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11 de dezembro de 2013

The Idan Raichel Project

    Eu já havia apresentado em postagem anterior (link) este renomado artista, e indo contra a ideia de que tudo que é bom dura pouco, Idan Raichel continua surpreendo...
    Em seu novo trabalho, ele novamente junta várias influências buscando em diferentes culturas, instrumentos e línguas sua musicalidade única. "Quarter to six" é mais um surpreendente trabalho, que encanta os ouvidos, enleva a mente...

    Neste álbum há participações de artistas de Portugal (Ana Moura), Alemanha (Andreas Scholl), Colombia (Marta Gomez), Palestina e Israel.
    No primeiro vídeo "Mon Amour", todas as fotos foram realizadas por Ziv Koren, um fotográfo israelita, sendo dirigido por Gal Katzir. A voz é de Vieux Farka Touré (Mali).













Site Oficial do Artista

6 de setembro de 2013

Roses - Cecile Corbel

    
     Já falei anteriormente sobre a cantora Cecile Corbel em uma postagem e  no quanto me impressionei com sua música! Embora tenha sempre uma de suas canções ao pé do ouvido, confesso, que não acompanhava muito seus lançamentos, mas que sorte a minha ao buscar ouvir uma música favorita (Siuil a Run - música tradicional irlandesa), me deparo com este novo vídeo:


 

     Voltei a me enamorar de Cecile Corbel, e até agora não me canso de ouvir. Com seu novo álbum, Song Book Vol. 4 - Roses, a cantora demonstra cada vez mais seu talento, amadurecendo sua música, me chamando atenção bem mais do que o Song Book Vol. 3 - Renaissance, porém este não deixa a desejar, como pode-se ver no vídeo abaixo:


   Não dilacero os mecanismos que tornam a obra de Cecile Corbel tão encantadora, quaisquer características do refino de sua música me são passados na forma de sentimentos, não conseguindo então tecer palavras exatas, deixo-me levar por sua arte! Um belo reencontro!!

23 de março de 2012

Sobre alguém interessante

Há muito tempo ouvi falar de uma sonata de Beethoven, "apelidada" de Waldstein. Parecia-me ser uma das obras para piano mais difíceis, já que foi no contexto de virtuoses que vi o nome tão singular. Parecia ser obra complexa, intrincada, de assimilação lenta.

Cheguei mesmo a encontrar uma interpretação da alemã Alice Sara Ott, mas não a escutei. Talvez por receio de me amedrontar com a dificuldade, mas por certo que não era o momento apropriado – naquela época talvez não entendesse a dita riqueza dos sons.

Bem, há quase dois meses consegui com um professor uma coleção contendo todas as sonatas para piano de Beethoven, interpretadas pelo pianista argentino Daniel Barenboim – e, claro, entre elas estava a Waldstein.

Surpresa agradável, deliciei-me com a forma como Waldstein discorre, por meios ainda tonais mas certamente avançados para a época, entre a euforia e a depressão. Tão maravilhado fiquei, que a escutei repetidas vezes, por repetidos dias. Até que veio a erva daninha...

Por escutá-la demais, a sonata não me deixava só. Ouvia-a no trânsito, nas palavras, na comida, no atraso e no descanso. E quando digo que a ouvia, era ouvir internamente. Suas notas sobrepujavam qualquer tentativa de recordar outra música, por vezes mesclando-se com as novas notas, até que não houvesse outra música senão um dos seus três movimentos.

Um certo desespero tomou conta, naturalmente, levando a tentativas sucessivas de, se não esquecer, ao menos enxertar outras notas no lugar. Tarefa fácil não foi, mas penso que consegui. Ouço agora mesmo o silêncio reconfortante das árvores, e nem uma única vez, enquanto deitava estas linhas sobre o papel, passou pela minha mente a tão falada Waldstein.

Às vezes, eu acho, é preciso ouvir o silêncio para que os sons façam algum sentido.





Em 22/03/2012, em um bloco de papel, por volta do meio dia.

17 de fevereiro de 2012

Uma fermata...

Pois então aqui estou, no fim de mais uma tarde, sufocando o cansaço com meu próprio reflexo. A velocidade das horas, a intensidade das cores é tamanha, que às vezes me interrompo, recostado em algum repouso, para respirar e tentar olhar, ainda que furtivamente, pela fresta da fechadura da grande porta que cruzo a cada dia. Sobram-me lapsos, momentos de um espectro, sempre perto, sempre longe, em que vislumbro o clímax, o apogeu, o fortíssimo de uma peça que jamais parece evoluir. E então, como perdesse o trem na estação, salto novamente para alcançar o ritmo inevitável da rotina.

Por acaso ela, a rotina, roubou o sangue pulsante? É então assim que, tendo se acostumado com as chibatadas, o escravo cede o último átimo de dignidade? Eis que eu me renovo a cada vento noturno, mas é assim que as cicatrizes se acumularam sem que eu ao menos percebesse – e se percebi, não me esforcei com a esquiva – ?

A rapsódia dos últimos tempos, porém, talvez traga esperança: que o negro cálido ardor por ora queima, ainda que a casa esteja mal iluminada; que o grito ainda tem força; e que o coda final, ainda que curto, encerra a cadência mais pungente de todas.





Escrito em um pequeno bloco de papel, em 16/02/2012, por volta das 18 horas.

Ouvindo o trânsito por uma janela de ônibus.



* Fermata é um símbolo, usado em notação musical, para indicar que uma nota ou pausa deve ser mantida por mais tempo que o normal, ficando essa duração a critério do intérprete. Aparece normalmente no final de períodos ou mesmo da própria peça.

12 de fevereiro de 2012

Profissão: Músico

– E o que você anda fazendo da vida?

– Continuo com meu trabalho como músico, né, cada vez mais.

– Ah que legal!!! E qual é a sua profissão???

...

A música é sem dúvida uma das manifestações artísticas mais poderosas que existe. Como dito no prefácio de um livro de história da música (de cujo autor infelizmente não consigo me recordar), ela é a única das artes que não nasce da imitação da natureza. É o completo triunfo da natureza humana.

A despeito disso, é raro encontrar alguém que considere a música como profissão (mesmo dentre musicistas). Normalmente o conceito que vemos e ouvimos é de que músicos são boêmios, não estudam, não trabalham, levam uma vida fácil. E, curiosamente, essa última afirmação ainda lembra a profissão dita mais antiga do mundo. Duvido realmente que aquela profissão mais antiga fosse realizada sem nenhuma música de fundo...

Ocorre que ser músico é uma profissão, e das mais difíceis.

Profissão: Músico é um documentário (relativamente curto) realizado pelo Projeto Comma juntamente com Daniel Ignácio Vargas, que trata da difícil batalha diária que todo músico (que abraça a sua causa) enfrenta. Mostrando artistas do Brasil e de vários outros países, o documentário nos dá uma visão ampla de como é, hoje, a vida de um músico. Combate, por exemplo, a ideia de que baixar músicas de graça na internet deixa os músicos mais pobres. Mas combate também a noção de que ser músico é apenas farra, apenas sexo, drogas e rock'n roll.

Para interessados, o blog Profissão Músico contém mais informações sobre o documentário.

Com vocês, a profissão realmente mais antiga do mundo: músico!

14 de janeiro de 2012

Canto Gregoriano e sua nova roupagem

O canto gregoriano é uma antiga manifestação musical do Ocidente, com raízes nos cantos das antigas sinagogas. O canto surgiu da junção da cultura dos judeus convertidos, que cantavam os salmos e cânticos do Antigo Testamento, com elementos da música e da cultura greco-franco-romana, que foram acrescentados pelos gregos e romanos que se convertiam.

O período de formação do canto gregoriano vai dos séculos I ao VI, com auge nos séculos VII e VIII, mantendo-se com certa popularidade nos séculos IX, X e XI, quando inicia-se sua decadência.

A denominação "Gregoriano" ficou como homenagem ao papa Gregório Magno (540-604) que publicou, em 2 livros, uma coletânea de peças (Antifonário, melodias referentes às horas canônicas, e o Gradual Romano, contendo os cantos da Santa Missa). Gregório também iniciou a Schola Cantorum, que proporcionou grande desenvolvimento ao canto gregoriano.

No final do século XIX, o Mosteiro de São Pedro de Solesmes (França), a partir da iniciativa de Dom Mocquereau, tornou-se o grande centro de estudos e práticas do canto gregoriano. Ali também iniciou-se o trabalho de recuperação de antigos manuscritos do século VIII e IX, sobre o canto gregoriano.

No século XX, o papa Pio X pede aos monges para realizarem uma edição moderna com referência nos manuscritos, surgindo então a Edição Vaticana. Em 1985 foi lançada uma outra edição chamada Graduale Triplex com as 3 notações do canto gregoriano: a Vaticana, a de Laon (França) e a de Saint Gaal (Suíça).

As principais características do canto gregoriano, ou canto chão, são: as melodias cantadas em uníssono, sem predominância de vozes (homofônico); ritmo livre, sem compasso, baseado na acentuação e no fraseado; cantado sem acompanhamento de instrumentos musicais; e letras em latim, baseadas em sua grande maioria nos textos bíblicos.

A partir de 1994, lançou-se um novo olhar para o canto gregoriano, quando a gravadora EMI lançou em CD um disco que havia sido gravado há mais de 20 anos pelos monges do Mosteiro de Santo Domingo de Silos; o disco alcançou um sucesso considerável, atingindo a marca de 5 milhões de cópias vendidas.

Atualmente, existem vários grupos que executam versões de músicas famosas em estilo gregoriano. Um desses grupos é o Gregorian.

Gregorian é um projeto musical alemão liderado por Frank Peterson, que faz versões de músicas dos anos 60 aos dias de hoje. Formado por 8 vozes, o grupo foi considerado um modismo, mas a partir de 1998 o projeto passou a focar mais em sons populares e traduzi-los para o estilo gregoriano.

Os nomes das vozes deste projeto são: Richard Naxton, Johnny Clucas, Dan Hoadley, Chris Tickner, Richard Collier, Gerry O' Beime, Lawrence White e Rob Fardell.



29 de novembro de 2011

A Irrelevância da Música

Qual o seu artista musical preferido? Ah sim, claro. Ele/ela tem realmente uma beleza estonteante. E sua atitude é sem dúvida parte intrínseca de sua arte. As letras das músicas são verdadeiros poemas, talvez em línguas mortas ou dissecando problemas sociais. Inegável dizer, também, que suas roupas, seus conflitos e as declarações na mídia são totalmente coerentes com sua revolta contra a sociedade. Mas.... espere.... e a sua música?

Geralmente, quando se fala de música, é ela própria o que menos importa. Por mais paradoxal que possa soar esta afirmação, ela é plenamente verificável em qualquer discussão a respeito do assunto. Seja na informalidade de uma mesa de botequim ou na mídia mais especializada, há quase sempre uma série de fatores que se sobrepõem ao dado sonoro, obstruindo sua apreciação.

Recebi muito recentemente um link, por compartilhamentos de redes sociais, do Paulo Raposo, um compositor do Vale do Paraíba, São Paulo, mais precisamente de Pindamonhangaba. O link em questão é o texto intitulado A Irrelevância da Música, publicado em março de 2008 no portal Trópico da UOL, de autoria de Matheus G. Bitondi, e que discursa sobre a minúscula importância real que se dá à música quando falamos de música.

E o mais interessante é que o texto não se limita à música popular, como se poderia supor. A própria música erudita, com seus "deuses" inatingíveis, é colocada em foco.


Enfim, um texto que vale a pena ser lido e ponderado.

7 de setembro de 2011

Meredead - Leave's Eyes


Através da dica de um amigo voltei a ouvir Leave's Eyes, uma banda que respeito muito. A vocalista Liv Kristine e seu marido Alexander Krull sempre fizeram um Metal Sinfônico de qualidade utilizando como pano de fundo a mitologia nórdica.

Em seu novo álbum Meredead, a banda transcende seu gênero, apresentando um material, que embora não seja novidade, possui uma qualidade indiscutível. Os arranjos, as letras, os vocais todo o álbum apresenta uma atmosfera de velhas histórias ao pé da fogueira, que você se sente pronto a viajar à bordo de um Drakkar.

Meredead foi um mergulho profundo na história, segundo Liv Kristine no Myspace da banda: Quando começamos a compor as primeiras ideias de música para o nosso quarto álbum, todos nós estávamos muito ansiosos para dar mais um passo no reforço da sonoridade individual e no conceito do Leave's Eyes, como temos feito a cada álbum", comentou a vocalista, "Junto com o processo de composição, eu mergulhei nos temas das canções e em diversas fontes de literatura. Algumas músicas precisavam claramente de letras enraizadas na história e cultura do norte, bem como com temas místicos."

Sendo fã de inglês arcaico, decidi compor algumas das letras em inglês arcaico, o que é claro, inclui grandes estudos de conhecimento gramatico e fonético, o que eu gostei muito de fazer. Além de inglês arcaico e moderno, algumas canções são cantadas em norueguês, para manter sua força individual e focar em certos temas de gêneros especiais do canto norueguês.

Foi dado ao álbum o título Meredead. É uma criada por mim (pelo menos ainda não achei em dicionários) e pode significar "morte pelo/no mar", ou "mar mortal"".

É um álbum feito para fãs do gênero, para quem realmente aprecia, pois ele é bem repetitivo em um primeiro momento, mas cada música conta uma história, algumas chegam a ser verdadeiros chamados de guerra.

28 de agosto de 2011

Edith Piaf

Não! Sem arrependimentos
Não! Eu não terei arrependimentos
Todas as coisas
Que deram errado
Pelo menos terei aprendido a ser forte
Non, Je Ne Regrette Rien -Edith Piaf

Este trecho define muito bem Edith Giovanna Gassion, ou como ficou mundialmente conhecida Edith Piaf. Cantora e letrista francesa, nasceu em Paris em 1915, filha de um contorcionista acrobata e de uma cantora de cabaré.

A infância de Edith foi muito difícil, marcada por desgraças: seus pais eram alcoólatras, tendo sido abandonada pela mãe.

Aos 16 anos, ficou grávida de Marselle, que morreu aos dois anos. Marcada por essa tragédia, Piaf continuou a cantar nos cafés e clubes da Rua Pigalle, endereços recomendados na Paris da época.

Piaf teve sua vida transformada por Louis Leplée, proprietário do cabaré Gerny's, um dos mais conhecidos de Paris. Com seu sucesso, ficou conhecida como "Mome Piaf" (pequeno pardal).

Contudo, a vida voltou a castigar a jovem Piaf, visto que Leplée foi encontrado morto no clube que dirigia. A cantora foi suspeita do assassinato. A imprensa a acusou e a elite parisiense lhe voltou as costas. Assim, Edith Piaf voltou a misturar-se com as pessoas dos piores bairros de Paris, levando uma vida desregrada.

Piaf, no entanto, voltou a brilhar ao final da 2ª Guerra Mundial, voltando aos grandes cenários da França, Europa e da América. Tornou-se a grande dama da canção francesa, ajudando talentos emergentes. Em 1946, foi para New York onde conheceu o boxeador Marcel Cerdan, morto em 1949, quando sofreu um acidente de avião. Isso causou em Edith uma profunda depressão, que a fez utilizar álcool e tranquilizantes para superar o trauma. Esta foi a época de seus grandes sucessos: La Vie En Rose e Le Trois Cloches.

Em 1950, triunfou no Olympia, e em 1956 no Carnegie Hall, em New York. Porém, depois de um acidente, Piaf ficou desfigurada e tornou-se viciada em morfina. Com saúde frágil, em 1959 teve seu diagnóstico de câncer.

Morreu aos 47 anos, em Florence no ano de 1964.


Algumas obras de Edith Piaf:


Piaf - Um Hino ao Amor, em minha opinião, é uma belíssima homenagem a esta cantora. A caracterização da atriz Marion Cotillard se percebe nos trejeitos, resumindo a força e a fragilidade de Piaf.

A tragédia, as drogas, tudo é tratado de forma sutil, evidenciando a pequena e frágil Pardal, que se torna um verdadeiro cisne em palco.

O filme é uma delicada biografia, um trágico conto da vida de Piaf, mas também é um filme que nos fala de amor, em todas as formas, inclusive as mais cruéis.

21 de agosto de 2011

Cordel do Fogo Encantado

Uma vez ganhei uma camiseta, foto estranha, e nela estava escrito Cordel do Fogo Encantado. Tempos depois alguém me disse: "Essa banda é boa!"...Passado muito tempo depois... Depois da camiseta, depois da pessoa que me falara, eu vi um poema, e o poema era bom, veio alguém e disse novamente "da banda boa", ai ouvi com atenção, ouvi prestando a atenção devida, ouvi sem interferência da mente...e exclamei "Essa banda é boa!"


A banda Cordel do Fogo Encantado nasceu em Arcoverde, Pernambuco. Formada por José Paes de Lira, ou Lirinha, Clayton Barros e Emerson Calado, mais tarde em Recife, recebeu a adesão de Nego Henrique e Rafa Almeida.
A banda mistura elementos de poesia, música, espetáculo teatral, suas apresentações surpreenderam pela magia do clima teatral, pela força de sua sonoridade, utilizando misturas ousadas de instrumentos percussivos com a harmonia do violão raiz.
Sempre surpreendendo, atraindo críticas positivas sobre o trabalho a banda teve seu fim em fevereiro de 2010, quando Lirinha anunciou a sua saída, alegou que tinha necessidade de trilhar novos caminhos.

Cordel do Fogo Encantado (2001)


O Palhaço do Circo Sem Futuro (2002)


MTV Apresenta (2005)


Transfiguração (2006)

14 de dezembro de 2010

Trilha Sonora "Na Natureza Selvagem"


           Certamente, a trilha sonora é um elemento chave de um filme, ela, assim como os cenários, a interpretação dos atores, e todo o mais contribui de forma relevante para o sucesso de "criar o clima" da cena. Mas, existem aquelas trilhas sonoras que se sobressaem, tornam-se algo a parte do filme.
          Foi o que aconteceu com a trilha sonora do filme "Na Natureza Selvagem", dirigida por Eddie Vedder sob encomenda de seu amigo Sean Penn (diretor do filme). 
           Vedder fez a trilha após voltar da turnê com Pearl Jam, executando-a em 3 semanas, entre composição e gravação. A trilha sonora é poética, despojada e extremamente sensível. A faixa Guaranteed, ganhou o Globo de Ouro e foi indicada ao Grammy. Uma trilha sonora linda e viciante.

Faixas:
1 - Hard Sun
Escrita por Gordon Peterson.
Interpretada por Eddie Vedder.

2 - Society
Escrita por Jerry Hannan.
Interpretada por Eddie Vedder.

3 - Setting Forth
Por Eddie Vedder.

4 - No Ceiling
Por Eddie Vedder.

5 - Far Behind
Por Eddie Vedder.

6 - Rise
Por Eddie Vedder.

7 - Long Nights
Por Eddie Vedder.

8 - Tuolumne
Por Eddie Vedder.

9 - The Wolf
Por by Eddie Vedder.

10 - End of the Road
Por Eddie Vedder.

11 - Guaranteed
Por Eddie Vedder.

12 - Going up the Country
Por Canned Heat.

13 - King of the Road
Escrita e Interpretada por Roger Miller.

14 - Doing the Wrong Thing
Por Kaki King.

8 de novembro de 2010

L'ham de Foc


            L'ham de foc é um grupo formado por músicos valencianos, formada em 1998. A temática recorrente nas músicas é a medieval, com influências mediterrâneas e do Oriente Médio. No entanto, o toque único da banda é cantar suas músicas em catalão, acompanhada com a bela voz de Mara Aranda.
         Outro toque único da banda é utilização de vários instrumentos: gaita galega, búlgara, dolçaina, didgeridoo, clarinete, aerofones aparentados com a bombarda bretã e o duduk armênio. Em instrumentos de percussão, podemos apreciar: darbuca, bendir, pandeireta, menuda, tamborina de cordas e tablas.
            L'Ham de Foc é um grupo completo, liderados por Mara Aranda e Efrén López, um música que te leva a uma viagem fantástica e atemporal, por um universo oriental único.
          É inegável a forma como podemos experimentar cada palavra, cantada docemente por Mara Aranda. 
             Um som que vale a pena ouvir!




               O grupo lançou 3 álbuns:
                          - 2000: U;
                          - 2002: Cançó de Dona i Home;
                          - 2006: Cor de Porc.

               Outros álbuns são projetos paralelos do grupo: o primeiro é uma parceria com o grupo alemão Estampie, Al Andaluz Project - Deus et Diabolous, e conta com as vozes de Mara Aranda (L'ham de foc), Sigrid Hausen (Estampie) e Iman al Kandoussi. O segundo chama-se Aman Aman.



Al Andaluz Project




Aman Aman



                Ambos os álbuns possuem músicas do gênero sefardita, música da tradição judaica que é interpretada numa língua chamada ladino (originalmente, uma mistura de castelhano, português e hebraico).
               O único defeito da banda é existir apenas em projetos paralelos realizados pelos líderes da antiga banda, mas não deixa de valer a pena ouvir seu legado!

31 de agosto de 2010

Um ano de pensamentos

No mês de agosto o blog Sonata Escarlate completa 1 ano de vida! Em comemoração a um  ano tão cheio de temas, notícias e tantas outras coisas, principalmente a surpresa com o novo, fazemos uma celebração a tudo isso. Será aqui publicada  uma série especial de artigos sobre o tema mais recorrente, e talvez o único diluído em  tudo neste blog: Música!

São três artigos sobre o tema. O primeiro, sobre a música em diferentes mitologias. O  segundo, sobre a história da música. O terceiro e último, um breve resumo sobre teoria  musical.


A música e a mitologia (1ª parte)
A música na História (2ª parte)
A música e sua teoria (3ª parte)



Boa leitura!

Sonata Escarlate

A música e a mitologia (1ª parte)

           A música é um instrumento universal de comunicação, não existe uma cultura que não possua suas músicas características, não há quem não goste. Sua origem é antiga, acredita-se que os homens pré-históricos já apreciavam música, inicialmente de uma forma ritual, sendo realizada por batidas rítmicas dos pés e das mãos. Ali o homem agradecia e pedia proteção aos deuses em suas questões.

          A palavra tem origem grega, Mousikê significa "a arte das Musas". Segundo a mitologia, a música começa após a morte dos Titãs (Oceano, Ceos, Crio, Hiperião, Jápeto e Crono), quando após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os seis filhos de Urano, foi pedido a Zeus que se criassem divindades capazes de cantar as vitórias dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com Mnemosina, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, no devido tempo, nasceram as Nove Musas (Clio, Euterpe, Talia, Melpômene, Terpsícore, Érato, Polímnia, Urânia e Calíope ou Caliopéia, esta última a líder das musas).
"Atena e Musas", de Frans Vriendt
           Inicialmente as musas eram inspiradoras apenas dos poetas, porém mais tarde sua influência se estendeu a todas as artes e ciências. Também foram tardias as associações entre as musas em áreas especificas de proteção: de maneira geral, Clio se ligou à história; Euterpe, à música; Talia, à comédia; Melpômene, à tragédia; Terpsícore, à dança; Urânia, à astronomia; Érato, à poesia lírica; Polímnia, à retórica; Calíope, à poesia épica. Ainda na mitologia greco-romana existem grupos regionais de musas, tais como Méleta, da meditação; Mnema, da memória; Aede, protetora do canto e da música.
Orfeu
          Há também, outros deuses ligados à música como Museo, filho de Eumolpo, que era tão grande musicista que quando tocava chegava a curar doenças; Orfeu, filho da musa Calíope, era cantor, músico e poeta; Anfião, filho de Zeus, que após ganhar uma lira de Hermes, o mais ocupado de todos os deuses, passou a dedicar-se inteiramente à música.




Hathor
          Na mitologia egípcia a música teria sido inventada por Tot ou Osíris, contudo podemos ver a música relacionada mais à deusa Hathor. Ela ensina aos seus adeptos a dança e o sentido da festa, protetora dos vinhos, chama seus fiéis para o banquete divino.
          Na época ptolomaica, os mistérios de Hathor eram celebrados nos mammisis por uma comunidade de mulheres intituladas "perfeitas, belas e puras". As Hathor tocavam música, cantavam e dançavam depois de um passeio ritualístico pelos pântanos, onde haviam feito zumbir os papiros em honra à deusa, num rito que remonta à Criação do mundo; as Hathor eram sete, número sagrado, ligado à espiritualidade feminina.
          A superiora das sete Hathor segurava um cetro cuja extremidade tinha a forma de uma umbela de papiro. Suas irmãs envergavam, como ela, vestidos longos, estavam enfeitadas com fitas vermelhas formando sete nós nos quais o Mal ficava encerrado. Essas sete filhas da divina Luz, Rá, eram responsáveis pelo tempo de vida dos humanos e pelo seu destino. Por isso presidiam simbolicamente a todos os nascimentos e vinham visitar as parturientes.
          As serpentes uraeus que trazem na fronte lançam chamas, ora purificadoras, ora destrutivas; tudo depende da autenticidade do ser que as enfrenta. Saber reconhecer a presença das sete Hathor e suscitar a sua benevolência é uma arte difícil. Podem conceder longevidade, estabilidade, saúde e descendência, mas também estabelecem as provas e o termo de um destino. As fadas da Europa pagã foram suas herdeiras.
As sete Hathor
          Em Dendera e Edfu, as sete Hathor tocam tamboril e sistro (instrumento de percussão) em honra da deusa e do faraó que acabam de nascer. A superiora da confraria pronuncia palavras que sobem ao alto dos céus: "Tocamos música para Hathor, para ela dançamos, senhora dos cetros, do colar e do sistro, todos os dias a celebramos, da noite à alvorada, tocamos tamboril e cantamos em cadência para a senhora da alegria, da dança, da música, a dama dos encantamentos, soberana da Casa dos Livros. Como é bela e radiosa a Dourada! Para ela, céu e estrelas dão um concerto, Sol e Lua cantam louvores."

Dagda
          Na mitologia celta Dagda era o deus relacionado à música. Dagda tinha tal habilidade no manejo da harpa, e sua arte era tão bela que ele a usava para convocar as estações do ano. Arrancava também tão suaves melodias deste instrumento que muitos mortais passavam deste mundo para o outro como num sonho, e sem sentir dor alguma, sem sequer repararem nisso.

          Para os chineses a música possuía poderes mágicos e refletia a ordem do Universo. Os músicos chineses tocavam cítara, várias espécies de flautas e instrumentos de percussão. Usavam uma escala pentatônica (de cinco tons, que será abordada ainda neste artigo), principalmente.



Esta postagem faz parte de uma série especial de artigos sobre música: 


Um ano de pensamentos (introdução)
A música na História (2ª parte)
A música e sua teoria (3ª parte)


Fontes dos três artigos:

          Spectrum - Música Medieval
          CrowMusic - Música Irlandesa
          Blog Cultura Japonesa - Hogaku
          Fundação Japão - Cultura Japonesa
          Folha de S. Paulo, 24 de março de 1998 - A Música
          Wikipedia - Modos Gregos
          Wikipedia - Raga (em inglês)
          Wikipedia - Escala Diatônica
          Livro "Harmonia", de Arnold Schoenberg

A música na História... (2ª parte)


              A música é algo intrínseco à história do ser humano, e uma das suas manifestações mais antigas e importantes.
               Deixando-se de lado a mitologia, a cultura musical no Ocidente obteve seus fundamentos na Grécia. Em Roma, foram inventados instrumentos como: o trompete reto e o hydraulis, o primeiro órgão de tubos, cujo fluxo constante de ar nos tubos era mantido por meio de pressão de água.

Tradições Indianas
 
                As tradições musicais da Índia vêm desde o século XIII a.C., sendo baseada em tons, semitons e microtons, sistema conhecido como rāga, e os músicos tocavam instrumentos de sopro, cordas e percussão. Uma rāga é (parcamente) comparável a uma escala ocidental, porém vai muito além disso – até porque algumas rāgas compartilham a mesma “escala”. Basicamente, uma rāga é um conjunto de swara (notas) que denotam uma determinada ambiência. Há duas vertentes na música clássica indiana: a música Hindustani (proveniente da Índia setentrional) e a música Carnática (proveniente da Índia meridional).
              O modo básico de referência na prática Hindustani moderna (que é conhecido como suddha, ou básico) é equivalente ao modo jônico ocidental. Fazendo um paralelo com o sistema harmônico ocidental, o primeiro grau (Shadja, ou simplesmente Sa) e o quinto grau (Pancham, ou Pa) são imutáveis, e essencialmente tons sacrossantos; todos os outros intervalos, segunda, terça, quarta, sexta e sétima (respectivamente, Ri ou Re, Ga, Ma, Dha e Ni) variam de acordo com a rāga escolhida.
                Muitas rāgas Hindustani são “prescritas” para uma determinada estação, ou mesmo hora do dia.  Quando tocadas no momento determinado, tais rāgas alcançam seu máximo efeito. Por exemplo, muitas rāgas do grupo Malhar são tocadas durante o monção (ventos sazonais da mudança da estação chuvosa para a de estiagem), por serem a este associadas e terem o poder de trazer chuva. Porém, essas prescrições atualmente não são muito seguidas (até porque a maioria dos concertos acontece à noite), e no último século nota-se uma forte tendência dos músicos indianos a adotarem as rāgas da Índia meridional, que não possuem associações com horas do dia ou estações.
            Há, ainda, um sistema de classificação de rāgas já impopular, chamado rāga-rāgini. Consiste de seis rāgas “masculinas”, cada qual com seis “esposas” (rāginis) e um certo número de “filhos” (putras) e até mesmo “noras”. Rāgas e rāginis foram frequentemente ilustradas como deuses Hindus, príncipes Rajput e mulheres nobres num ciclo eterno de amor, saudade e satisfação.




A música e a Idade Média

       Em toda a história do homem, nenhuma época foi tão marcante em suas crenças, e principalmente, sua ligação cotidiana tão perto do divino quanto a Idade Média. Neste período também a música foi grandemente influenciada.
          É na Idade Média que podemos observar o surgimento e o desenvolvimento da polifonia escrita e das primeiras notações musicais. Sempre com um caráter litúrgico ou ligado a ele, também pode-se relacionar a música aos ritos de reminiscência pagã (como as festas que marcam equinócios).
           Foi na Idade Média que o amor profano foi traduzido na arte dos trovadores e a monofonia atinge seu período de maturidade no Ocidente.
          O período da música medieval é marcado pela estrutura modal praticada nas himnodias e salmodias, no canto gregoriano, nos organus polifônicos, nas composições polifônicas da Escola de Notre-Dame, na Ars Antiqua e Ars Nova e ainda na música dos trovadores.
Organetto

Os principais instrumentos utilizados nesta época foram:

* Flauta reta: que engloba as flautas doces (flauta de oito e seis furos). É classificado na Idade Média como instrumento de som suave, baixo, diferenciando-se dos instrumentos altos, como as bombardas.
* Organetto ou Portativo: é o antecessor da Gaita de Fole escocesa, possuía o nome de Portativo, porque seu executor podia carregá-lo. O primeiro centro de construção de órgãos na Idade Média foi Bizâncio.
* Saltério: suas cordas são estendidas em todo o seu comprimento acima da caixa de ressonância, ao contrário do principio da harpa. É tocado pinçando-se as cordas com os dedos ou com plectro. Aparece em uma escultura da catedral de Santiago de Compostela do século XII.
Saltério
* Rabeca: instrumento de cordas friccionadas, escavada em uma só peça de madeira. Suas formas variam entre ovais, elípticas ou retangulares. De proporções menores do que a viela de arco, tem um som agudo e penetrante.
* Flauta Dupla: instrumentos de sopro duplos são reconhecidos desde a Antiguidade. A flauta dupla foi bastante utilizada desaparecendo somente no século XVI.
* Percussão: praticamente não existia antes do século XII, salvo nos jogos de sinos (Cymbala) utilizados nos mosteiros. Vindos provavelmente do Oriente, entre o século XII e XIII, apareceram na Europa os tambores de dois couros, o pequeno tambor em armação, que por vezes era dotado de soalhas, ou pandeiros, címbalos de dedos e outros.
Alaúde
* Harpas: as harpas são reconhecidas por sua forma aproximadamente triangular e pelas cordas de comprimentos desiguais estendidas em um plano perpendicular ao corpo sonoro. As cordas são presas por cravelhas, e podem variar, no número, de 7 a 25. A pequena harpa portátil teve sua origem na Irlanda, com a vinda dos monges irlandeses.
* Alaúde: o alaúde foi introduzido na Europa pelos mouros, no século XII, mantendo seu nome árabe (A'lud, que se tornou Laud na Espanha, depois Luth na França).


          Em muitos momentos a música se torna elemento fundamental, e representativo da cultura de um povo, como podemos observar na música irlandesa, onde durante um longo período de dominação britânica as canções se tornaram uma forma de patriotismo e cultura. 



Música Celta e Música Irlandesa

          Em termos gerais, o termo 'celta' define a música tradicional das nações celtas - especialmente Irlanda, Escócia e Bretanha francesa - e também a música preservada pelos imigrantes dessas terras celtas nos EUA e no Canadá. De forma alguma, contudo, pode o termo "música celta" referir-se à música produzida e executada pelos celtas da Idade do Bronze, por um motivo muito simples: não há o menor registro de como era a música daquela época.
             Portanto, podemos dizer que, se o termo "música irlandesa" é bastante abrangente, o termo "música celta" é ainda mais! Ambos se misturam e se mesclam, o que pode soar um pouco confuso a quem estabelece contato pela primeira vez com os estilos, mas a exposição constante e ouvidos atentos logo facilitam a compreensão.
              A música é seguramente uma das mais preciosas manifestações da alma humana. Por seus feitos, alguns indivíduos ultrapassam os limites de seu tempo e entram para a história como guardiões da tradição musical de um povo. Abaixo, alguns dos nomes mais importantes para a formação da Irish Trad Music.

Turlough O'Carolan:
Impossível falar de música irlandesa sem mencionar Turlough O'Carolan, o harpista cego que deixou os primeiros registros da música irlandesa ainda no séc. XVIII. Seu intercâmbio com compositores continentais fez dele um nome conhecido em outras terras, e também garantiu a introdução de outros elementos musicais à sua arte. Sua música era predominantemente composta para a harpa, instrumento tradicional dos bardos e poetas da Irlanda celta, e o fato de O'Carolan atuar como músico itinerante faz dele um herdeiro direto da tradição dos poetas celtas da Irlanda medieval e pré-cristã. Após O'Carolan, muito por força da opressão cultural e política britânica, a música irlandesa não produziu nenhum nome de vulto até seu renascimento já no século XX.



Sean O'Riada : O "pai" da música tradicional irlandesa nasceu John Reidy, em 1931, mas logo adotou a versão 'gaelicisada' de seu nome por amor à sua cultura e sua nação - amor que fica evidente já em seu primeiro trabalho de vulto: a trilha sonora composta para o filme "Míse Éire" ("Eu sou a Irlanda", 1951) sobre o nascimento da nação irlandesa. Anos mais tarde, O'Riada criaria e dirigiria o mítico Ceoltóirí Chualann, grupo que resgatou muitas músicas tradicionais que estavam condenadas ao desaparecimento nos rincões rurais da Irlanda e, através de programas televisivos, garantiram que tais músicas fossem conhecidas pelas novas gerações.



Tradições Japonesas

             O Japão é um país de cultura milenar, no entanto, a influência da música ocidental, que foi introduzida no século 19, tornou-se popular rapidamente, ofuscando em muitos momentos a música tradicional.
             O Hogaku é o nome da música tradicional japonesa, existindo vários tipos:
             O Min' yo (música folclórica japonesa), refere-se às músicas de tradição oral ou de autores anônimos cantadas pelo povo. Contudo, também inclui músicas clássicas, teatrais, ou ainda populares urbanas. Algumas músicas são somente instrumentais, enquanto outras são utilizadas como acompanhamento de danças, festivais e rituais. Existem outros tipos de min'yo, que são considerados híbridos com o estilo ocidental, onde os intérpretes utilizam tecnologias diversas.
            O Kayokyoku (música popular japonesa) é o estilo comumente apreciado no Japão, junto com o pop. O primeiro sucesso kayokyoku foi "Kachusha no Uta", de 1914.


Gagaku: era comumente executado nas cortes da China e Coréia, sendo um dos mais velhos tipos de música tradicional japonesa.

Biwagaku:
música executada com o biwa, um instrumento semelhante ao violão, com 4 cordas.

Nogaku: c
onsiste em um conjunto formado por: hayashi (flauta), tsuzumi (tambor) e outros instrumentos.

Shakuhachi: música predominantemente executada pelo shakuhachi. O shakuhachi é uma flauta japonesa vertical com 5 buracos, feita da base do caule de bambu; tem cerca de 54,5 cm de comprimento. A origem e a introdução do shakuhachi no Japão são desconhecidas. Apenas é certo que no século 14 existiu um ancestral de shakuhachi de 5 cavidades. A origem de shakuhachi está ligada ao monge budista Fukeshu, do Período de Morokoshi da China, e no Japão teria sido introduzido por Kakishin, um monge zen-budista da Era Kamakura (1185-1333), mas como não há uma prova circunstancial não se considera como um fato histórico.
Somente a partir do século XVII foi possível confirmar a existência do shakuhachi no budismo Fukeshu. O shakuhachi era utilizado nas três seguintes situações:

1) Fazia parte do culto budista;
2) Mendicância religiosa;
3) Um meio para a prática zen-budista.

         Nessa época nasceram as músicas zen e para meditação para serem tocadas com shakuhachi, músicas que só os monges tinham permissão para executar.
Shamisenongaku: música executada usando o shamisen, que foi introduzido no Japão na metade do século XVI. O instrumento foi inspirado no "sanhsien" chinês e espalhou-se no Japão por meio dos okinawanos, que o chamavam de sanshin. Semelhante ao banjo, possui três cordas que são tocadas com um plectro (bachi) de marfim, madeira, carapaça de tartaruga e, mais recentemente, plástico, de formato triangular. Seu “corpo” é coberto de pele de gato e de cachorro. Já o sanshin (shamisen de Okinawa) usa pele de cobra e o instrumento tem o braço mais curto. O shamisen, quando tocado em conjunto com koto e shakuhachi, passa a ser chamado de “sanguen”.


Sokyoku: música executada por koto, que tardiamente sofreu o acompanhamento pelos shamisen e shakuhachi. O koto foi trazido da China no século XI; é uma espécie de cítara japonesa. A caixa é feita de madeira, medindo aproximadamente 180 cm de comprimento por 30 cm de largura. Geralmente, esse instrumento possui 13 cordas, cada uma esticada sobre uma espécie de cavalete e tocada com as duas mãos, sendo que na direita são colocados plectros nos dedos polegar, indicador e médio. Durante o Período Meiji, esse instrumento tornou-se muito popular, especialmente entre as mulheres.


Shiguin: estilo que hoje conta com poucos seguidores. Trata-se de uma manifestação, como a própria palavra sugere, da arte de recitação de poema (chi) chinês ou japonês com entonação japonesa, obedecendo a uma linha melódica uniforme, com acompanhamento de um determinado instrumento e que pode ser dos mais variados, em especial o koto e o shakuhachi, mas poderá ser violino, piano e outros.

              Estes estilos foram por muito tempo representativos das classes sociais no Japão: o gagaku na corte, o nogaku para os samurais, o shamisen do povo, o shomyo dos templos e o min'yo dos camponeses, por exemplo.

O TAIKÔ
Dizem que o som de um grande tambor se assemelha à batida do coração de mãe, ouvido e sentido no interior do ventre materno.

              Antigamente, no Japão, o tambor era considerado símbolo da comunidade rural. Diziam que o limite da aldeia era determinado não só geograficamente, mas também pela distância em que a batida do tambor era audível.
              Registros comprovam que o taikô está presente na música japonesa há cerca de 1.500 anos, escreve Masahiro Nishitsunoi, estudioso de música japonesa. O tsuzumi (tamboril com formato de uma ampulheta) aparece nas pinturas do final do século XII, e no final do século XIV ele se incorpora às apresentações de teatro nô.
            O taikô está ligado, na maioria das vezes, às festividades xintoístas. A apresentação do conjunto de taikô como evento musical artístico surgiu somente depois da Segunda Guerra Mundial, e estimulou a sua difusão por todo o Japão, ressuscitando essa arte de percussão.


Esta postagem faz parte de uma série especial de artigos sobre música: 


Um ano de pensamentos (introdução)
A música e a mitologia (1ª parte)
A música e sua teoria (3ª parte)


Fontes dos três artigos:

          Spectrum - Música Medieval
          CrowMusic - Música Irlandesa
          Blog Cultura Japonesa - Hogaku
          Fundação Japão - Cultura Japonesa
          Folha de S. Paulo, 24 de março de 1998 - A Música
          Wikipedia - Modos Gregos
          Wikipedia - Raga (em inglês)
          Wikipedia - Escala Diatônica
          Livro "Harmonia", de Arnold Schoenberg

A música e sua teoria (3ª parte)

           A música, basicamente, nasce e divide-se em duas partes: a primeira é a voz humana, que busca expressar sentimentos; a segunda pode ser observada no soar em conjunto de vozes. A primeira representa a raiz da música vocal (também expressa no canto em uníssono) e a segunda, a raiz da música instrumental.
          O ritmo é a alma da música, ele provavelmente teria se originado nos movimentos do corpo humano, e daí teriam surgido os primórdios musicais. Ele é tão importante que é o único elemento que pode existir independente dos outros dois: harmonia e melodia.
          Outro elemento importante é a harmonia, que responde pelo desenvolvimento da arte musical. Foi da harmonia das vozes humanas que surgiu a música instrumental.
          A melodia é a expressão das capacidades musicais, desenvolvida através da união da língua, da acentuação das palavras, enfim, da fala e seus maneirismos, formando assim uma sucessão de notas características que resultam em um padrão rítmico e harmônico reconhecível.

          A junção destes elementos forma as consonâncias e dissonâncias. A primeira corresponde basicamente aos sons que para nossos ouvidos são harmônicos, e dissonância se refere ao contrário disso, ou seja, o que nos soa desagradável. Contudo, isso não forma um padrão; este conceito pode variar de país a país, e até mesmo pode mudar junto com as épocas. Um exemplo são certos acordes, que eram considerados dissonantes (e inclusive pagãos) na Idade Média, e que aos ouvidos atuais são considerados perfeitamente consonantes. E estas diferenças podem se tornar ainda maiores quando comparamos a música ocidental, a indiana e a chinesa, podendo-se perceber até mesmo paradoxos.
          Cada povo possui suas consonâncias e dissonâncias, refletindo sua cultura, sua identidade, sua subjetividade, enfim, a história de cada povo. Assim, a música basicamente é a expressão dos sentimentos através de sons combinados de modo artístico; ou ainda a ciência que pertence aos domínios da acústica, e que se modifica de acordo com as culturas.
 Definições

          A música é feita de sons, tradicionalmente descritos segundo quatro parâmetros:

- Altura: frequência definida de um som. É o que diferencia um som de um ruído. Não confundir com volume (intensidade).

- Ritmo: distribuição inteligível dos sons (e silêncios) no tempo.

- Intensidade: a força relativa de um som em relação a outros.

- Timbre: qualidade dos sons. Diferencia a mesma altura tocada em dois instrumentos diferentes.

- Enarmonia: apesar do nome estranho, é algo bem simples: quando um mesmo som pode ser atribuído a duas notas diferentes. Por exemplo, lá sustenido (A#) e si bemol (Bb), si sustenido (B#) e dó (C), e assim por diante. O conceito de enarmonia só passou a fazer sentido com o advento da escala cromática (com todas as notas possíveis da escala), pois antes tais notas “iguais” realmente eram encaradas como diferentes.

- Melodia: "Toda e qualquer sucessão inteligível de sons" é uma definição suficiente para abarcar os mais variados estilos. Na linguagem cotidiana, "melodia" refere-se a uma sequencia de alturas com ritmo definido e sentido de conjunto. A melodia é o que você assobia quando se lembra de uma canção. Por analogia à leitura de partituras, onde cada nota é escrita ao lado da outra, diz-se que a melodia representa a dimensão horizontal da música.
- Harmonia: Combinação inteligível de várias alturas soando ao mesmo tempo. Cada combinação forma um acorde; a harmonia é a lógica da formação e sequencia dos acordes. Se a melodia é a dimensão horizontal, a harmonia é sua dimensão vertical. Ela não se limita à elaboração de acordes, mas também à relação entre eles. A harmonia é um sistema hierárquico: alguns sons são mais importantes do que outros para a música. Academicamente, pode ser chamada de “ciência de concatenação de acordes”, e é tida como ‘ciência-mãe da música, pois em nenhum outro parâmetro relativamente autônomo do som, tal como a intensidade ou mesmo a duração, tem-se um tal grau de articulação possível como o que se tem no domínio das alturas’ (retirado do prefácio de Flo Menezes à edição brasileira de Harmonia, de Schoenberg).

- Contraponto: Arte de sobrepor duas ou mais melodias. Há vários tipos possíveis de contraponto (ou polifonia); a noção básica a todos é a criação de várias melodias independentes, que soam ao mesmo tempo na composição. Cada uma das quatro vozes de uma peça coral (soprano, contralto, tenor e baixo) tem sua linha melódica própria, que se combina com as demais. As "vozes" de uma composição instrumental seguem o mesmo princípio.

- Tonalidade: Sistema de organização musical, predominante desde o período barroco (século XVII) até o início do século XX. A tonalidade estabelece uma sintaxe da composição, baseada na hierarquia de notas e acordes. De acordo com esse sistema, a nota mais importante de todas é o primeiro grau da escala (tônica), seguida pelo quinto (dominante) e pelo terceiro (mediante). Outras notas geram tensão ('dissonâncias') e devem ser 'resolvidas' retornando às primeiras. Os acordes básicos são 'tríades': uma nota fundamental, mais a terça e a quinta (dó-mi-sol, ré-fá-lá, mi-sol-si etc). Toda peça tonal está centrada necessariamente no acorde de tônica; e tem de procurar maneiras de se afastar e retornar a ele. A hierarquia tonal reproduz, aproximadamente, a estrutura interna do som (que fisicamente é uma sobreposição de comprimentos de onda, alguns mais fortes do que outros). A tonalidade é, de fato, uma forma extraordinariamente integrada de pensamento musical: a organização interna de cada som espelha-se na hierarquia, nas seções e mesmo na forma musical inteira (as seções resolvem-se umas nas outras da mesma forma que os graus da escala). Esta dinâmica de atrações e repulsões promovida pela tonalidade permite a elaboração de narrativas musicais complexas. Escutar uma peça tonal é acompanhar (consciente ou intuitivamente) esse drama em notas. A enorme maioria das obras que se conhecem como 'música clássica' são tonais. Mas o período tonal não é muito longo na história da música: no sentido estrito, a tonalidade existe do meio do barroco ao fim do romantismo, aproximadamente 250 anos. Ainda hoje há compositores que escrevem música tonal, mas a tonalidade chegou a um limite com os compositores modernistas e deixou de ser a corrente mais importante do pensamento musical erudito há pelo menos 70 anos.


 A estrutura modal e a harmonia moderna

          A estrutura modal, apesar de ter sido utilizada largamente a partir da Idade Média, não surgiu nessa época, mas remete aos modos gregos. Tais modos (compilados pelo papa Gregório I – e que daí se origina o termo gregoriano) eram utilizados nas diferentes regiões da Grécia antiga. Os modos gregos originais são: o modo jônio, ou iônio (da região da Jônia), o modo dórico (da região de Dória), o modo frígio (da Frígia), o modo lídio (da Lídia) e o modo eólio (da Eólia). Há também outros dois: o modo mixolídio, que é uma fusão dos modos lídio e dórico, e o modo lócrio. Este último, criado posteriormente por teóricos da música para completar o ciclo, é de pouca usabilidade prática e raríssima utilização, apesar da música erudita e popular – principalmente o jazz – do século XX utilizar a quarta aumentada largamente, pois a tensão provocada pela dissonância pode ser usada para finalidades expressivas. Mesmo assim, o modo lócrio raramente é usado em sua totalidade.
          Desde a Grécia antiga os modos eram utilizados de acordo com a música que seria executada. Assim, se por exemplo a música faria parte do culto a um determinado deus, então deveria ser executada em determinado modo. Porém, com o temperamento da escala (quando se encontram todos os intervalos possíveis entre as notas, incluindo todos os semitons) e a estipulação de uma afinação padrão, os modos gregos perderam gradativamente sua importância, visto que a escala cromática (com todos os semitons) engloba todos os modos.
          Eles foram, então, classificados em “maiores” e “menores”, como segue:

Modos maiores: jônio, lídio e mixolídio
Modos menores: dórico, frígio, eólio e lócrio (este podendo também ser classificado como diminuto).

          O modo jônio é, notadamente, o que conhecemos como escala maior padrão, e o modo eólio é a atual escala menor padrão.
          Atualmente, para se utilizar os modos gregos, é preciso ter conhecimento sobre harmonia, para se poder entender os encadeamentos harmônicos que cada escala modal propõe. Porém, mesmo não tendo mais tanta aplicabilidade prática, os modos gregos influenciaram toda a harmonia – e, por consequência, a música – ocidental.

A escala diatônica

          Alguém que comece a aprender algo sobre teoria musical se deparará, logo no começo, com as conhecidas notas: dó, ré, mi, fá, sol, lá e si. Essas notas – que apenas possuem esses nomes no Brasil e em mais alguns outros países (na vasta maioria dos países cada nota é representada somente por uma letra: C, D, E, F, G, A e B, respectivamente) – são a base de todo o aprendizado em teoria musical. Mas esse mesmo alguém pode – como eu e certamente mais outras pessoas – em algum momento se perguntar: por que existem apenas 7 notas, e por que justamente estas, com essa sonoridade? A resposta, assim como no tópico anterior, está na Grécia antiga.
          O sábio grego Pitágoras acreditava que tudo no Universo era regido por números. Assim, ele notou que uma corda esticada, quando posta em vibração, emite um determinado som. Porém, se o comprimento dessa corda for reduzido à metade, um som mais agudo é produzido, que guarda uma relação muito interessante com o primeiro. Para variar o comprimento da corda, basta pressioná-la na posição desejada, e assim a parte vibrante é reduzida (como em um violão ou violino).
           Pitágoras dividiu assim a corda em frações determinadas: 1/2, 1/3, 1/4 e 1/5. Supondo que a corda esteja afinada em dó (a afinação em si é totalmente arbitrária, o que valem são os intervalos), tais frações geram as notas dó (“oitavada”), sol, fá e mi, respectivamente. Como toda nota é gerada por determinada frequência, e como a frequência é inversamente proporcional ao comprimento da corda, atribuindo o valor 1 à frequência fundamental da corda, obtêm-se as seguintes frações: mi = 5/4, fá = 4/3 e sol = 3/2.
          Assim, as notas musicais são geradas a partir de relações numéricas simples com a frequência fundamental: multiplicando a frequência da corda por 2, obtém-se uma nota que recebe o mesmo nome da anterior (nota oitavada), por exemplo. Pode-se notar nas frações já citadas que a quinta, ou dominante (no caso o sol, ao supormos que a corda está afinada em dó) possui a relação 3/2.
          Assim, para descobrir as outras notas que faltam na escala, basta multiplicar as frequências (ou frações) das notas já encontradas por 3/2. A partir do mi obtém-se o si (si portanto é dominante de mi), do sol obtém-se o ré, do fá obtém-se o próprio dó e, a partir do ré, obtém-se o lá, completando assim a escala diatônica.
           A escala diatônica (ou escala de sete notas) possui cinco intervalos de tons e dois intervalos de semitons entre as notas. Este padrão se repete a cada oitava numa sequência tonal de qualquer escala. A música ocidental e a fundação da tradição musical europeia utilizaram e utilizam largamente a escala diatônica (por isso conhecemos as notas de cor). Todos os sete modos gregos são diatônicos, assim como as escalas modernas maior e menor (que, como já explicado, “descendem” dos modos gregos).





Esta postagem faz parte de uma série especial de artigos sobre música: 


Um ano de pensamentos (introdução)
A música e a mitologia (1ª parte)
A música na História (2ª parte)



Fontes dos três artigos:

          Spectrum - Música Medieval
          CrowMusic - Música Irlandesa
          Blog Cultura Japonesa - Hogaku
          Fundação Japão - Cultura Japonesa
          Folha de S. Paulo, 24 de março de 1998 - A Música
          Wikipedia - Modos Gregos
          Wikipedia - Raga (em inglês)
          Wikipedia - Escala Diatônica
          Livro "Harmonia", de Arnold Schoenberg