24 de outubro de 2009

Caim - José Saramago


José Saramago, escritor português, prêmio Nobel de Literatura em 1998, está criando pôlemica novamente em seu novo livro, Caim (lançado no dia 18 de outubro). Falando sobre o tema religião, o autor foi criticado pela Igreja Católica por conta de declarações feitas durante o lançamento. Segundo Saramago, sem a Bíblia "os seres humanos seriam provavelmente melhores".

O autor fez várias critícas, durante homenagem a ele na cidade portuguesa de Penafiel, onde apresentou seu livro.
"Na Bíblia há incesto, é inegável. Não existiria este livro se o episódio de Caim e Abel não estivesse na Bíblia, onde se mostra a crueldade de Deus. Não se deve ter confiança no Deus da Bíblia", declarou.

O prêmio Nobel, ácido em suas manifestações, disse que "não esperava reações dos católicos porque eles não leem nem a Bíblia", e se perguntou: "Quem vai ler um livro desse tamanho?".

Sobre a temática do livro, Saramago reconheceu que o a figura de Caim o acompanhava "há muito tempo" e acrescentou que a "questão" deste personagem bíblico sempre pareceu "um pouco estranha" para ele.







"Por que Deus aceita o sacrifício de Abel e rejeita o de Caim quando ambos apresentam suas oferendas? Aí se criou a inveja, Caim se sentiu humilhado", segundo Saramago.

O escritor reconheceu que o assunto o interessava, já que, apesar de ser ateu, não pôde escapar dos valores cristãos. Ele disse ainda que "não há um ateu absoluto, só poderia ser (ateu) aquele que vivesse em uma sociedade na qual Deus não tivesse penetrado".


Em Lisboa, um representante da Igreja Católica declarou que tal comentário não é digno de um Prêmio Nobel, e por isso Saramago não deveria ofender o cristianismo. O escritor ainda qualificou Deus como "cruel, invejoso e insuportável".

Sobre as críticas, Saramago disse não se importar. "Admito que o livro pode irritar os judeus, mas pouco me importa". Saramago obteve resposta de Elieze du Martino, de Lisboa, dizendo que o escritor "faz leituras superficiais da Bíblia".

Em "Caim", José Saramago usa a ironia para recontar a história de Caim, filho de Adão e Eva.



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