9 de maio de 2011

A Dança

Abri os olhos
Vi ombros erguidos
Senti um rosto que riu
Dança lenta dos sentidos
Em braços que não são os meus

Parei e ouvi
É esta a canção que pedi
É este o poeta que chora
Que dilacera o peito
Ou na dança eu descobri
Mais outra máscara naquele espelho?

Fecho os olhos, sonho
Mergulho em tua voz
Deixo-me bailar nos teus dedos
Banhar-me em tua pele
Alimento-te com minha fome
E bebes do meu silêncio

Cada uma de tuas faces
Cada um de meus reflexos
Fogo, em nossas mãos
Tua calidez me embriaga
Teu frio a mim aquece
Gigantesca orquestra dos sabores

Agora devo, então devo
Abrir os olhos, encerrar-me
Novamente em meu cárcere?
Meu sempre presente inferno
Agora devo a ele voltar?

Subo o olhar, não vejo
Ombros, mãos, nem o olhar
Notas que não são minhas
Dançam em cada detalhe
Em cada nuance de meu elísio

Despi-me dos trajes
De prisioneiro do próprio lar
Aqui ficaram perfumes
E da dança sobrou a dúvida
É este o poeta que ri,
Ou aqui nasceu o pássaro
Que aos teus braços voa
Que ao Sol lança suas asas?
À noite alça seu vôo
Jamais pousa, jamais dorme
Jamais, incansável bailarino
No ardente ballet singelo
Da tua dança, intensa,
Do meu peito, renascido.

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Dançado no elísio, escrito no Circo,
em 08/05/2011.

Ouvindo Opposites Attract,
da trilha sonora do filme Black Swan

Imagem: Swan Pose por Alex Mandra,
em concept art para o filme Black Swan