do Nipah, descreve como ocorreu a epidemia, desde de sua descoberta a cura. Um fato interessante no filme, é você reparar no closes das mãos, diversos objetos, trazendo um enfoque de que tocamos em tudo a todo momento, logo não estamos livres de uma infecção.

Guerra Mundial Z (2013): Uma terrível e misteriosa doença se espalha pelo mundo, transformando as pessoas em uma espécie de zumbis. A velocidade do contágio é impressionante e logo o Governo americano recruta um ex-investigador da ONU (Organização das Nações Unidas) para investigar o que pode estar acontecendo e assim salvar a humanidade, tendo em vista que as previsões são as mais catastróficas possíveis. Gerry Lane (Brad Pitt) tinha optado por dedicar mais tempo a sua esposa Karen (Mireille Enos) e as filhas, mas seu amor a pátria e o desejo de salvar sua família acabam contribuindo para que ele tope a missão. Agora, ele precisa percorrer o caminho inverso da contaminação para tentar entender as causas ou, ao menos, indentificar uma maneira de conter o contágio até que se descubra uma cura antes do  apocalipse. Começa uma verdadeira corrida contra o tempo, que mostra-se cada vez mais curto, na medida que a população de humanos não para de diminuir. 


Nos primórdios de nossa civilização a humanidade acreditava que as doenças eram geradas por espíritos malignos, que mexendo com o equilíbrio de nosso corpo nos causavam doenças. Consideradas flagelos dos deuses para a humanidade transgressora, aqueles que sofriam do mal nada mais do que mereciam.
Existiam feiticeiros, curandeiros toda sorte de pessoas que se dispunham a fazer rezas, poções, cantos entre outros com o intuito de restabelecer a saúde. Muito do que conhecemos hoje sobre doenças e sobre medicamentos, se deve a estes primeiros hominídeos que através do erro e do acerto descobriram o que curava e matava. 
"O que arde cura, e o que aperta segura", minha avó dizia isso, quando tomava remédio ruins, pessoas vivas sentem dor, os mortos não (eu acho! Não descobri isso ainda). A verdade é que sempre andamos lado a lado com este lado sombrio da vida, que tememos, mas que nos fascina. Continuamos a aprender, apesar dos pesares!


Fontes:
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/droga-contra-infertilidade-feminina-pode-bloquear-acao-do-ebola
http://drauziovarella.com.br/letras/g/gripe-h1n1/
Wikipédia
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/biovirus.php

12 de fevereiro de 2012

Profissão: Músico

– E o que você anda fazendo da vida?

– Continuo com meu trabalho como músico, né, cada vez mais.

– Ah que legal!!! E qual é a sua profissão???

...

A música é sem dúvida uma das manifestações artísticas mais poderosas que existe. Como dito no prefácio de um livro de história da música (de cujo autor infelizmente não consigo me recordar), ela é a única das artes que não nasce da imitação da natureza. É o completo triunfo da natureza humana.

A despeito disso, é raro encontrar alguém que considere a música como profissão (mesmo dentre musicistas). Normalmente o conceito que vemos e ouvimos é de que músicos são boêmios, não estudam, não trabalham, levam uma vida fácil. E, curiosamente, essa última afirmação ainda lembra a profissão dita mais antiga do mundo. Duvido realmente que aquela profissão mais antiga fosse realizada sem nenhuma música de fundo...

Ocorre que ser músico é uma profissão, e das mais difíceis.

Profissão: Músico é um documentário (relativamente curto) realizado pelo Projeto Comma juntamente com Daniel Ignácio Vargas, que trata da difícil batalha diária que todo músico (que abraça a sua causa) enfrenta. Mostrando artistas do Brasil e de vários outros países, o documentário nos dá uma visão ampla de como é, hoje, a vida de um músico. Combate, por exemplo, a ideia de que baixar músicas de graça na internet deixa os músicos mais pobres. Mas combate também a noção de que ser músico é apenas farra, apenas sexo, drogas e rock'n roll.

Para interessados, o blog Profissão Músico contém mais informações sobre o documentário.

Com vocês, a profissão realmente mais antiga do mundo: músico!

18 de janeiro de 2012

O pequeno Frank de Burton

Frankenweenie, animação em stop-motion de Tim Burton (Alice no País das Maravilhas), ganhou mais uma nova imagem.

O longa é adaptação de curta-metragem homônimo do próprio Burton, de 1984, que ganhará versão em 3D nos cinemas. Conta a história do jovem Victor Frankenstien que realiza um desastrado experimento para trazer de volta à vida seu cachorro Sparky, atropelado por um carro.

Para dublar os personagens, Tim Burton chamou alguns velhos conhecidos como Winona Ryder (Edward Mãos de Tesoura), Catherine O'Hara (Os Fantasmas Se Divertem), Martin Short (Marte Ataca!) e Martin Landau (Ed Wood).

A estreia do filme está prevista para 2 de novembro deste ano. Abaixo, o terceiro filme da carreira deste grande diretor.


28 de novembro de 2011

Vida e Morte da Porraloca!


Ninfomaníaca? Bêbada? Viciada? Não existem adjetivos próprios e impróprios que descrevam Rê Bordosa. A diva do mundo underground é uma criação do cartunista Angeli.

Criada em 1984, Rê Bordosa era o símbolo de uma época: mulheres entrando na meia idade que viviam seus problemas existenciais em meio ao sexo livre, drogas e tudo o mais que viesse. Uma personagem de caráter escrachado e sem qualquer pudor, o que confere todo seu charme.

Personagem de maior sucesso de Angeli, Rê Bordosa fez sua primeira aparição na antiga revista Chiclete com Banana, e fez grande sucesso. Tamanho, que foi morta pelo autor, para que ela não estigmatizasse a carreira do mesmo. Aqui uma entrevista retirada do site Universo Hq, onde o autor comenta sua conturbada relação com a personagem:

Pergunta - Exatos 13 anos depois da morte da Rê Bordosa, a personagem ainda te incomoda?

Angeli - Bom, creio que não me incomoda mais. Até porque o que mais me angustiava era a possibilidade da existência dela se tornar um grude na minha carreira. Daí a decisão de matá-la.

Pergunta - Você já comentou que começou a se sentir incomodado com a possibilidade da personagem ficar maior do que o autor. Foi isto que o levou a parar de publicar tiras da personagem?

Angeli - Sim, é verdade. Sempre me irritou muito em entrevistas de outros desenhistas aquela coisa do "mundo encantado de Maurício de Sousa", ou "mundo encantado de Saci Pererê" (Ziraldo). Enfim, o mundo encantado de qualquer coisa. O meu projeto não tinha muita pretensão de seguir uma trajetória específica, mas a visão que eu tenho do meu trabalho é que, no todo, ele resulte em uma crítica de comportamento, no qual todos os personagens, charges e textos se juntem em uma crítica só.

Pergunta - No caso de Rê Bordosa, a personagem seguiu um caminho diferente, fugiu a seu controle?

Angeli - Quando eu percebo que alguma coisa está tomando um rumo que sai um pouco fora deste projeto, começa a me incomodar. E a Rê Bordosa, de alguma forma, estava apagando o brilho dos outros personagens.

Pergunta - Como assim?

Angeli - Ela era uma personagem muito forte e gostosa de trabalhar, mas problemática. O meu medo foi sempre de ter que carregá-la e me ver obrigado a desenhá-la até por uma questão de mercado. O leitor gosta, funciona, claro. Mas se eu fosse fazer um livro tinha que botar ela na capa, e isso começou a me incomodar. Qualquer proposta que de trabalho, era com a Rê Bordosa em primeiro lugar. E meu objetivo era fazer uma coisa mais ampla do que uma personagem.

Pergunta - A Rê Bordosa foi assassinada há 14 anos. Ela era muito voltada a mulher daquela época (1984 a 1987). Você acha que atualmente existem muitas Rê Bordosas por aí?

Angeli - As leitoras da época da Rê Bordosa continuam muito fiéis a ela. As mulheres de hoje que não a leram, possuem os mesmos problemas que ela tinha na década de 80. Creio que agora a autodestruição, através do sexo, do álcool e do cigarro é menor. Esta geração ainda tem um sentimento de culpa, problemas de adequação com o sexo oposto, com uma sociedade machista e também diante do que as mulheres acham o que é certo ou errado.

Pergunta - Como você contextualizaria sua personagem naquela época?

Angeli - A Rê Bordosa era um corpo estranho no movimento feminista ou machista, seja o que isso fosse. Então, hoje em dia ainda tem esses problemas, mas a forma de atuar é diferente. Talvez a droga que se usa hoje seja diferente e o álcool não esteja tão presente. E tem também a AIDS, que mudou muito o comportamento das mulheres.

Pergunta - A Rê Bordosa nasceu em 1984 e morreu em 1987. A AIDS já estava começando a ser discutida. Hoje, você acha que, com o tempo, a AIDS poderia mudar o comportamento da personagem?

Angeli - Acho. Eu não gostaria de mudar o meu personagem por causa de uma doença que surgiu. Mas, sem dúvidas, o comportamento sexual da mulher de hoje mudou. Fazer loucuras sexuais não é mais a mesma coisa de quando a Rê Bordosa fazia. Como, por exemplo, levar um time de futebol para dentro da banheira. Acredito que isto não existe mais.

Pergunta - Em algum momento da vida você se sentiu Rê Bordosa?

Angeli - Pode falar de uma década toda (risos)

Pergunta - Conte uma história de Rê Bordosa que você tenha vivido...

Angeli - Uma vez rolou uma bebedeira muito grande, e eu e o Homero (amigo de infância) acabamos presos na 4ª delegacia. Fizemos um teatro lá dentro, estávamos tão bêbados que começou a achar engraçado tudo aquilo. Tomamos umas porradas e pontapés e mandaram a gente embora.

Tinha um poste na frente da delegacia, e a coisa que nós dois mais queríamos era fazer xixi. Então, descemos as escadas, paramos no poste e começamos a mijar, um de cada lado do poste. Acho que isso é uma atitude de Rê Bordosa.

Tem também um outro caso que aconteceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Eu e Glauco (cartunista) ficamos bebendo uma semana inteira, e fomos atrás das menininhas da cidade. Nessa mesma viagem, arrumei uma namoradinha e fui para a casa dela. Fiquei lá um tempo, namorei e tudo. Umas 6h da manhã, eu falei: "Não vou dormir aqui, vou para minha casa". Saí de lá, mas esqueci que Ouro Preto é feita de ladeiras intermináveis, e eu não havia calculado o quanto tínhamos andado de madrugada até chegar na casa da menina. E foi um sufoco até chegar no hotel, eu me arrastava por aquelas ladeiras, com os bofes para fora. De repente abrem uma fresta de uma janela e gritam: "Aí, Angeli, tá longe de casa, hein, meu?" Eu só consegui lançar uns grunhidos, mas não tinha nem ideia de onde vinha o grito.

Para matar a saudade dos fãs, a Devir / Jacarandá lança uma coleção com as obras de Angeli. Rê Bordosa, vida e obra da porraloca é o terceiro volume da série Sobras Completas do autor.

Outra grande homenagem à personagem foi Dossiê Rê Bordosa, um curta metragem, feito em stop-motion, dirigido por César Cabral, que tenta explicar os motivos que acarretaram a morte de Rê Bordosa por seu próprio criador, o cartunista Angeli.




Links:

Sites Interessantes:
  • Universo Online - onde se encontra uma novela feita especialmente para internet, em que o autor ressuscita sua falecida personagem.
  • Dossie Rê Bordosa - um site onde você pode encontrar maiores informações sobre o curta.
  • Devir - site onde você pode encontrar informações sobre as publicações de Angeli.

6 de novembro de 2011

Flor de Neve e o Leque Secreto


Flor de Neve e Lírio são duas meninas que vivem na China do século 19. Embora vivam em condições de vida diferentes, elas possuem as mesmas obrigações: a de serem esposas perfeitas de maridos que nunca viram. A única escolha de uma mulher seria a da amizade, assim elas se tornam Iaotong, amigas por toda eternidade.

Mais tarde separadas elas passam a se comunicar por meio de leques, onde escreviam utilizando a escrita Nushu, conhecida somente por mulheres.

Paralela as histórias de Flor de Neve e Lírio, Nina e Sophia, duas amigas que vivem no século 21, descobrem a beleza da tradição do Iaotong, mas também descobrem a dificuldade de mantê-lo atualmente.


Flor de Neve e o Leque Secreto é baseado no livro de mesmo nome da autora Lisa See, e apresenta de forma sensível o universo dessas mulheres que sofriam a mutilação de seus pés, pois isso era o padrão de beleza da época. Embora aparentem fraqueza, as mulheres possuíam um universo único, paralelo ao mundo em que viviam. Tal universo ao meu ver é representado na escolha do Iaotong, o laço de amizade e amor que unia duas mulheres.

Contudo, o filme apresenta paralelamente a história de Nina e Sophia, que embora vivam em uma sociedade menos opressora, também possuem suas obrigações e tragédias pessoais. Assim, elas encontram na tradição do Iaotong uma forma de superação.

As duas tramas são emendadas, colocando uma nova perspectiva na história, que até então girava somente em torno do laço forte de amizade.

O silêncio que muitas vezes toma conta da cena é impressionante, sendo então completado por uma trilha sonora tocante. O filme conta um segredo para o espectador, e aqueles que interagem com as personagens parecem alienados, muitas vezes não compreendendo o comportamento das Iaotong.

Por fim, o filme termina com cenas belíssimas de telas em preto e branco.

Vale a pena conferir!


5 de outubro de 2011

A Invenção de Hugo Cabret

O livro conta a história do órfão Hugo Cabret, que vive em uma estação de trem na França no início do século XXI, onde cuida da manutenção dos relógios do lugar. Hugo possui um segredo, e este segredo lhe consome, porém sua vida muda ao ser pego roubando da loja de brinquedos da estação, onde o idoso dono do lugar e sua sobrinha aos poucos descobrem a verdade sobre o menino, e este aos poucos descobre que o seu segredo é bem maior e mais profundo.

O enredo do livro nos apresenta um pouco da origem do cinema, trazendo as emoções das primeiras apresentações de filmes ao grande público, a sensação de novidade, o medo, e principalmente toda a magia contida.

Lembrando um pouco de Will Eisner, o livro mescla ilustrações com texto, onde o autor tenta impregnar seu livro com um ar cinematográfico. Com ilustrações bem feitos, cenários bem construídos por meio do desenho, o autor não perde tempo descrevendo nada, concentra-se somente na história. Existem partes puramente visuais, e os efeitos de edição, os desenhos, além das sombras e enquadramentos, conferem uma atmosfera de suspense e perseguição como em um cinema.

O livro já foi adaptado para os cinemas sob a direção de Martin Scorsese ("Ilha do Medo"), e conta no elenco com: Asa Butterfield, Chloe Moretz, Jude Law, Helen McCrory, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Sacha Baron Cohen, Ray Winstone. Deve estrear nos cinemas em 2012.

Um livro que vale a pena ler, uma leitura fácil, rápida (ainda que ele tenha 500 páginas), e leve. Vale a pena conferir o site do livro!

28 de agosto de 2011

Edith Piaf

Não! Sem arrependimentos
Não! Eu não terei arrependimentos
Todas as coisas
Que deram errado
Pelo menos terei aprendido a ser forte
Non, Je Ne Regrette Rien -Edith Piaf

Este trecho define muito bem Edith Giovanna Gassion, ou como ficou mundialmente conhecida Edith Piaf. Cantora e letrista francesa, nasceu em Paris em 1915, filha de um contorcionista acrobata e de uma cantora de cabaré.

A infância de Edith foi muito difícil, marcada por desgraças: seus pais eram alcoólatras, tendo sido abandonada pela mãe.

Aos 16 anos, ficou grávida de Marselle, que morreu aos dois anos. Marcada por essa tragédia, Piaf continuou a cantar nos cafés e clubes da Rua Pigalle, endereços recomendados na Paris da época.

Piaf teve sua vida transformada por Louis Leplée, proprietário do cabaré Gerny's, um dos mais conhecidos de Paris. Com seu sucesso, ficou conhecida como "Mome Piaf" (pequeno pardal).

Contudo, a vida voltou a castigar a jovem Piaf, visto que Leplée foi encontrado morto no clube que dirigia. A cantora foi suspeita do assassinato. A imprensa a acusou e a elite parisiense lhe voltou as costas. Assim, Edith Piaf voltou a misturar-se com as pessoas dos piores bairros de Paris, levando uma vida desregrada.

Piaf, no entanto, voltou a brilhar ao final da 2ª Guerra Mundial, voltando aos grandes cenários da França, Europa e da América. Tornou-se a grande dama da canção francesa, ajudando talentos emergentes. Em 1946, foi para New York onde conheceu o boxeador Marcel Cerdan, morto em 1949, quando sofreu um acidente de avião. Isso causou em Edith uma profunda depressão, que a fez utilizar álcool e tranquilizantes para superar o trauma. Esta foi a época de seus grandes sucessos: La Vie En Rose e Le Trois Cloches.

Em 1950, triunfou no Olympia, e em 1956 no Carnegie Hall, em New York. Porém, depois de um acidente, Piaf ficou desfigurada e tornou-se viciada em morfina. Com saúde frágil, em 1959 teve seu diagnóstico de câncer.

Morreu aos 47 anos, em Florence no ano de 1964.


Algumas obras de Edith Piaf:


Piaf - Um Hino ao Amor, em minha opinião, é uma belíssima homenagem a esta cantora. A caracterização da atriz Marion Cotillard se percebe nos trejeitos, resumindo a força e a fragilidade de Piaf.

A tragédia, as drogas, tudo é tratado de forma sutil, evidenciando a pequena e frágil Pardal, que se torna um verdadeiro cisne em palco.

O filme é uma delicada biografia, um trágico conto da vida de Piaf, mas também é um filme que nos fala de amor, em todas as formas, inclusive as mais cruéis.

4 de julho de 2011

O Retrato de Dorian Gray


Baseado no romance de Oscar Wilde " O Retrato de Dorian Gray", o filme de mesmo nome seria a décima adaptação do personagem de Wilde.

Embora seja a primeira adaptação que assisto, gostei muito, o enfoque da tríade Dorian, Basil e Lorde Henry é interessante, sendo evidenciado todo o processo de decadência pelo qual o jovem Dorian passa. Além da crítica ácida aos modos hipócritas da sociedade tão bem evidenciados no personagem de Henry.

O amor idílico de Basil e o desejo de Henry pela beleza de Dorian, sentimentos que levam a execução do quadro, são mostrados como dois polos que entram em conflito pela posse do jovem, principalmente em relação a Basil, que encontra sua decadência quando transcende a linha entre a devoção e a entrega absoluta.

Dorian por sua vez interpretado por Ben Barnes, não nos é mostrado de uma forma angelical, como no livro, mas sim como um jovem de modos brutos e inocentes que se deixa levar pelo hedonismo londrino. Sua inocência é demonstrada de forma corporal, e não em sua beleza física.

Por fim, o elemento principal, o quadro de Dorian, que sofre todas as agruras do tempo e de seu modo de vida relapso e prejudicial. A transformação mostrada para mim foi um pouco exagerada, mas a relação que Dorian tem com o quadro quando o descobre a verdade de sua existência e o quanto isso o afeta, foi bem explorada, principalmente no diálogo entre Dorian e um padre, onde a maldição do jovem transcende a fé ignorante do padre.

Enfim, um filme muito interessante e bem feito, vale a pena assistir!

Fonte: Site.

13 de junho de 2011

O Nome da Rosa

Fazia um bom tempo que estava para assistir "O Nome da Rosa", estava um pouco receosa sobre esse filme, contudo ao assistir fiquei extremamente satisfeita.

O filme é baseado no livro de Umberto Eco, que se passa na última semana de novembro de 1327 num mosteiro do século XIII onde ocorrem assassinatos misteriosos.

Este mesmo local, onde ocorrem tão sinistros assassinatos, receberá uma importante discussão, e resolução de um impasse, entre duas ordens distintas do clero da época: os franciscanos, que pregam a simplicidade e humildade, e os beneditinos, que vivem de uma forma luxuosa.

O personagem central William de Baskerville é um franciscano, porém é também um homem de conhecimento, justo, e apegado a "razão", contrastando com os valores pregados pela Igreja. Possuidor de um astrolábio, um quadrante e lentes de aumento, o autor completa a figura de William como um filósofo e um pensador, não sendo então, um joguete da igreja.

Seu pupilo Adson, é jovem, sua juventude e inocência, o protegem de ser manipulado, e sua visita a abadia faz com que ele conheça uma jovem garota, que devido a sua pobreza é usada pelos monges para satisfazer seus desejos sexuais em troca de alimento. Adson se apaixona por ela, e tem sua primeira experiência sexual, esse acontecimento lhe trás um elo entre o que ocorre fora da vida eclesiástica, lhe trazendo a realidade dos gentios explorados pela Igreja.

Assim, William e Adson, como Sherlock Holmes e Watson, tentam buscar por meios lógicos os culpados dos assassinatos que ocorrem na abadia, em meio a histeria da crença de obras demoníacas.

O nome do filme tem referência na expressão usada na Idade Média que servia para denotar o infinito poder das palavras, mas para mim em uma das cenas finais, essa expressão muda de sentido denotando a "eterna dúvida". Enredo interessante e completo, cenários bem construídos, boas atuações, personagens profundos e bem elaborados, e uma história que prende do começo ao fim, fazem com certeza valer a pena assistir a esse filme!


Onde Vivem Os Monstros

Baseado no romance de Maurice Sendak "Onde vivem os Monstros" conta a história de Max, um garoto de nove anos de idade que aprende a lidar com seus sentimentos, com destaque para raiva.

Após uma explosão de raiva, ele foge de casa e se esconde, e é levado para uma terra estranha onde vive sete monstros, ali Max é coroado rei.

Cada monstro vem a representar um aspecto da personalidade de Max, sendo Carol a representação de sua raiva e impulsividade, logo ele se torna o mais próximo do menino. Seus enfrentamentos com cada um dos monstros e sua relação com eles aos poucos vão desvendando a Max aspectos de si mesmo, de uma forma infantil ele observa a si mesmo, e seu relacionamento com a mãe (representados nos momentos com KW).

O filme é bem interessante, mas deixa um pouco a desejar em muitos aspectos, principalmente para seu público alvo (infantil), o filme sofreu um atraso de 2 anos, por falta de verbas e pela insatisfação dos produtores com obra. A trilha sonora, idealizada por Karen O. deixa a desejar nos momentos em que se exige seriedade, mas orna perfeitamente com os momentos de bagunça e selvageria vividos por Max e seus súditos monstruosos.

No geral, acho que a proposta de reflexão do filme é muito boa, e a forma como a personalidade de cada monstro foi trabalhada é interessante. Vale a pena assistir!