4 de junho de 2010

A Flor e o Menino

 
E então eu vi um menino, sozinho
Esperando a noite, o frio
E senti o abraço quente
De um eterno amanhecer

Talvez sozinho – e lá surge
No vento, a flor em fogo
Caminham, e o mundo olha
O que apenas eles enxergam

O que fica, no caminho
Por que sangram?
Por que as lágrimas
Se o luar lhes ergue as velas?

E então eu vi, no gélido sereno
Sob a ancestral árvore, solitários
O menino e a flor
Um universo de saudades

E o riso brinca, e como açúcar
Suaviza a amarga verdade
Suas sombras os seguem

E eles riem, e voam
À alta torre, solitários
"Ao meu refúgio, minha bela Rapunzel"

A cada nota, enlevados
Inebriados pela noite, por luar
Tecem o cenário tolo do palco,
Do espetáculo de suas quase vidas

Pois não podem, não podem?
É mudança, é perda, vaidade?

E na escuridão, eu senti
A flor incendiou o menino

Em praias, em tardes, estradas
Banhados pelo sonho, aquecidos
Um leito, uma noite em dia
E a quase dúvida: é sonho?

Dedos tocam pétalas
Pétalas se refugiam em mãos
Sussurro, perfeita ilusão
O mundo entre dois braços

E então eu ouvi os pedidos
"Fica! Condensa aqui o espaço,
Encerra aqui nossa eternidade!
Fica!"

É preciso, é necessário
E a flor parte, ao vento
E eu vi o menino, e deitada
Ao seu lado, fria, a saudade.


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Escrito no Jardim, em 04/06/2010, às 13:50h.


Imagem "roubada" de uma grande amiga,
Mariana.
Ouvindo Oren Lavie.


"Depois de uma noite, madrugada,
Depois de um abraço eterno"