6 de setembro de 2009

Labirinto

Tempo pirraça, pula e abandona
O cálice da desgraça sutil
Derramado em meu peito
O manto da solidão furtiva

Em um momento perdido
Teus olhos, teu toque, veneno
E o sangue que parou
Insiste em congelar

Há de se honrar o lar
De um parco sonhador noturno
Úmidas páginas, obscuro encanto
Aprisionado em palavras, uma flor

E nas mãos do Fim eu vi nascer
A bela borboleta sem cor
Voa, dança, beija, brinca
Em seu último momento, inerte

Sem noite, sem os braços lívidos
Seguindo passos e sombras
Rumo a outro destino, outra máscara
Sono, sonho, e só o Fim após

E naquela janela eu pude ver
Um anjo aparecer, uma noite
Vermelha face, um cálice
Teu mistério, eterno labirinto

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Escrito no Jardim, em 06/09/2009

Pintura: Iria, por Victoria Francés