15 de abril de 2010

Silente Duelo

Na calçada, banhada pela noite
Ela espera o descanso, viagem
E talvez um acordar tímido
Para mais um dia esgotado

Tentou ela andar
E se arriscar mesmo a correr
E largou todo o peso
Por uma talvez vitória

Mas ah que nada se vence!
O cansaço cobra seu preço
E ela parou, força alheia,
Queria ainda correr – e não pode?

Seu corpo já não quer
Não agora, nesse momento
Talvez depois, se outro quiser
Um não-querer cinza e ácido
Mas não agora, não agora

Ela vê a noite, e tantas noites!
Tantos passos, jornada
Para, agora parada, desistir?

Pois “não!” e ela tenta
Força os pés, e salta
Dá um passo, tropeço
Eis, o cansaço cobra seu preço

É outro corpo?
Ah, por certo que lhe roubaram
Raptaram seu antigo corpo
E deram-lhe um tal, postiço

Ela não vê, ah não vê
Mesmo corpo, cicatrizes
Apenas uma breve mudança
E ela já não anda mais

E na calçada, ela espera
Pelo momento, tão-dito momento!
Surgirá um outro, perfeito
Ou o mesmo, renovado?

E se o momento não surgir?
E se de fato ela devesse fugir
E sair desses pés que mudaram
Até quando, para onde, esperar?

E uma noite, outra, e mais uma
O que há de mal em andar?
Por que não correr?

Em uma fria calçada
Sob o abraço quente do luar
Ela espera o vazio, e esquecer
Afinal, agora, por que esperar?
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Escrito no Jardim, em 14/04/2010.
Ouvindo Fade to Black (Metallica),
pela versão da banda Apocalyptica.
Imagem: 7th Forest, por Senyphine.

A alguém que soube tentar. A Jackeline.