28 de junho de 2010

O que não é meu...


Eis a pele que não é minha,
Aqui está o toque que não é meu,
Uma profunda sensação.
Eis o desejo de possuir
Tudo aquilo que não sou.

Eis a respiração que não é minha,
Aqui está as batidas de um coração,
(Quem derá ele fosse meu!).
Eis a vontade infinda
De tudo aquilo que não sou.

Eis o cheiro mais doce que não é o meu,
Aqui está a fala mais terna,
A paz que nasce
Em um seio lânguido.
Tal ninho que não sou.

Eis a alma mais certa que não é minha,
Aqui está o brilho mais lúcido,
doce é a vida ante a presença
Ao qual não sou eu,
De tudo aquilo que não sou,
Mas é o todo que há em você.

Engano


O que um coração quebrado escreveria?
De que partes tão perdidas
Ele diria palavras sensatas?

E lá está ele tão disperso,
Esperando que possa voltar a dizer
Cada palavra, novamente soprada
na mente inerte de seu autor.

E no confuso amor, ele se perde.
Não há palavras, nem senso...
Onde o nexo se perde
Aquele coração se enleva

E por que ele pretenderia?
Colocar suas batidas
Traduzidas em palavras
Tão inúteis, tão pequenas, tão sóbrias.

Ele quebrado se nega,
a dizer suas verdades
Elas de nada adiantam
Ele está apaixonado?

Fonte da Imagem: Orquídea.

Ao Anoitecer

Depois de ter apresentado um breve resumo de toda mitologia que envolve os Lobisomens, posto aqui o conto do escritor Claudio A. B. Cavalcanti Jr., sendo retirado na íntegra com prévia autorização de seu blog, que possui como tema recorrente estes Senhores da Noite. 



Ao passar por aquela estradinha de terra, como mandava sua rotina, Helena não se assustava mais ao ver o pobre Juarez, homem tomado pela loucura ao perder sua esposa e filhos a algo onde o mesmo definia como “o mal”. A mulher, que agora se encontrava em um aspecto triste, não tinha mais o velho hábito, assim como outros moradores, de orientá-lo para sua própria casa. Helena já não era a mesma há algum tempo, se notava facilmente pela mudança radical de seus comportamentos, que consequentemente virara motivo de falácias pelas redondezas.

Tem sido assim desde que ela avistou, com seus olhos arregalados, algo fora de sua compreensão, onde só ouviu falar diante das palavras de pessoas que eram constantemente motivos de piadas naquele lugarzinho. Durante meses, em toda madrugada, Helena adotava três companhias:

1-O riffle do marido sustentado entre suas mãos trêmulas;

2-Seu medo diante do desconhecido;

3-Suas lágrimas, que se tornaram suas “amigas” mais frequentes;

Por mais que isso a matasse por dentro, não havia outro jeito, e que por bem ou por mal, era forçada a se submeter à dolorosa espera toda noite, trancada em seu pequeno quarto. A cada hora que se passava, suas dúvidas iam corroendo, sabia que isso acabaria apenas com a chegada do dia. Infelizmente, dependendo da resposta para suas inúmeras perguntas, poderia dar razão a cada vez mais insegurança, e como de costume, ao anoitecer, tudo teria que se repetir.

Esse mesmo tormento vem acontecendo desde que Alberto, seu marido, em certa madrugada, notou grande alvoroço entre seus animais, interferindo em seu sono. Para a horrível surpresa do homem, ao chegar no lugar esperado e pouco iluminado, deu de cara com algo que, segundo ele tentou explicar a esposa, confundia-se com um lobo de tamanho grande, e curiosamente, conseguia ficar em pé de alguma forma, envolta de alguns trapos de roupas em seu corpo. Tinha uma agilidade surpreendente, onde observava seus olhos vermelhos, fazendo um barulho assustador, junto com sua rapidez. O animal, como o próprio antes definia assim, havia feito uma carnificina entre as galinhas, ao perceber sua presença e naturalmente, seu espanto, ainda com a boca tomada por sangue pela refeição interrompida, deu um grande salto em direção ao braço do homem tentando uma mordida para fazê-lo largar a espingarda, parecia entender o perigo que se encontrava. Alberto com o ataque inesperado caiu no chão e por conseqüência, deixou disparar um tiro para o alto, que resultou na fuga do bicho.

Ao passar dos dias, com a mordida devidamente cuidada, mesmo se tratando de algumas horas de estrada até o encontro de um hospital próximo, a figura “daquela coisa” tinha deixado outras marcas. Quando Alberto parava para relembrar o ocorrido, pensava na hipótese de que Helena poderia ter tomado seu lugar naquela madrugada, bom saber que a mulher tem sono pesado, ou ao menos tinha, antes do acontecimento. O casal, com receio de virar piada, assim como outros habitantes daquelas terras, decidiram guardar segredo sobre os detalhes e relataram que foi apenas um animal qualquer que havia lhe dado, como resultado da “visita”, uma faixa no seu braço direito.
A marca da criatura também estava presente na mudança da esposa, assim como todos ao redor comentavam. De uma mulher tão bela e sorridente, atenciosa, sempre com uma palavra amiga, foi substituída para uma imagem melancólica, seu sorriso havia desaparecido como se nunca tivesse feito parte dela, e sua voz que passava paz a quem escutasse, deu lugar ao silêncio. Não parecia se importar mais com seus cuidados estéticos, característica tão presente no comportamento feminino, principalmente quando se tratava de Helena. Tudo isso era conseqüência da metamorfose de Alberto. Ela já observou algumas vezes com a porta entreaberta, apesar do marido, querendo retribuir os mesmos cuidados que recebia dela, avisa-la para trancar-se de forma rigorosa e sempre armada, pois havia descoberto que toda noite: Tornava-se lobisomem.

Tudo parecia mais claro ao sujeito, seus sentidos aguçados, sua habilidade, sua força que consequentemente o ajudava quando encontrava trabalho pesado, eram características do que se transformava, um animal mitológico que ele conhecia apenas por estórias quando criança contadas pelo seu avô ao redor de uma fogueira ou por bêbados e insanos. Para Helena, a visão do seu amado modificando-se veio a calhar, passou a ter mais confiança na arma e sabia que mesmo tendo o risco de atirar em seu próprio marido, não teria outro jeito. Os dois decidiram que seria melhor assim, pois Alberto não sabia, após a transformação, do que era capaz de fazer, principalmente em noites de lua cheia onde percebia que se deixava levar mais pela selvageria. Helena já presenciou em algumas ocasiões a tal ferocidade, mas dessa vez era como se sua raiva fundisse com seu animal interior. As fases da reação nunca sairiam da memória da mulher, seus pêlos começavam a crescer e parecia não ter fim, então Alberto aparentemente, entra em um estado de agonia, rasgando sua camisa diante da força que recebera, as orelhas, assim como suas unhas que virariam garras, cresciam igualmente, da mesma forma era com seu tamanho e sua musculatura, parecia que a fera dentro de si queria adaptar-se ao corpo de seu “dono”. Os gritos de Alberto logo passava a misturar-se com urros, e com seu rosto já modificado para face de um lobo, saia noite afora, como se sua residência fosse um tipo de jaula e pedisse desesperadamente por liberdade.

Helena, mas uma vez, voltava a trancar-se junto com seu pavor. Nessas esperas, diversas vezes já se entregou a nostalgia. Quando não era levada pelo cochilo, lembrava de outros tempos, outra vida antes do terrível acontecimento. Antigamente, apesar das dificuldades, sempre havia um jeitinho de resolver os problemas naturais da vida do jovem casal. Da mesma maneira que encontravam um tipo de “refúgio” durante o dia, pareciam que entravam em transe, como imãs humanos, eram tomados por uma atração sexual inexplicável. Os dois perdiam-se entre os lençóis, como se tomassem uma dose de esquecimento e por alguns minutos, deixassem tudo para trás. Certa vez, Alberto relatara algo preocupante: a lembrança. Os “flashs” em forma animal que ainda permanecia nele correndo entre as matas, entre bichos variados que encontrava pela frente e às vezes, os caçavam diante de uma fome animal. Antes pudesse esquecê-los, mas lembrava, e consequentemente tornaria aquilo ainda pior, pois, segundo o mesmo, diante de seu possível descontrole, não sabia do que seria capaz se encontrasse pelo percurso um morador, e queria esquecer o mais provável, poderia um dia ser Helena, quem sabe. Nunca se conformaria! Como um homem poderia guardar em sua consciência um ato desses? Conviver com um segredo assassino?
Quando além de qualquer outro, poderia ser sua própria mulher, tudo que dava mais importância! Não! Sempre prometia a si mesmo: lutaria com seu animal dominador. Os sítios vizinhos sempre ficaram longe um do outro, ficava na dúvida se realmente era algo positivo, sabendo do risco de sua metamorfose, ao menos alguém poderia ajudar sua esposa e a mesma não estaria tão só, com a esperança voltada em seu riffle, por outro lado:

- A distância ajuda a manter o segredo e atacar aleatoriamente. Confessava. Foi a última coisa que Helena recordou, ao se deixar levar pelo cansaço e novamente, adormeceu. Porém, durou apenas algumas horas para ser alertada com barulhos externos, os animais estavam mais uma vez inquietos e logo depois, sentira que algo adentrou sua casa, mas não sabia muito bem de que cômodo vinha. Espantada e agindo rapidamente, olhou as horas onde marcava quatro e meia da madrugada. Seu corpo gelou rapidamente, seu coração disparou, começou a rezar como se um milagre pudesse acontecer naquele momento, mas as preces não a impediam de pensar:

-Uma noite teria que acontecer, o animal de Alberto sentiria falta de me matar!

Tentou ficar em silêncio, quase imóvel, sabia que o lupino tinha, além dos outros sentidos, uma audição apurada e qualquer barulho sequer, poderia ser sua sentença de morte! Seu minúsculo quarto fechado com a ajuda de cadeados e chaves, não bastaria para a fúria do homem-lobo. Devagarzinho, retirou delicadamente a chave do trinco e tentou avistar algo positivo como resultado de suas orações. Nada, o silêncio tomou conta de repente. Não ousaria sair dali, mesmo armada e trancafiada. Mas seu maior nervosismo se resumia na falta de capacidade de atirar em um animal, sabendo que neste “reside” seu homem. Mal acabou de pensar nesse fato, e a porta foi brutalmente “atacada”! O ser parecia sentir seu medo. Assustada, posicionou a arma como aprendeu, acabaria ali aquela madrugada horrenda, tudo dependia de sua coragem, e diante de sua vida, bastava um dedo no gatilho. O rosnado parecia mais forte a cada batida, podia-se ver os olhos da fera, quase arrancando os cadeados pela extrema força, deixando por consequência uma pequena abertura entre a vista assustada de Helena e o focinho da criatura, mostrando seus dentes cravados na ponta da porta como se pudesse destroçá-la, suas garras arranhando a madeira, mostrando grande irritação por ainda não conseguir entrar.

Olhou por todo o quarto procurando uma esperança, mas não encontrava, estava abandonada a sorte. Ela pôde imaginar sendo devorada pela fera que Alberto se tornara, seus gritos confundindo-se com dor e horror. Até seus pés sentirem algo diferente, uma elevação estranha no chão. O lobisomem já estava conseguindo o que queria, quando Helena, agradecendo aos céus, percebeu onde pisara: na entrada do antigo porão, onde raramente usavam. Parecia ser um sinal de Deus, então, tentou abrir com dificuldade a única solução de seu problema presente. Após entrar, não podia ver nada, estava completamente escuro, como se ficasse cega de uma hora para outra, sentia as teias de aranhas e ouvia acima, os passos do inimigo se retirando do local onde estava. Devido à pressa que exigia a situação, tratou de ir, mesmo na escuridão, ao encontro da saída, daria exatamente por detrás da casa. Tentou seguir um tipo de direção lógica com o tato entre paredes, móveis envelhecidos e tudo que pudesse imaginar, de acordo com o que sentia suas mãos. Saindo do refúgio subterrâneo, ainda não conseguia tranqüilizar-se.
A mudança dos passos não seria mera coincidência, a imagem do descontrole que vira há pouco tempo, não o faria desistir facilmente, comparável a um lobo perseguindo sua caça motivado pelo seu extinto e agilidade. Não demorou muito para a criatura aparecer com seu olhar frio à presa, seu maior desejo. Parecia brincar cruelmente até chegar ao ataque final. Percebeu quando o homem-lobo estava preparando para avançar incentivado pelo auge da caçada. Esperançosa, clamou pelo nome de Alberto, tentando despertar ali, uma imagem sua. Quanto mais ela chorava repetindo as mesmíssimas palavras, desejando no fundo uma misericórdia, a boca de seu amado mostrava cada vez mais seus dentes afiados, seus pêlos das costas estavam armados, acompanhados de um rosnado poderoso. Tentou outra vez usar a arma, não conseguiu, a segurança das balas foi tudo em vão. Então, deixando o riffle cair no gramado, conformada na morte certa, fechou os olhos dando-se por completa, torcendo para que fosse rápido e menos doloroso possível. Para a sua surpresa, de dentro daquele matagal onde fechava praticamente quase todo aquele ambiente, saiu outro lobisomem igualmente feroz. Helena gelou por uma segunda vez, seu cérebro a avisava para correr, mas suas pernas não obedeciam seu comando. Os lupinos digladeavam-se violentamente, e o prêmio do vencedor seria o belo corpo feminino experimentando a fúria que observava paralisada. O “visitante presente” estava intencionado em morder o pescoço do outro, encontrando uma forma mais fácil de matá-lo. Mas, também recebia golpes fortes em seu corpo peludo, impedindo muitas vezes, de revidar. Ambos eram teimosos a fim de resistir à força que recebiam e logo a brutalidade espalhou-se com mordidas por todas as partes. Em questão de segundos o verde do capim desapareceu com o vermelho do sangue, resultado da luta. Até que caíram se distorcendo, fracos, completamente ensangüentados. O amanhecer acabava de chegar e estavam voltando as suas formas humanas. Helena enxergou espantada a modificação de Alberto, justamente o lobisomem que a salvou do outro. O invasor que quase tirou a vida dela estava modificando lentamente para a fisionomia de Juarez. Ambos gravemente feridos e seus corpos já humanos por completos, não resistiriam muito tempo de vida. Juarez tentou falar, algo raro em seu comportamento sofredor. Não dava para entender perfeitamente as palavras, possivelmente um “perdoe-me”, logo depois se rendeu ao sono eterno. Alberto compreendia que seu fim também se aproximava. Se pudesse escolher um jeito de morrer, seria exatamente nos braços de Helena. Olhava para a esposa, apreciando fixamente seus olhos como se fossem duas jóias valiosas, uma pintura rara de encontrar, morreria com aquela imagem onde, como antes, sempre trazia conforto, e foi assim até seu último suspiro de vida. Naquele instante, o sol não apresentava apenas o dia, mas revelava o sacrifício do “lobo” à sua fêmea, provando, mesmo mudado, que nunca se esqueceu da lembrança dela, uma tentativa de manter-se controlado. Helena estava ciente disso e mesmo lhe doendo a alma ter visto o falecimento de Alberto, sabia: o animal e seu homem finalmente encontraram a paz.

25 de junho de 2010

O lado esquerdo do peito...


A amizade costuma ser vista como o vínculo mais autêntico. Isso por ser uma relação que pressupõe escolha e não passa por nenhum outro interesse que não seja a afinidade e a vontade de estar junto. A socióloga americana Jan Yager escreveu o livro Bons Amigos Maus Amigos (editora Gente, 2007), lançado no Brasil ano passado. Nele, analisa quando uma amizade é positiva ou negativa. Mas será que existem mesmo fórmulas prontas? Alguns sociólogos e antropólogos explicam que o conceito de amizade e o que se espera de um amigo varia ao longo da vida, de sociedade para sociedade e de uma época para outra. Os únicos quesitos que parecem ser constantes é a necessidade de confiança e de reciprocidade.

Claudia Barcellos Rezende, professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e autora do livro Os Significados da Amizade - Duas visões de O amigo certo pessoa e sociedade (editora FGV, 2002) fez uma pesquisa na década de 1990 para comparar a amizade entre londrinos e entre cariocas. “São duas sociedades que compartilham valores do mundo ocidental e moderno, mas encontrei diferenças razoáveis na definição de amigo e nas relações de amizade”, diz.


De acordo com Claudia, o que se entende por um “bom amigo” seria diferente no Rio de Janeiro e em Londres. Na Inglaterra, como as pessoas valorizam na maior parte do tempo a contenção das emoções e a polidez nos contatos, a expressão mais espontânea das emoções fica restrita a um grupo pequeno de pessoas - amigos, amores e relações familiares. Uma grande diferença em relação ao Brasil: “Aqui, a amizade não passa por uma questão de revelação emotiva. As pessoas são espontâneas o tempo todo e com qualquer um. Para o brasileiro, amigo é em quem se pode confiar no sentido de ser uma pessoa que lhe quer bem e não tem a intenção de usar essa amizade para qualquer outro fim”, diz a professora. Ela explica que, na Inglaterra, um bom amigo é aquele em quem posso confiar para revelar minhas emoções mais verdadeiras sem ser rejeitado. “Não passa pela cabeça deles ou não é tão importante a preocupação em saber se o amigo é bem intencionado ou interesseiro, como ocorre no Brasil. São sociedades diferentes na maneira de lidar com as emoções”, completa.

Para ver a reportagem completa, clique.

Bom, estava estes tempos falando sobre amizade com uma, lógico, amiga (é você mesmo Pandora Lee!!). Atualmente vemos muitos tipos as fraternais, virtuais, animais e aquelas que a gente acredita que é amigo, mas não é.
Se ela está ou não sendo desvalorizada, não tenho competência para falar sobre o assunto, apenas sei dos meus amigos, que me aturam, me respeitam, me ajudam, enfim são meus amigos.
Eu também tenho vários tipos de amigos: os de balada, os fraternais, os virtuais, e tive uma muito especial que foi uma amizade canina pra lá de duradoura.
Eu me permito sentir saudades, dos amigos de faculdade, dos amigos de infância que a vida afastou, dos amigos que a morte levou... Eu me permito sentir essa falta, a saudade na forma de uma boa lembrança.
Ninguém no mundo está livre deste tipo de sentimento, é normal e completamente natural...
Mas o que mais sinto é um amor imenso por aqueles que permanecem comigo: OBRIGADA!!!



 John Grogan nasceu em Detroit, em 1957. Colunista do Philadelphia Inquirer, tendo já trabalhado como editor-chefe da revista Organic Gardening, além de trabalhos como repórter, chefe de redação e colunista em vários jornais americanos.
Vive atualmente na Pensilvânia, com a mulher Jenny, os 3 filhos e uma cadela labrador de nome Gracie.
Ele escreveu Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo, onde relata sua vida ao lado do bagunceiro, porém carismático cão Marley.
O livro é interessante, por ser uma história simples, sem grandes acontecimentos, mas cheia de emoção e de uma sensibilidade. Um ponto do livro que chama a atenção é a importância que os pequenos acontecimentos da vida, se revelam grandes e cheios de significados em se tratando da convivência com um cão.
Uma leitura muito boa! Se você já teve um cão ou algum animal que amou muito vai chorar no fim...



Vicki Myron de Spencer, como diz em seu livro nasceu em uma fazenda ao sul de Moneta, Iowa (cidade que por sinal não existe mais).
Ela se graduou na Hartley Iowa High School, e se mudou para Mankato, Minnesota, onde viveu. Possuindo uma licenciatura em Mankato Estado e um mestrado em Emporia State University, Emporia, Kansas.
Em 1982, ela voltou a Spencer onde passou a trabalhar na biblioteca pública.
Em 1987 foi nomeada diretora da Biblioteca onde atuou por 25 anos e meio, vindo a se aposentar em 2007, época em que escreveu seu livro Dewey - um gato entre livros, que se tornou best-seller em 2008.
Em seu livro ela conta a história de sua convivência com Dewey, um gato que foi deixado na biblioteca ainda filhote e que desde então foi criado lá.
O interessante é que apesar da fama de animais preguiçosos, e de não serem carismáticos como cães, a história emociona, a capacidade do animal em perceber seu ambiente e as pessoas que dele fazem parte, de criar vínculos e rotinas, que enriqueceram ainda mais o ambiente da biblioteca.
Outro ponto forte do livro é um passeio sobre a vida de uma pequena cidade americana, a forma como o progresso a atinge, como as pessoas vivem em comunidade.
Um livro sensível e emocionante, e sem dúvida alguma vale muito a pena ser lido.


Obs.: As rosas amarelas representam a amizade e a felicidade.

               Portal da Literatura

24 de junho de 2010

Uma Lua Cheia de Histórias

Em tempos onde ser vampiro é o ideal jovem, como um herói incompreendido, surge outra criatura para formar um pano de fundo: o Lobisomem.
É triste que se relegue um papel tão secundário, pois o mito do lobisomem é tão (ou mais) vasto que o mito do vampiro, sendo em muitos casos fundidos.
Fico espantada também com a falta de informação dada ao assunto, que frequentemente é encontrado em capítulos de algum livro sobre vampiros ou qualquer outra criatura. 
Por fim, resolvi demonstrar um pouco do que é a história do lobo, e tentar contribuir, ainda que tão parcamente, para o conhecimento e a reflexão do mito do lobisomem.



“Em vão, tentou falar; a partir daquele momento
Sua boca espirava espuma e tinha sede
De sangue, enquanto vagava entre rebanhos
E suspirava por matanças.
Suas roupas transformaram-se em pêlos,
Seus membros ficaram atrofiados.
Um lobo, mas ainda mantendo parte de sua expressão anterior,
Grisalho como antes, sua fisionomia, furiosa,
Seus olhos brilham selvagemente, a imagem da fúria.”
(Ovídio, Metamorfoses)


A Licantropia é nome formal, para o que se vulgarmente conhece por lobisomem, correspondendo a transformação de pessoas em animais, sendo ela mental ou física. A palavra é originada de "Lycos", que significa "lobo" e "Anthropos”, "homem".
Como existem muitas variações da lenda, também há muitas variações do termo, por exemplo, os romanos denominam "Versipélio", os hungáros de "Volkodlák", os russos "Óboroten", os saxões de "Werwolf", os germanos de "Wahrwolf", e muitos outros.
América do Sul: kanima, um espírito que toma a forma de um jaguar.

- Argentina: lobisón.

- Brasil: o nome perdeu o hífem de Portugal e se tornou lobisomem. Além desse existem muitos outros como o boto, que assume a forma de um homem e o uirapuru, um pássaro marrom que assume a forma de um menino.

- Bulgária: vrkolak.

- Canada: wendigo ou witiko.

- Chile: chonchon, uma bruxa que se transforma em um urubu.

- Etiópia, Marrocos e Tanzania: boudas, um homem-hiena.

- Escandinávia: varulf.

- Estados Unidos: werewolf.

- Espanha: hombre lobo, lupino.

- França: loup-garou, bisclavret.

- Grécia: vrykolaka, um nome usado para lobisomens que também serve para descrever vampiros e feiticeiras/os.

- Haiti: loup-garouque pode mudar sua forma para qualquer coisa, seja planta ou animal.

- Islândia: hamrammr, uma criatura que assume a forma da última coisa que comeu, e ganha mais poder continuando a devorar outras coisas.

- Índia: rakshasa, uma criatura que pode assumir a forma de qualquer animal desejado.

- Indonésia: layak, um espírito que pode assumir a forma do que quiser.

- Itália: lupo manero ou benandanti para pessoas que se tornam lobos permanentemente para lutar contra bruxas no submundo.

- Japão: kitsune, uma pessoa que vira raposa, também o tanuki ou minjina, uma pessoa que assume a forma de um texugo, cachorro ou castor.Em geral criaturas capazes de alterar a forma são chamadas de henge.

- Latvia: vilkacis.

- Lituânia: vilkatas.

- México: nahaul, uma pessoa que assume a forma de um lobo, gato, águia ou touro.

- Nativos Norte Americanos: limikkin ou skin walkers.

- Normândia, França: lubins ou lupins.

- Noruega e Suécia: eigi einhamir.

- Filipinas: aswang, um vampiro / lobisomem.

- Portugal: lobis-homem e lobis-homens.

- Quênia: ilimu.

- Russia: wawkalak ou bodark.

- Sérvia: vukodlak.

- Slovakia: vulkodlak.

Uivos na história

A metamorfose de homens para lobos é bem antiga, principalmente nas crenças primitivas como o xamanismo. Nestas crenças ligadas ao conceito de relação homem/natureza, onde os aspectos naturais são valorizados na prática religiosa, é comum relatos de sacerdotes e xamãs que incorporam espíritos de animais, ou rezavam para que tivessem auxílio num ritual.
Tais crenças também podem ser observadas na adoração dos animais através dos "Totens", que corresponde a crença de que cada pessoa tem um animal totem que o auxilia e influência em sua vida (tanto que muitos povos indígenas personificavam para si aspectos animais).
Em tais crenças, ter aspectos animais e os próprios eram personificações de boas coisas, bons presságios, sendo vistos como bençãos e não como maldição.
Cada povo ao longo da história atribuiu a diferentes animais, aspectos e simbolismos diversos, alguns eram representantes de deuses, como Bastet representada em uma gata, Hórus em um falcão, Háthor em uma vaca, Seshat em uma serpente, Loki em um salmão, ou sendo relacionados a determinados deuses como Hécate que frequentemente era representada junto a uma matilha de cães, Ártemis junto a uma coruja e muitas outras relações.

O lobo sempre esteve associado a mulher, representando a mulher livre, independente e ativa, também chamada de "Shewolf". Tais mulheres possuíam poder, respeito e prestigio, sendo conhecidas em várias culturas como na América Norte e Central e Europa (os nórdicos a denominavam "Vargynjer").

Um exemplo, a Rainha Maeve (rainha irlandesa celta que reinou em Connacht, pertencente ao Ciclo de Ulster), seu nome significa "mulher-ébria" ou "rainha loba", sendo endeusada como Deusa da Guerra pelo seu desempenho em guerra e por apresentar um forte magnetismo sexual (aqui também podemos chamar a atenção para a expressão "idade da loba", ou seja, idade em que a mulher atinge seu ápice de maturidade).
Podemos citar também o mito da criação de Roma, onde seus míticos fundadores foram amamentados por uma Loba, porém há a expressão latina "lupa" que designa prostituta, ou seja, podemos intuir que Rômulo e Remo foram criados por uma prostituta.
Na tradição portuguesa e galega, outro caráter feminino dos lobos era a "Peeira" ou "Fada dos Lobos", jovens que se tornavam guardadoras e companheiras dos lobos, correspondendo as versões femininas dos Lobisomens possuindo o poder de comunicar-se e controlar as alcateias.

O historiador Heródoto acreditava que os povos do Leste da Europa (onde se situa a Romênia), tinham a capacidade de se transformar, em certos dias do ano, em lobos, retornando depois disso a forma humana. Esses povos eram denominados "Neuros", atacando pessoas desprevenidas em rituais de antropofagia durante o culto ao deus-lobo.
Na Itália Central, sacerdotes do Sorano (um dos nomes de Plutão, rei dos infernos) do povo Sabino, que em épocas primitivas habitavam a região, se entregavam ao culto envolvidos de em peles de lobo, animal consagrado ao deus.
Na Ilha de Sumatra (Indonésia) os homens de uma tribo afirmam poder se transformar em tigres.

Na cultura soviética, as alcateias de lobos que uivam, nas noites de inverno rigoroso, são lobisomens que cumprem seu destino até voltarem a conviver com os homens.
Para os chineses, os lobisomens conservam sua forma animal, depois de mortos. Ainda existe a crença no lobisomem fêmea, em que a mãe de um general se transforma em uma loba após os setenta anos de idade.
Na África, o lobisomem feminino assume a forma de hiena ou pantera, sendo uma penitência a uma mulher que cometeu pecado mortal, cumprindo o destino em se transformar por sete anos.
Na Armênia, acredita-se que uma pele de lobo cai sobre ela, e durante a noite devora os próprios filhos, e seus parentes mais próximos, partindo para outras crianças, e ao amanhecer volta a ter a forma humana.
Na Bretanha de 1832, havia a crença de que o lobisomem eram homens que afastados do confessionário por 10 anos, se transformavam em lobos. Outras vezes o castigo era atribuído quando a pessoa não mergulhava seus dedos em pia de água-benta por sete anos.
O lobo é um animal conhecido comumente por ser voraz. Seu simbolismo remete a destruição e a voracidade de devorar toda matéria e o mundo, sendo então ligado de forma antagônica tanto ao fim, como ao recomeço.
Sua ligação com a noite o faz ter a fama de ser capaz de enxergar nas trevas, sendo seu Senhor, mas também seu servo. Ele é o guia que embora ligado a noite, é o que conduz a luz.
Sua fome o associa com a "goela", imagem simbólica de poder de sucção e da incapacidade diante do mesmo (pensemos na "Boca de Lobo" em nossas ruas, não é por acaso o nome). Assim como a noite é a goela do lobo, que nos consome por completo, mas que também nos proporciona a aurora, e o retorno. Um caminho inevitável ao Inferno.
O Deus Egípcio Anúbis era representado com cabeça de chacal ou lobo, sendo o juiz do submundo, e em determinadas regiões (Cinópolis, por exemplo) era venerado como Deus dos Infernos.


Contudo, o mito do do lobisomem remete desde o séc. 10 a.C. nos escritos de Heródoto e o "Povo dos Neuros", que já foram discutidos anteriormente, porém foi Petronious, autor romano da peça teatral "Satyricon" no ano de 5 a.C. , que uniu o fenômeno da Lua Cheia com à metamorfose de um homem em lobo, mas foi Ovídio no ano de 1 d.C. que escreveu sobre o mito do rei Likaon (ou Licaon).
A crença no lobisomem prevaleceu na Europa Medieval, tendo seu auge no final do século XVI. Na França, mais de 30.000 ações judiciais ocorreram contra Lobisomens, e quase 100 delas foram executadas, pois os acusados teriam cometido seus crimes na forma lupina. Durante esse período de "Caça às Bruxas" os lobos foram perseguidos e mortos, muitos chegando a quase extinção. A Igreja Católica via o lobisomem como encarnação do mal, sendo um descendente de Caim ou como uma monstruosidade criada ao se vender a alma ao diabo.
Foi na Europa Medieval que os lobisomens assumiram definitivamente de criaturas do mal, na França um dos casos mais conhecidos foi de Pierre Bourgot, um pastor que em 1521 foi julgado pelos assassinatos brutais de várias mulheres jovens, declarando que se transformava em lobo durante o processo.
Na época, na França qualquer pessoa que tivesse muito pelo corpo todo, com sobrancelhas grossas que se fundem, com a palma das mãos muito ásperas e calejadas, de olhos arregalados e grandes poderia vir a ser condenado lobisomem pela inquisição.
Foi nessa época que surgiram histórias como "Chapeuzinho Vermelho" e dos "Três Porquinhos", que estão longe de ser leves como nas versões da Disney, pelo contrário, nas histórias originais ocorriam estupros e canibalismo, que serviam como alerta a população.
Também não é a toa na história dos Três Porquinhos o Lobo Mau soprar as casinhas, pois os lobos sempre tiveram associações com as forças naturais, assim em dias de tempestade onde os ventos "uivavam" para a imaginação popular, eram lobos gigantes que traziam os ventos e as tempestades, devastando tudo.

Uma alcateia de histórias


O mito grego para o lobisomem é proveniente de épocas pré-históricas que foram inseridas a religião baseada no Olimpo.
A história conta que Licaon, rei da Arcádia, filho de Pelagro e primeiro soberano da região, tentou assassinar Zeus, que se hospedou junto a ele por uma noite. Zeus como castigo lhe deu a forma lupina.
Existem outras versões em que Licaon faz um sacrifício humano e sua transformação é a cólera divina em resposta. Outra conta que Licaon serviu para Zeus carne humana.
Segundo Pausanias, Licaon sacrificou um filho de Zeus no monte Licaeus, no fim o rei é igualmente punido com a forma animal, para sempre transformado em lobo, podendo apenas retornar a sua forma humana após se alimentar por 10 anos de carne humana.
Note que desde começo o rei já portava o lobo em si, pois seu nome tem a mesma raiz latina para palavra lobo (Licus, Luko).


Em sua "Histoire de La Magique en France", Garinet narra acontecimentos de 1573 onde Gilles Garnier foi a julgamento, depois de ter sido acusado de ter devorado várias crianças em sua forma de Lobisomem. Foi então condenado, tendo sido arrastado até o local da execução e queimado vivo.
Garnier confessou durante o seu depoimento que, vendo-se cheio de problemas, foi a floresta em busca de calma, lá encontrou um fantasma que possuía forma humana. Este ser lhe propôs a faculdade de se transformar em lobo ou qualquer outro animal. Escolhendo a forma de lobo, Garnier conseguiu a metamorfose com unguento especial.
O caso foi em uma aldeia francesa nas proximidades de Dôle, em que um grande lobo foi responsável pela morte de dezenas de crianças, constatou-se que o animal tinha uma grande semelhança facial com Garnier, que confessou tudo sob tortura.

Outro caso descrito foi de Jean Grenier, um menino de 13 e 14 anos que confessou ter matado crianças quando estava metamorfoseado em lobo. Em seu relato, disse ter sido apresentado por seu vizinho ao Senhor da Floresta e que este lhe dera um ungüento para esfregar. O ungüento ficava sob a guarda do Senhor da Floresta, porém Grenier tinha liberdade para usá-lo como desejasse.
Grenier foi declarado como portador de licantropia, e assim, conseguiu ser condenado à prisão perpétua no Monastério Franciscano, e não a pena de morte.

Outro caso foi o de Victor de Aveyron da França, que foi diagnosticado como autista por Jean Itard. Graças ao trabalho paciente e amoroso de Itard, Victor aprendeu a falar, embora mantivesse muito do seu comportamento selvagem, mas conseguiu atingir a idade de 40 anos.

Outros casos conhecidos são as crianças lobo, que no início do séc. XX vieram ao conhecimento do público, relatos de crianças lobo na Índia, crianças babuíno, gazela e macaco na África. Tais crianças foram classificadas como Homo ferus por Lineu no séc. XVIII, mas tal designação não foi usada, eram conhecidas pelo seu comportamento selvagem, desdém por autoridades, indiferença ao uso de roupas, e em alguns casos afinidade por carne crua.
Agindo como animais, estas crianças uivam, mostram os dentes para mostrar desprazer, arfam como animais quando sentem calor, e corre sob quatro membros, um caso foi conhecido foi de Amala e Kamala, garotas feras encontradas em Calcutá, Índia.
As garotas foram encontradas por um missionário local, quando este tocou 3 lobos adultos de uma toca, e as encontrou junto aos filhotes. Colocadas em jaulas foram transportadas até um orfanato local. A viagem as desgastou, e quando ao final dela não tinham nem forças para beber água de lenços úmidos. Amala morreu com 2 anos e meio de idade e sua irmã morreu aos 17 anos por intoxicação, provavelmente causada pela dieta que lhes foi imposta.


Os Cynocephali, ou cabeças de cachorro, é uma raça descrita "Natural History" - Pliny de homens que possuíam corpos humanos, mas com cabeças de cachorro. Segundo o livro, estes seres viviam nas montanhas da Índia e latiam para se comunicar entre si, vestindo peles de animais, caçavam se utilizando de artefatos primitivos como arcos e flechas.
Outros relatos dos Cynocephali os mostravam de forma muito mais monstruosa, como o de Alexandre, o Grande, que os descreve como seres de enormes dentes e respiração de fogo. Outras fontes os descrevem como canibais, mas independente das descrições um ponto em comum era a dupla natureza (homem e animal).
Segundo fontes, os Cynochephali e outras raças parecidas eram conhecidos pela Igreja, que os usavam como soldados do Cristianismo. São Christopher, ou São Cristovão é o patrono dos viajantes e marinheiros, em muitos relatos ele seria um Cynocephali, um lobisomem. Está parte de sua história foi removida da literatura ocidental, contudo muito ainda se encontra na Irlanda e nas regiões que tiveram influência Celta, que sobreviveram graças ao fato dos monges irlandeses saberem grego, e sua cultura não ter sido tão afetada pelos romanos, como as outras na Europa.
São Cristovão teria nascido com a cabeça de Reprobus (um cachorro pagão), mas a alegria de sua conversão ao Cristianismo o redimiu, permitindo-o abandonar sua forma bestial. Sua imagem popular era de um gigante carregando Cristo criança, mas uma razão para está imagem era de que ele era um convertido de uma raça monstruosa.
Com o passar dos anos a história dos Cynocephali foi alterada, e acabou no terror do Lobisomem no séc. XVII.

Mais um caso é de Leonid Kliuchevskiy, de Perm, que anunciou pertencer a um clã antigo de lobisomens. Segundo ele, todos os homens de sua família são tendo em comuns cabelos e pêlos cinzentos e uma marca verde na face.
A descoberta se deu no funeral do pai, em que o bisavô insistiu para que se cortassem os tendões dos calcanhares do morto e que sua boca fosse preenchida com moedas para que após a morte não se tornasse um vampiro.
Leonid conta que seu pai lutou contra a maldição, bebendo bílis durante as luas cheias para escapar às mutações.
Os sintomas da maldição começam na adolescência: "É difícil descrever minha experiência. Pouco antes da lua cheia eu sofro com terríveis dores de cabeça, sinto-me agressivo e ansioso. Minha face se alonga, os pêlos do meu corpo se multiplicam, meus dedos se encurvam a minha percepção de sons e cheiros tornam-se muito aguçada". Leonid e seu irmão tornaram-se policiais e usam seus sentidos afiados no serviço de patrulhamento.
No entanto, o caso de Leonid é raro, segundo Vladimir Kon, especialista em fenômenos paranormais. Ele explica que: "maldição de família pode ter uma explicação científica: "Ao longo da história humana sempre existiram indivíduos com desvios psicológicos e/ou de percepção; algumas dessas alterações podem funcionar como dons especiais. Essas anormalidades são passada de geração em geração. São genéticas, hereditárias. Leonid pode ter preservado os instintos de seus ancestrais mais recuados. “Estes instintos se manifestam durante a lua cheia que, sem dúvida, exerce influência sobre os ‘humores’ (metabolismo) dos homens”.


Farejando na noite...



Nas diversas culturas o lobisomem se apresenta em diferentes roupagens, não assumindo necessariamente a forma lupina, podendo apresentar outras formas, dependendo da região. E a forma de se tornar um lobisomem também varia muito, e com o advento do cinema a lenda se espalhou, modificou novamente, e se unificou.

A principal forma de se tornar um lobisomem é ser mordida por outro, sofrendo então uma infecção. Neste caso, a "doença lupina" só pode ser curada quando o lobisomem que passou a infecção for morto.
Outra crença muito conhecida é de que o Lobisomem só se transforma em noite de lua cheia.

Versões variadas remetem a maldição do lobisomem, para os portugueses, o 7º (podendo variar entre o 5º e o 9º) filho incestuoso, possuindo certas características:
- Único menino caçula;
- Orelha pontuda;
- Nascer em um lugar onde se revolveu um cavalo (ou burro) numa noite de sexta-feira.
A partir daí em todas as sextas feiras da meia-noite às duas da manhã o lobisomem irá visitar 7 cemitérios, 7 vilas, 7 colinas e 7 encruzilhadas e volta ao local onde se revolveu, voltando a aparência humana. Essa lenda também tem grande influência no Brasil, com algumas variações.
Em algumas lendas, a pessoa adquire a maldição após ritual onde tenha feito um pacto com o Diabo ou outra entidade maligna.
Na Rússia, pessoa que deseja se transformar deve procurar na floresta uma árvore derrubada, esfaqueá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore recitando encantamentos, em seguida salta três vezes sobre a árvore e corre para dentro da floresta transformado em lobo.
Em muitos lugares, se mantém a crença de que os lobisomens são magos negros que transformam seus corpos etéreos em lobos sangrentos que devoram pessoas.
Algumas características corporais reunidas eram suficientes para que uma pessoa fosse apontada como lobisomem:
- orelhas pontudas;
-sobrancelhas juntas;
-magreza;
-palidez;
-nariz fino;
-em algumas lendas o cabelo ruivo;
- há também a menção do lavrador de aspecto rude.

 As principais formas de adquirir a maldição são:
- Pela própria maldição, onde a pessoa se transforma no denominado Lobisomem Alpha, que ganha sua maldição por desafiar ou destruir um poderoso mago. Ele irá descobrir sua maldição na primeira noite de lua cheia, depois do feitiço. A primeira metamorfose é a mais traumática, dada a surpresa.
-Pela transmissão hereditária, onde a criança obtém sua maldição de seu pai ou mãe.
-Por sobreviver a um ataque. A pessoa mordida irá dormir bastante nas próximas semanas, enquanto a doença irá propagar por seu corpo. Na primeira lua cheia a vítima irá descobrir sua maldição.
- Outro método de se tornar um Lobisomem é ser mordido por um Lobo que tenha decidido amaldiçoar um homem. O princípio continua então como a maldição por mágica, com metamorfose ocorrendo na primeira noite de lua cheia.
- Há também o método pela auto-indução. Por meio de rituais, o ocultista torna-se um lobisomem. Os casos clássicos incluem um banho de banha de porco sob a lua cheia ou espojar numa encruzilhada onde os animais façam espojadura.

Quando a pessoa é branca, torna-se um cachorro negro e quando é negro vira um cachorrão branco.
Em algumas versões o lobisomem sai nas noites de quinta a sexta em busca de coco de galinha para comer, por isso invade galinheiros. Depois disso ele vai à busca de crianças de colo para lamber suas fraldas sujas de coco.

As formas de se curar da maldição são variadas, matar o lobisomem que o transformou é uma delas. Contudo, certos amuletos, ervas, ungüentos, feitiços e exorcismos também são citados.
Porém, a forma mais celebre de se matar um lobisomem é através da bala ou algum objeto de prata.
Há crenças que para se afastar um lobisomem, você deve fincar os pés juntos e abrir os braços (formando uma cruz) repetindo eu "eu creio", por ser uma entidade maligna o lobisomem será afetado. Quando se mata um lobisomem, dizem que se pronunciar o nome da pessoa ou dizer "matei uma pessoa" ela voltará a sua forma humana, se ao contrário pronunciar "matei um animal" ela continuará em sua forma animal.


A alcateia



Existe uma hierarquia, um Lobisomem Alpha é que se pode considerar como reprodutor, podendo gerar uma série de Lobisomens Beta na terra, tanto por reprodução como por mordida.
Um Lobisomem Alpha tem como principal característica sua capacidade de liderança, devendo manter a lealdade dos Lobisomens Beta, pois do contrário podem ocorrer violentas disputas. Um Lobisomem Beta pode causar muitos atritos em uma alcateia, e como os Lobisomens Alpha, ainda que líderes, não podem machucar um Lobisomem Beta de sua família sob pena de sofrer os mesmo danos infligidos, levando-o a morte. Por outro lado, um Beta pode matar outro, sendo assim um Lobisomem Alpha sempre tem junto de si outros Lobisomens Beta.
É similar à árvore genealógica onde nenhum pode ferir seus descendentes, mas sim, ferir seus ancestrais e irmãos, e ainda, com o fato de que matar um ancestral irá causar uma quebra na cadeia e abençoar todos da mesma família. A maldição é quebrada quando o Lobisomem Alpha é eliminado.


O lobo que virava homem ou o homem que se tornava lobo...?


Todas estas lendas e suas variações são apenas formas do homem lidar com sua própria bestialidade.
A licantropia é descrita como uma monomania na qual o doente acredita que se transforma em lobo ou outro animal selvagem. Tal estado mental pode ser desencadeado por drogas, estresse, depressão, e independente das causas devem ser tratada com seriedade e respeito devidos.
Para alguns estudiosos o lobisomem era um lobo verdadeiro que foi possuído por um demônio que o torna mais feroz, audaz e invulnerável. Mas a crença mais aceita é a de que, o lobisomem é um bruxo metamorfoseado em animal ou vestindo a pele de um verdadeiro.
Numerosos lobisomens foram durante o século XVI condenados e queimados depois de haver confessado os seus delitos.
Muitas vezes o mito do lobisomem aparece mesclado ao do vampiro, como podemos observar na região dos Bálcãs do sul, onde era usado o termo Vrykolokas. Havia, no entanto, certa confusão na aplicação deste termo e seu significado.
Com o tempo o termo passou a significar somente vampiro, e foi por fim substituído por esta palavra, bem como a mudança da figura do lobo perante os povos daquela região (de animal guerreiro para fera).
Entre os modernos romenos existe uma criatura parecida com o lobo, o tricolici (ou pricolici) um homem que pode assumir a forma de um porco, um cachorro ou menos frequentemente a de um lobo.


Na foto Petrus Gonsalvus, foi um poderoso comerciante e armador português do séc. XVII, que instalou importantes empresas no Brasil

Há também casos, em que devido à genética, os indivíduos apresentem densa pelagem no corpo, sendo então chamados de lobisomens, como é o caso dos Irmãos no México. Por se tratar de algo hereditário não é raro encontrar famílias inteiras com essa característica.

Tal condição genética é conhecida hoje como hipertricose generalizada congênita, afetando homens e mulheres ao redor do globo.



No fundo todos possuímos uma besta interior que por vezes deixamos sair a noite, a liberamos para uivar para lua nossos desejos mais escondidos. Essa besta que não ousamos encarar, e que acreditamos ter domesticado, pode nos surpreender ao nos mostrar quem realmente somos, e que estamos todos bem longe de sermos controlados.


Fontes: Therian Brasil

                Santuário do Feiticeiro

                Morte Súbita

                Rosane Volpatto

22 de junho de 2010

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada


E na onda dos filmes 3D, chega as telas do cinema no dia 10 de dezembro, o terceiro filme da série "As Crônicas de Nárnia" que conta as aventuras dos Irmãos Pevensie ao lado de seu primo Eustáquio e do Príncipe Caspian, em busca de descobrir o que aconteceu com 7 fidalgos enviados para desbravar o Oriente.
As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader) já possui um trailer, agora é esperar e apreciar!



Fonte: Ambrosia

O Ateísta de Fé


Este artigo é uma pequena homenagem a José Saramago, escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta, que morreu recentemente, é certo que a literatura perde muito, em especial a portuguesa.

José de Sousa Saramago nasceu na vila de Azinhaga, no concelho da Golegã, em 16 de novembro de 1922, em uma família de agricultores. Passou grande parte de sua vida em Lisboa, para onde a família se mudou em 1924.
Não cursou a universidade devido as dificuldades financeiras de sua família, mas mesmo assim Saramago demonstra desde cedo interesse pela cultura e estudos. Formou-se em uma escola técnica, sendo seu primeiro emprego serralheiro mecânico. Contudo, fascinado por livros, durante a noite visitava a Biblioteca Municipal Central - Palácio Galveias com frequência.
Aos 25 anos de idade publica "Terra do Pecado (1947)", seu primeiro romance. Após este primeiro, apresentou ao seu editor, tempos depois o livro "Clarabóia", que depois de rejeitado, permanece inédito até a data de hoje.
Não deixando a literatura, Saramago após 19 anos lança "Os poemas Possíveis". Em um espaço de 5 anos, publica, sem grandes alardes, mais 2 livros de poesia: "Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). Trabalhando até está época no Editorial Estudos Cor muda para Diário de Notícias, e depois para o Diário de Lisboa.
Em 1975 retorna ao Diário de Notícias como Diretor - Adjunto, onde fica por 10 meses até o dia 25 de novembro do mesmo ano, quando militares portugueses intervêm na publicação, desta forma Saramago passa a dedicar-se somente a literatura.
Remanescentes da fase jornalista de Saramago são quatro crônicas: Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões que o DL Teve (1974) e Os Apontamentos (1976).
Após três décadas da publicação de seu primeiro romance, Saramago retorna com "Manual de Pintura e Caligrafia", porém não foi neste livro em que pode-se definir seu estilo, que só viria a aparecer em "Levantado do Chão (1980)".
Dois anos depois lança "Memorial do Convento", onde finalmente atinge destaque. Entre 1980 e 1991 o autor lançou mais 4 romances que misturam realidade e interpretação do fato oficial: "Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)", "A Jangada de Pedra (1986)", "História do Cerco de Lisboa (1989)" e "O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)", sendo está última sua obra mais controversa.
De 1995 a 2005, publicou mais 6 romances, onde inaugura um nova fase em seus enredos, onde a história se desenrola mais em locais ou épocas determinados do que em personagens: "Ensaio Sobre a Cegueira (1995)", "Todos os Nomes (1997)", "A Caverna (2001)", "O Homem Duplicado (2002)", "Ensaio Sobre a Lucidez (2004)" e " As Intermitências da Morte (2005)".

De entre as premiações destacam-se o Prêmio Camões (1995) - distinção máxima oferecida aos escritores de língua portuguesa; o Nobel de Literatura (1998) - o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa.

No fim Saramago olha para a humanidade condenada a uma breve existência, recheada de questionamentos, de virtudes e principalmente de vícios. Como escritor e crítico, ele se torna um espelho sincero.

Saramago morreu em sua casa, em Lanzarote, no dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos de idade vítima de leucemia crônica. Seu funeral teve Honras de Estado, e seu corpo foi cremado.


Obras:

Romances: Terra do Pecado, 1947 - Manual de Pintura e Caligrafia, 1977 - Levantado do Chão, 1980 -Memorial do Convento, 1982 -
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984 - A Jangada de Pedra, 1986 - História do Cerco de Lisboa, 1989 - O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991 - Ensaio Sobre a Cegueira, 1995 - Todos os Nomes, 1997 - A Caverna, 2000 - O Homem Duplicado, 2002 -
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004 - As Intermitências da Morte, 2005 - A Viagem do Elefante, 2008 - Caim, 2009.

Peças teatrais: A Noite - Que Farei com Este Livro? - A Segunda Vida de Francisco de Assis - In Nomine Dei - Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido.

Contos: Objecto Quase, 1978 - Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979 - O Conto da Ilha Desconhecida, 1997.

Poemas: Os Poemas Possíveis, 1966 - Provavelmente Alegria, 1970 - O Ano de 1993, 1975.

Crônicas: Deste Mundo e do Outro, 1971 - A Bagagem do Viajante, 1973 - As Opiniões que o DL Teve, 1974 - Os Apontamentos, 1977.

Diário e Memórias: Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994 - As Pequenas Memórias, 2006.

Viagens: Viagem a Portugal, 1981.

Infantil: A Maior Flor do Mundo, 2001







Links Interessantes:



Neste Blog: Caim.


Fonte: Wikipédia 

4 de junho de 2010

A Flor e o Menino

 
E então eu vi um menino, sozinho
Esperando a noite, o frio
E senti o abraço quente
De um eterno amanhecer

Talvez sozinho – e lá surge
No vento, a flor em fogo
Caminham, e o mundo olha
O que apenas eles enxergam

O que fica, no caminho
Por que sangram?
Por que as lágrimas
Se o luar lhes ergue as velas?

E então eu vi, no gélido sereno
Sob a ancestral árvore, solitários
O menino e a flor
Um universo de saudades

E o riso brinca, e como açúcar
Suaviza a amarga verdade
Suas sombras os seguem

E eles riem, e voam
À alta torre, solitários
"Ao meu refúgio, minha bela Rapunzel"

A cada nota, enlevados
Inebriados pela noite, por luar
Tecem o cenário tolo do palco,
Do espetáculo de suas quase vidas

Pois não podem, não podem?
É mudança, é perda, vaidade?

E na escuridão, eu senti
A flor incendiou o menino

Em praias, em tardes, estradas
Banhados pelo sonho, aquecidos
Um leito, uma noite em dia
E a quase dúvida: é sonho?

Dedos tocam pétalas
Pétalas se refugiam em mãos
Sussurro, perfeita ilusão
O mundo entre dois braços

E então eu ouvi os pedidos
"Fica! Condensa aqui o espaço,
Encerra aqui nossa eternidade!
Fica!"

É preciso, é necessário
E a flor parte, ao vento
E eu vi o menino, e deitada
Ao seu lado, fria, a saudade.


_____________________________________________________________


Escrito no Jardim, em 04/06/2010, às 13:50h.


Imagem "roubada" de uma grande amiga,
Mariana.
Ouvindo Oren Lavie.


"Depois de uma noite, madrugada,
Depois de um abraço eterno"