Informações do autor
6 de fevereiro de 2014
Deixa Ela Entrar - John Ajvide Lindqvist
Informações do autor
2 de fevereiro de 2014
Medusas
10 de dezembro de 2013
A Dádiva do Lobo - Anne Rice
Na história, não há propriamente vilões, mas ao meu ver, ficam os seres humanos com este papel, pois todos os crimes sem sentido cometidos, são realizados por eles.
23 de outubro de 2013
Guerra Mundial Z
O livro
9 de outubro de 2013
Musashi - Eiji Yoshikawa
3 de setembro de 2013
Amok - Cabeça, Tronco e Membros
Site do Autor: Blog do Benett
28 de agosto de 2013
Saga: A Maldição do Tigre
4º livro: O Destino do Tigre
5º livro: O Sonho do Tigre
Ainda a ser lançado.
Algumas informações da autora:
28 de fevereiro de 2013
Os Malvados
Ler os jornais, sejam os velhos papéis ou os digitais, é uma atividade prazerosa. Informações são elencadas e misturadas. E como boa gente grande
leio o que é apresentado, porém, em certo momento, a infância vem e corro os olhos para os quadrinhos. Ultimamente tenho lido e apreciado muito os quadrinhos de André Dahmer, que, com uma dose divertida de sarcasmo e ironia, realiza sua crítica sobre temas cotidianos (principalmente em Os Malvados).
Além dos personagens de Os Malvados, André Dahmer criou Emir Saad (ditador de Ziniguistão), as séries de tirinhas Apóstolos, a série
, Cidade do Medo
e, mais recentemente, Quadrinhos dos anos 10
, histórias que podem ser vistas no site Os Malvados.
Suas criações podem ser encontradas principalmente no jornal Folha de São Paulo.
- Malvados (2005);
- O Livro Negro de André Dahmer (2007);
- Malvados (2008);
- A cabeça é a ilha (2009);
- Ninguém muda ninguém (2011);
- Rei Emir Saad: O monstro de Zazanov (2011).
6 de abril de 2012
Qual o valor de um livro?
Já diria alguém que o preço de um produto não tem absolutamente nada a ver com o seu valor real. Se é realmente assim, é fácil lembrar de produtos caros que não valem realmente muito, e de pequenas coisas que possuímos que valem muito. Uma foto antiga, uma anotação em um caderno, um presentinho comprado em alguma lojinha de artesanato... Um livro....
Particularmente guardo um grande afeto pelos livros que tenho. Não que eu os guarde a sete chaves (na realidade amigos acabam levando alguns dos melhores), mas eles tem um grande valor pra mim. Por isso, quando fui confrontado, há alguns dias, com a pergunta título deste artigo, fiquei um certo tempo pensando sobre o real valor de um bom livro...
Em algumas estações dos metrôs das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro é possível se deparar com aquela pergunta, e com uma agradável surpresa: máquinas contendo livros, semelhante àquelas de refrigerante. Porém, o preço não é fixado! Ao invés disso, é possível ler, em letras garrafais, acima das máquinas: Pague quanto acha que vale. Possível?
Algumas pessoas se aglomeravam em volta das máquinas, surpresas tanto quanto eu com aquilo. Alguns descrentes iam embora achando se tratar de alguma brincadeira, mas alguns livros eram pescados de tempos em tempos (inclusive pesquei o meu, Manon Lescaut, de Prévost).
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Para ver os livros nesta máquina, clique na imagem |
A iniciativa é da 24X7 Cultural, uma empresa com fins lucrativos cuja missão, segundo seu próprio site, é de facilitar a formação de novos leitores, incentivar o hábito da leitura de forma sustentável e consequentemente melhorar os indíces de alfabetização funcional do Brasil
. A primeira máquina de livros
, como é chamada pela própria empresa, começou a funcionar em 2003, na estação São Joaquim do metrô de São Paulo.
De lá pra cá, com treze máquinas em São Paulo e mais de um milhão e duzentos mil livros já vendidos, o que era um projeto experimental se tornou uma solução viável em distribuição e comercialização de livros de qualidade a um custo baixíssimo e acessível à população. A uma população que supostamente não lê. E que, segundo o próprio fundador da 24X7, compra Nietzsche, Maquiavel, Platão, Diderot e Sun Tzu - autores mais vendidos nas máquinas. Um sinal de mudança, ou uma mudança de fato?
As fotos deste artigo foram tiradas na estação Barra Funda do metrô de São Paulo.
28 de novembro de 2011
Autores, Leitores e outras promoções...

No Brasil existem muitos autores, contudo, a grande maioria sofre para lançar seus livros, além de muitas outras dificuldades, que os tornam verdadeiros guerreiros. Erika Monterisi é um deles...
A internet se tornou uma ferramenta aliada dos autores, que inovam sua relação com leitor, tornando-a mais próxima, além de criar novas formas de divulgação do seu trabalho.
Uma dessas formas são as parcerias com blogs, que praticam sorteios, possibilitando aos leitores chances de conhecer autores nacionais. O site Viagem Imaginária é um desses e está com uma promoção até o dia 15/12, para sortear o livro Sol & Lua!
Vale a pena conferir!
Para resenha do livro leia a resenha do Sonata Escarlate sobre Sol & Lua.
Vida e Morte da Porraloca!

Ninfomaníaca? Bêbada? Viciada? Não existem adjetivos próprios e impróprios que descrevam Rê Bordosa. A diva do mundo underground é uma criação do cartunista Angeli.
Criada em 1984, Rê Bordosa era o símbolo de uma época: mulheres entrando na meia idade que viviam seus problemas existenciais em meio ao sexo livre, drogas e tudo o mais que viesse. Uma personagem de caráter escrachado e sem qualquer pudor, o que confere todo seu charme.
Personagem de maior sucesso de Angeli, Rê Bordosa fez sua primeira aparição na antiga revista Chiclete com Banana, e fez grande sucesso. Tamanho, que foi morta pelo autor, para que ela não estigmatizasse a carreira do mesmo. Aqui uma entrevista retirada do site Universo Hq, onde o autor comenta sua conturbada relação com a personagem:
Pergunta - Exatos 13 anos depois da morte da Rê Bordosa, a personagem ainda te incomoda?
Angeli - Bom, creio que não me incomoda mais. Até porque o que mais me angustiava era a possibilidade da existência dela se tornar um grude na minha carreira. Daí a decisão de matá-la.
Pergunta - Você já comentou que começou a se sentir incomodado com a possibilidade da personagem ficar maior do que o autor. Foi isto que o levou a parar de publicar tiras da personagem?
Angeli - Sim, é verdade. Sempre me irritou muito em entrevistas de outros desenhistas aquela coisa do "mundo encantado de Maurício de Sousa", ou "mundo encantado de Saci Pererê" (Ziraldo). Enfim, o mundo encantado de qualquer coisa. O meu projeto não tinha muita pretensão de seguir uma trajetória específica, mas a visão que eu tenho do meu trabalho é que, no todo, ele resulte em uma crítica de comportamento, no qual todos os personagens, charges e textos se juntem em uma crítica só.
Pergunta - No caso de Rê Bordosa, a personagem seguiu um caminho diferente, fugiu a seu controle?
Angeli - Quando eu percebo que alguma coisa está tomando um rumo que sai um pouco fora deste projeto, começa a me incomodar. E a Rê Bordosa, de alguma forma, estava apagando o brilho dos outros personagens.
Pergunta - Como assim?
Angeli - Ela era uma personagem muito forte e gostosa de trabalhar, mas problemática. O meu medo foi sempre de ter que carregá-la e me ver obrigado a desenhá-la até por uma questão de mercado. O leitor gosta, funciona, claro. Mas se eu fosse fazer um livro tinha que botar ela na capa, e isso começou a me incomodar. Qualquer proposta que de trabalho, era com a Rê Bordosa em primeiro lugar. E meu objetivo era fazer uma coisa mais ampla do que uma personagem.
Pergunta - A Rê Bordosa foi assassinada há 14 anos. Ela era muito voltada a mulher daquela época (1984 a 1987). Você acha que atualmente existem muitas Rê Bordosas por aí?
Angeli - As leitoras da época da Rê Bordosa continuam muito fiéis a ela. As mulheres de hoje que não a leram, possuem os mesmos problemas que ela tinha na década de 80. Creio que agora a autodestruição, através do sexo, do álcool e do cigarro é menor. Esta geração ainda tem um sentimento de culpa, problemas de adequação com o sexo oposto, com uma sociedade machista e também diante do que as mulheres acham o que é certo ou errado.
Pergunta - Como você contextualizaria sua personagem naquela época?
Angeli - A Rê Bordosa era um corpo estranho no movimento feminista ou machista, seja o que isso fosse. Então, hoje em dia ainda tem esses problemas, mas a forma de atuar é diferente. Talvez a droga que se usa hoje seja diferente e o álcool não esteja tão presente. E tem também a AIDS, que mudou muito o comportamento das mulheres.
Pergunta - A Rê Bordosa nasceu em 1984 e morreu em 1987. A AIDS já estava começando a ser discutida. Hoje, você acha que, com o tempo, a AIDS poderia mudar o comportamento da personagem?
Angeli - Acho. Eu não gostaria de mudar o meu personagem por causa de uma doença que surgiu. Mas, sem dúvidas, o comportamento sexual da mulher de hoje mudou. Fazer loucuras sexuais não é mais a mesma coisa de quando a Rê Bordosa fazia. Como, por exemplo, levar um time de futebol para dentro da banheira. Acredito que isto não existe mais.
Pergunta - Em algum momento da vida você se sentiu Rê Bordosa?
Angeli - Pode falar de uma década toda (risos)
Pergunta - Conte uma história de Rê Bordosa que você tenha vivido...
Angeli - Uma vez rolou uma bebedeira muito grande, e eu e o Homero (amigo de infância) acabamos presos na 4ª delegacia. Fizemos um teatro lá dentro, estávamos tão bêbados que começou a achar engraçado tudo aquilo. Tomamos umas porradas e pontapés e mandaram a gente embora.
Tinha um poste na frente da delegacia, e a coisa que nós dois mais queríamos era fazer xixi. Então, descemos as escadas, paramos no poste e começamos a mijar, um de cada lado do poste. Acho que isso é uma atitude de Rê Bordosa.
Tem também um outro caso que aconteceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Eu e Glauco (cartunista) ficamos bebendo uma semana inteira, e fomos atrás das menininhas da cidade. Nessa mesma viagem, arrumei uma namoradinha e fui para a casa dela. Fiquei lá um tempo, namorei e tudo. Umas 6h da manhã, eu falei: "Não vou dormir aqui, vou para minha casa". Saí de lá, mas esqueci que Ouro Preto é feita de ladeiras intermináveis, e eu não havia calculado o quanto tínhamos andado de madrugada até chegar na casa da menina. E foi um sufoco até chegar no hotel, eu me arrastava por aquelas ladeiras, com os bofes para fora. De repente abrem uma fresta de uma janela e gritam: "Aí, Angeli, tá longe de casa, hein, meu?" Eu só consegui lançar uns grunhidos, mas não tinha nem ideia de onde vinha o grito.
Para matar a saudade dos fãs, a Devir / Jacarandá lança uma coleção com as obras de Angeli. Rê Bordosa, vida e obra da porraloca é o terceiro volume da série Sobras Completas do autor.
Outra grande homenagem à personagem foi Dossiê Rê Bordosa, um curta metragem, feito em stop-motion, dirigido por César Cabral, que tenta explicar os motivos que acarretaram a morte de Rê Bordosa por seu próprio criador, o cartunista Angeli.

Sites Interessantes:
- Universo Online - onde se encontra uma novela feita especialmente para internet, em que o autor ressuscita sua falecida personagem.
- Dossie Rê Bordosa - um site onde você pode encontrar maiores informações sobre o curta.
- Devir - site onde você pode encontrar informações sobre as publicações de Angeli.
7 de novembro de 2011
É Dura a Vida no Campo
Procurando por tirinhas humorísticas para utilizar em trabalhos escolares, deparei-me com o autor Sávio Moura e sua obra É dura a vida no campo. Quadrinhos bem humorados, que possuem como pano de fundo a vida no campo dos pampas.
Não há como não rir com os personagens: Chiru Velho, Dona Palometa, Virso, Juracema, Chumim, O Porco, O Cavalo, A Coruja e O Galo. Com um humor simples, o autor explora toda a cultura gaúcha e o cotidiano do campo de forma espirituosa.

Um pouco do autor...

Sávio Moura nasceu em 18/07/1965, na cidade de São Luiz Gonzaga (região das Missões, noroeste do estado do Rio Grande do Sul). Vivendo em meio a cultura missioneira, se encantando pelos artistas Pedro Ortaça, Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun e Noel Guarany (que formam o grupo Quatro Troncos Missioneiros), que valorizam e cantam a cultura da região sulina.
Em 1994, passou a colaborar no jornal A Notícia, como chargista. Dedica-se desde 2006 à tira É dura a vida no campo, criada para concorrer na 2ª Mostra de Artes do Atelier Los Libres.
No ano de 2007, recebeu uma homenagem na 2ª Feira do Livro Infanto Juvenil, realizada pela Prefeitura de São Luiz Gonzaga - SEMEC.
Abaixo seguem trechos de uma entrevista dada pelo autor ao jornal A Notícia (para ler na íntegra visite a página da entrevista):
A NOTÍCIA: Como surgiu a ideia de fazer a história em quadrinhos “É Dura A Vida no Campo”?
SÁVIO: Historicamente, quase todos os personagens de histórias em quadrinhos tiveram origem em tiras de jornais. Então considero uma evolução natural a criação de um gibi com os personagens da tira “É Dura a Vida no Campo”.
O projeto iniciou ainda em 2009, mas, pela sua complexidade, levou algum tempo para ser concretizado. Com tranqüilidade e com as histórias definidas, o projeto foi apresentado para a Editora Cassol, de Porto Alegre, que se interessou no gibi. Como o tema proposto vai de encontro ao que a editora trabalha, que são nossas tradições gaúchas, acredito que será uma boa parceria.
A NOTÍCIA: Quais as diferenças entre os livros publicados com as tiras de jornais e a revista?
SÁVIO: A produção de uma tira de jornal é muito rápida, pois a idéia já vem pronta, e o desenho pode ser feito em um instante. No gibi, as exigências quanto ao acabamento final é maior, e a produção de uma história leva mais tempo.
Os livros contêm todas as tiras publicadas, desde a primeira. São registros valiosos da evolução da história, com o surgimento e desenvolvimento de cada personagem. São edições luxuosas, e de custo mais elevado. Foi a partir daí que senti a necessidade de ter uma publicação mais acessível. A tira “É Dura a Vida no Campo”possui personagens fortes, com condições de sustentar histórias mais longas. Eu próprio tinha muita curiosidade de saber como o Chiru Velho e Cia. se comportariam em aventuras mais longas. E gostei muito do resultado final.
A NOTÍCIA: Como foi o processo de criação das histórias da revista?
SÁVIO: A criação das histórias seguiu um planejamento inicial: deveríamos ter uma história de mistério com o Chiru Velho, uma de romance com o Virso e a Juracema, e outra com o Porco e os bichos. A criação é completamente diferente de uma tira. Como são historias mais longas, é necessário seguir um plano: primeiro, faz-se uma resenha da história imaginada; ou seja, contar toda ela em texto. Baseado nisso, pode-se fazer o roteiro, que é um rascunho da história definindo o que irá em cada quadrinho. Com o roteiro definido, se começa o desenho a lápis. Depois, é hora da arte final, em nanquim. Em seguida, o desenho passa para o computador, para colocação dos diálogos nos balões e colorização. Após a revisão, a empresa de design faz a adaptação para as exigências da gráfica, a qual é contatada pela editora.
Para mais informações visite o site do autor.
6 de novembro de 2011
Flor de Neve e o Leque Secreto

Flor de Neve e Lírio são duas meninas que vivem na China do século 19. Embora vivam em condições de vida diferentes, elas possuem as mesmas obrigações: a de serem esposas perfeitas de maridos que nunca viram. A única escolha de uma mulher seria a da amizade, assim elas se tornam Iaotong, amigas por toda eternidade.
Mais tarde separadas elas passam a se comunicar por meio de leques, onde escreviam utilizando a escrita Nushu, conhecida somente por mulheres.
Paralela as histórias de Flor de Neve e Lírio, Nina e Sophia, duas amigas que vivem no século 21, descobrem a beleza da tradição do Iaotong, mas também descobrem a dificuldade de mantê-lo atualmente.
Flor de Neve e o Leque Secreto é baseado no livro de mesmo nome da autora Lisa See, e apresenta de forma sensível o universo dessas mulheres que sofriam a mutilação de seus pés, pois isso era o padrão de beleza da época. Embora aparentem fraqueza, as mulheres possuíam um universo único, paralelo ao mundo em que viviam. Tal universo ao meu ver é representado na escolha do Iaotong, o laço de amizade e amor que unia duas mulheres.
Contudo, o filme apresenta paralelamente a história de Nina e Sophia, que embora vivam em uma sociedade menos opressora, também possuem suas obrigações e tragédias pessoais. Assim, elas encontram na tradição do Iaotong uma forma de superação.
As duas tramas são emendadas, colocando uma nova perspectiva na história, que até então girava somente em torno do laço forte de amizade.
O silêncio que muitas vezes toma conta da cena é impressionante, sendo então completado por uma trilha sonora tocante. O filme conta um segredo para o espectador, e aqueles que interagem com as personagens parecem alienados, muitas vezes não compreendendo o comportamento das Iaotong.
Por fim, o filme termina com cenas belíssimas de telas em preto e branco.
Vale a pena conferir!
19 de outubro de 2011
Ziraldo

O que a mistura de Zizinha e Geraldo dá?
Ninguém sabe, mas a questão é no que deu, no cartunista, chargista, pintor, caricaturista, escritor, cronista, desenhista e jornalista brasileiro, todos eles reunidos na pessoa de Ziraldo Alves Pinto, ou somente Ziraldo.
Nascido em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, viveu com sua família (os pais e sete irmãos) até 1949 onde foi para o Rio de Janeiro viver com o avô.
Em 1957 formou se na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Casou-se no ano seguinte com Vilma Gontijo.
Desde pequeno se interessava por desenhar e ler. Sua carreira começou na revista Era uma vez..., por meio de colaborações mensais. Em 1954, iniciou no jornal A Folha de Minas, com uma página de humor.
Fez inúmeros trabalhos jornalísticos, além de produzir, como artista gráfico, cartazes para inúmeros filmes do cinema brasileiro. Nos anos 60, seus cartuns e charges políticas eram publicados na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Personagens como Supermãe e Mineirinho ficaram populares. Foi nesta época que lançou a primeira revista brasileira do gênero de quadrinhos feita por um só autor: A Turma do Pererê.
Em 1964, a revista foi encerrada pelo regime militar, e seus personagens só voltaram a ser publicados em 1975 pela Editora Abril.
Durante toda a ditadura, Ziraldo lutou contra a repressão fundando, juntamente com outros humoristas, O Pasquim, um dos principais jornais não-conformistas, que incomodou o regime militar até o fim deste.
Ganhador de vários prêmios e reconhecido internacionalmente, Ziraldo já foi até homenageado no carnaval de 2003 pela escola de samba paulista Nenê de Vila Matilde, com o enredo É melhor ler... O Mundo Colorido de um Maluco Genial.
Em 2004, ganhou com o livro Flicts o prêmio internacional Hans Christian Andersen.
Ziraldo é um gênio, seus livros contem um humor inocente, e sua arte gráfica insere ainda mais o tom infantil e leve. Arte gráfica que também pode ser identificada em logotipos, ilustrações, cartazes do Ministério da Educação, camisetas, entre outros.

O Joelho Juvenal conta a história do joelho de um menino, de sua infância até a vida adulta. Um livro bem interessante sobre o processo de amadurecimento.
"Era uma vez um joelho que se chamava Juvenal.
Juvenal tinha um problema, coitado: vivia todo escalavrado.
Também, quem mandou o Juvenal ser o joelho de um menino levado?
Juvenal queria muito aprender língua de menino só pra dizer assim: “Menino, tem dó de mim!”
Mas, quando o esfolado sarava, Juvenal bem que gostava de correr e de saltar.
E ele se desdobrava e se dobrava outra vez todo alegre, pois sabia que, indo e vindo, fazia o menino feliz."

O Menino Maluquinho conta a história de um menino traquinas, alegria da casa, líder da garotada, amigo de todas as horas, o mais sabido, o mais rápido. O livro é um relato de uma infância feliz. Veja a versão online.

O Bichinho da Maçã foi editado pela primeira vez em 1982. De forma alegre conta a história de um bichinho da maçã que adorava contar casos.

As Aventuras do Bonequinho de Banheiro, que utilizando de uma das mais conhecidas imagens do mundo nos traz a história de vida da mesma.
Existem muitas outras obras de Ziraldo, escritas e ilustradas, apenas ilustradas, são tantas que não cabem listá-las aqui, mas certamente é uma obra que vale a pena conferir!
Sites para visitar:
5 de outubro de 2011
A Invenção de Hugo Cabret

O livro conta a história do órfão Hugo Cabret, que vive em uma estação de trem na França no início do século XXI, onde cuida da manutenção dos relógios do lugar. Hugo possui um segredo, e este segredo lhe consome, porém sua vida muda ao ser pego roubando da loja de brinquedos da estação, onde o idoso dono do lugar e sua sobrinha aos poucos descobrem a verdade sobre o menino, e este aos poucos descobre que o seu segredo é bem maior e mais profundo.
O enredo do livro nos apresenta um pouco da origem do cinema, trazendo as emoções das primeiras apresentações de filmes ao grande público, a sensação de novidade, o medo, e principalmente toda a magia contida.

Lembrando um pouco de Will Eisner, o livro mescla ilustrações com texto, onde o autor tenta impregnar seu livro com um ar cinematográfico. Com ilustrações bem feitos, cenários bem construídos por meio do desenho, o autor não perde tempo descrevendo nada, concentra-se somente na história. Existem partes puramente visuais, e os efeitos de edição, os desenhos, além das sombras e enquadramentos, conferem uma atmosfera de suspense e perseguição como em um cinema.
O livro já foi adaptado para os cinemas sob a direção de Martin Scorsese ("Ilha do Medo"), e conta no elenco com: Asa Butterfield, Chloe Moretz, Jude Law, Helen McCrory, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Christopher Lee, Sacha Baron Cohen, Ray Winstone. Deve estrear nos cinemas em 2012.
Um livro que vale a pena ler, uma leitura fácil, rápida (ainda que ele tenha 500 páginas), e leve. Vale a pena conferir o site do livro!
15 de agosto de 2011
Enelock
"A meu ver, quem escreve para crianças pode abordar seu trabalho de três maneiras: duas são boas, e uma, em geral, é má."
A frase acima inicia um belo ensaio do renomado autor d'As Crônicas de Nárnia - uma das grandes obras da literatura dita "infanto-juvenil". Em tal artigo, Lewis descreve três arquétipos de escritores para crianças, que ao seu ver são de certa forma comuns. Porém, apesar desse ensaio tratar especificamente da literatura para crianças, esses arquétipos podem ser estendidos à literatura como um todo. É possível enxergar, com certa clareza e nitidez, três tipos de escritores - e não apenas hoje em dia, mas em toda a história da literatura:
Há aqueles que escrevem seguindo os paradigmas já presentes, que seguem fórmulas predeterminadas e que, invariavelmente, garantem um sucesso rápido, estrondoso e, naturalmente, momentâneo. Escrever assim é pensar milimetricamente em como agradar ao leitor. Tais escritores conquistam fãs muito mais pela velocidade com que espalham suas obras do que pelo conteúdo delas. Conquistam também o desprezo de alguns poucos. E as obras escritas sob esse arquétipo, apesar de terem por vezes o poder de nos cativar, de nos fazer rir ou chorar, não nos fazem realmente contestar a ordem natural das coisas. Nesse arquétipo podem ser inseridos muitos dos best-sellers atuais e passados.
Há ainda os escritores que percebem essa falta de profundidade e decidem quebrar os paradigmas existentes. Quebram com as ideias, as regras predefinidas e, fazendo as suas próprias e moldando a arte à sua vontade, criam formas novas. Escrever assim é empunhar uma espada. Tais escritores conquistam não apenas seguidores, mas também inimigos. Não há, para estes, o desprezo, pois suas obras não são "mornas", não permitem a indiferença. As obras desse arquétipo normalmente nos chocam, fazem-nos contestar a ordem do mundo à nossa volta. Nesse tipo de literatura podem ser classificadas a maioria das obras imortais, e algumas poucas da atualidade.
E há, por fim, aqueles que escrevem para si mesmos. Não escrevem com fórmulas, ou empunhando armas, mas escrevem com seu sangue, com sua alma. Não seguem nem quebram paradigmas, pois estes não se aplicam a esse tipo de literatura. Tais escritores por vezes não conquistam fama, mas sim a eternidade. Suas obras não são vendidas como água em cada banca de esquina por dois ou três anos, mas são lidas e compartilhadas nas bibliotecas. Tais obras não nos fazem contestar apenas o mundo à nossa volta: fazem-nos contestar a nós mesmos. Todas as obras imortais pertencem a esse tipo, e raríssimas obras atuais também.
Nessa última semana terminei de ler o terceiro e último livro da série Legado Goldshine, Enelock, do escritor Leandro Reis, de São José dos Campos, SP. Que impressão fica nesse fim de trilogia?
O livro começa intenso, e permanece assim ao longo dos capítulos. Seguindo a evolução encontrada nos outros dois livros, cada personagem é desta vez descrito de maneira mais profunda, sendo exibidos os problemas pessoais que levaram aos acontecimentos maiores do universo de Grinmelken.

Galatea Goldshine continua em sua busca pelas três runas sagradas de seu deus, Radrak, mas desta vez não há como alcançar o portador da terceira runa. Seu maior inimigo, Enelock, mantém tal portador como prisioneiro, usando-o como isca para que os exércitos de todos os reinos venham lutar e sangrar em sua própria terra, Ars Nibul. O interessante nesse livro é que Galatea não é mais a guerreira toda-poderosa do primeiro livro, nem planeja com cuidado cada passo como no segundo. Galatea está cansada. Cansada pelo mundo à sua volta, cansada pela sua impotência, cansada por si mesma. Galatea brilha, mas seu brilho não é mais do que o brilho intenso de uma lâmpada antes do fim. A personagem evoluiu, na série como um todo, de uma mera heroína banal, superestimada por todos e extremamente irreal de fato, para uma mulher que não pode aproveitar os poucos momentos bons que tem devido às suas obrigações com seu reino e o mundo, uma pessoa com feridas profundas demais para cicatrizarem.

Iallanara Nindra, por sua vez, segue seu caminho, com suas próprias lutas e seus próprios inimigos. Não é segredo, e isso já desde a primeira resenha que fiz sobre a série, que Iallanara é minha personagem favorita. Mas, em determinados momentos, cheguei a supor que o mais interessante nessa personagem havia morrido com o fim do segundo livro: a dualidade e a profundidade. Não havia mais aquela dúvida quanto aos seus objetivos, e suas intenções pareciam claras demais, óbvias demais. Porém, isso só tornou mais interessante o momento em que Iallanara mostra quem realmente é, e por que ainda estava ali. A personagem, que já possuía profundidade suficiente para torná-la quase real, nesse livro se torna, assim como Galatea, uma mulher dona de suas próprias ações. As obrigações de Iallanara são um tanto quanto diferentes das de Galatea, mas é fato que há também feridas abertas. Porém, há em Iallanara algo dos grandes personagens da literatura: a imprevisibilidade. Não digo isso por uma determinada verdade acerca da personagem, mas sim pela sua própria natureza. Ela não segue a lógica, muito menos a ordem. E, muitas vezes, não segue sequer a si mesma.
Os dois elfos que acompanham Galatea desde o primeiro livro, Sephiros e Gawin, continuam ao seu lado mas, dessa vez, não são apenas coadjuvantes que nos entretem nos momentos de monotonia. Cada um tem seus próprios problemas, seu passado e, talvez, um futuro, ganhando personalidades mais realísticas.

E, por fim, o personagem-título do livro. Enelock, o Lorde Supremo dos Mortos, que mal havia sido citado no primeiro livro, com uma participação quase ínfima no segundo, desta vez se torna o centro das atenções. Diferente do que eu supunha desde o começo desta série, o vilão não seguiu os padrões de outros livros de fantasia - um ser pura e completamente mal. Enelock também tem seus próprios problemas, e até mesmo seus próprios motivos. Em certos momentos, chega-se mesmo a torcer para que ele consiga encontrar sua redenção. E, dessa forma, o fato de seu maior inimigo ser uma mulher faz todo o sentido (quem ler entenderá). Como toda boa história de fantasia, Legado Goldshine possui um vilão de peso, que não mede esforços, que sabe os pontos fracos dos inimigos, mas que desconhece alguns dos seus próprios. Como todo bom vilão, Enelock acredita que o que faz é necessário e correto.
Dignas de nota são também as descrições dos "anões" de Grinmelken. Contrariando as descrições comuns por um lado, e por outro elevando-as ao máximo, o autor criou uma raça de criaturas interessantes, que poderiam certamente ser mais bem descritas em obras posteriores - o que de fato não cabia a esse livro. Também interessante é a descrição da criatura "criadora" dos vampiros. Semelhante às descrições de um certo sistema de RPG, tal personagem incita ao mesmo tempo o terror e a devoção.
Olhando um pouco além dos detalhes, é possível enxergar uma distina evolução entre os três livros da série. Filhos de Galagah, o primeiro, segue todas as fórmulas já bem conhecidas das histórias de fantasia, focando na honra e em personagens poderosos. O Senhor das Sombras, o segundo, quebra com essas mesmas fórmulas, além de romper com o conceito pelo qual uma história de fantasia deve, mesmo que contenha sangue e luta, ser leve - o segundo livro não é nem um pouco leve. E Enelock?
Em Enelock, novamente as fórmulas de histórias de fantasia são quebradas, mas esse não é mais o foco. Nem mesmo a honra e a glória são o foco. É possível sentir aquilo que se sente quando se lê uma história daquele terceiro tipo de literatura. Os principais personagens se tornam reais, é possível quase enxergá-los à nossa frente, não porque suas feições sejam bem descritas, mas porque suas personalidades são plausíveis. É plenamente possível enxergar Galatea em determinadas pessoas, Iallanara em outras, Sephiros, Gawin... E, infelizmente, é também possível enxergar Enelock em muitas pessoas.
Legado Goldshine termina com uma obra que é o que toda arte deve ser: um espelho dos seus espectadores. Porque, afinal, como Oscar Wilde bem disse, é o espectador, e não a vida, que a arte, na verdade, espelha
.

No site/blog da série é possível ainda ler contos, ver entrevistas e ler os artigos publicados pelo próprio Leandro Reis e, naturalmente, comentá-los.
Há também uma entrevista dada pelo autor à Revista Fantástica, com uma mensagem interessante a escritores iniciantes.
Este artigo faz parte do Booktour do Legado Goldshine, promovido pelo autor em seu blog. Leia também as outras resenhas feitas aqui no Sonata Escarlate:
- Resenha de Filhos de Galagah, o primeiro livro da série;
- Resenha d'O Senhor das Sombras, o segundo livro da série.
E se você ficou curioso acerca das tais 'três maneiras de escrever para crianças', aquele ensaio citado no início deste artigo está no final do volume único d'As Crônicas de Nárnia.