15 de maio de 2010

Toque Único


A arte sumi ("tinta") foi introduzida no Japão a cerca de 2000 a.C., o sumi-ê (ou, sumie) também é chamado "suiboku-ga", e é a técnica japonesa de tinta monocromática, feita em pinceladas únicas e rápidas. Esta técnica começou na China durante a Dinastia Sung (960-1274), sendo levada até o Japão por monges zen-budistas.
O sumi-ê tem sua origem na caligrafia chinesa, as pinceladas aprendidas na caligrafia são as mesmas utilizadas na pintura.
Uma de suas características é que o toque do pincel no papel deve ser único e espontâneo, sem ter de pensar em algo no momento antes da pintura, estando ligada assim a filosofia e a meditação, pois é preciso estar presente e deixar o braço deslizar sobre o papel, deixando aflorar os sentimentos de seu autor naquele exato instante.
No sumi-ê tradicional usa-se somente a tinta preta, mas isso está longe de tornar qualquer obra simples e sem detalhes. Não existe tempo para reflexão ou pensamento consciente naquilo que se está realizando, não existe a possibilidade de repetição ou correção, um traço é encarado como único, se existir algum erro ele está "morto", e portanto, a obra perdida.
Neste sentido muitos samurais praticaram o zen-budismo e o Sumi-ê. Onde um golpe de espada é único e espontâneo, não havendo chances para correções ou reflexões.



No sumi-ê a tinta é feita de fuligem e cola (sumi) e pincéis de pêlo de ovelha ou texugo (de forma que se retenha muito líquido), mas o papel é na maior parte das vezes fino e absorvente, que dá a principal característica a este tipo de pintura.
No sumi-ê pinta-se o espírito do objeto, cada traço é cheio de energia, tendo de mostrar vitalidade, vida. Shin’ichi Hisamatsu, filósofo e profundo conhecedor da arte Zen, ressalta sete particularidades que devem existir em uma obra Zen, são elas: assimetria (fukinsei), singeleza (kanso), naturalidade (shizen), profundidade (yugen), desapego (datsuzoku), quietude e serenidade interior (seijaku).




Os principais temas relacionados ao Sumi-ê são: bambus, ameixeiras, orquídeas, flores, pássaros e paisagens, não esquecendo aqueles ligados a temas religiosos como pinturas de patriarcas ou parábolas.
Existe uma tendência atual de colocar cores em algumas partes da pintura, principalmente onde a cor é uma forma de demonstração do espírito do objeto. Esse fato ocorre em muitos temas, como por exemplo, nas pétalas de flores.




Para se pintar Sumi-ê, o praticante tem que conhecer perfeitamente o objeto que vai pintar, para que não exista reflexão ou dúvida durante o processo criativo deve ocorrer uma observação quase que constante das coisas à volta, assim sua prática também traz uma consciência maior sobre a vida, pois com ela começa-se a existir uma maior sensibilidade das coisas e pessoas que nos cercam.






 Fonte: Bugei