20 de fevereiro de 2010

Carmina Burana

Eu aprecio muito uma música, que eu sempre ouvia, mas não sabia o nome ou mesmo seu autor, quando descobri, e enfim pude apreciar, acabei por descobrir como sempre uma história maravihosa...


Cantiones profanæ cantoribus et choris
cantandæ comitantibus instrumentis atque imaginibus magicis
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Canções seculares para solistas e coros, acompanhados por instrumentos de imagens mágicas.

Carl Orff




Em termos mais luxuosos, Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, que supostamente deveria ser ensenada e dançada, seus textos são em baixo altim e baixo alemão, que foram retirados originalmente de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas no final do séc. XIII.
O termo Carmina é plural de Carmen (no português "Canção"), o título inteiro em uma tradução literal é: Canções dos Beurens, referindo-se ao lugar de onde os textos escolhidos (Codex latinus monacensis) para esta cantata foram descobertos em 1803 num velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha.
Em 1847, o erudito em dialetos da Baviera, Johann Andreas Schmeller, editou a coleção com o título de Carmina Burana. Mais tarde, Carl Orff, filho de uma antiga família de eruditos e militares de Munique, familiarizou-se muito jovem com o códice de poesia medieval.
A cantata é ilustrada por um símbolo da Antiguidade, a Roda da Fortuna, que eternamente girando, impondo a boa e a má sorte alternadamente, ou seja, um arquétipo da constante mudança que existe na vida humana.
Assim, a música é um apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) que introduz e conclui a obra que divide-se em 3 seções: o encontro do HOMEM com a NATUREZA, está última desperta em esplendor na primavera (Veris eta facies). O encontro com os dons da NATUREZA, representado pelo dom do vinho (In taberna), e por fim o encontro com o AMOR (Amor volat undique).
Grande parte dos 200 poemas sacros e seculares remonta ao séc. XIII e foi escrita por um grupo de errantes profanos denominados Goliardos. Estes monges e menestréis "avessos" passavam o seu tempo se deliciando com os prazeres da carne e os poemas deixados aludiam suas obsessões, por vezes beirando a obscenidade.
Os manuscritos abrangem vários gêneros, de versos eruditos à paródias de textos sacros, canções de amor à melodias irreverentes e até mesmo grosseiras. Em sua essência, Carmina Burana exprime o mundo cristão entre os sécs. XI e XII foi capaz de exprimir. Uma época não inibida ou muito menos dividida pelos tabus atuais. Assim, os anônimos autores não temiam misturar de forma inesperada o litúrgico com o blasfemo.
Neste sentido, a coleção original exprime um mundo neutro, ou melhor um mundo equilibrado onde o Mal não existe sem o Bem, e a Fé não existe sem o Profano.
Este dualismo tão familiar a Orff, por meio de outras tradições como dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustram, concebeu Carmina Burana como um primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi-Trittico Teatrale, que inclui Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell'Afrodite (1952), uma obra que desvela o todo: só o Desejo e o Amor compelem ao Homem crer, lutar e viver.


Sobre Carl Orff...

Nascido em Munique, no dia 10 de julho de 1895, foi um compositor alemão, que se tornou um dos mais destacados do séx. XX, por sua cantata Carmina Burana.
Embora, a cantata seja seu maior sucesso outra grande contribuição foi na área da pedagogia musical, com o Método Orff de ensino musical, que se baseia no canto e na percussão.
Orff criou um centro de educação musical para crianças e leigos em 1925, no qual trabalhou até a data de sua morte em 29 de março de 1982, aos 86 anos.
A primeira apresentação de Carmina Burana foi na Ópera de Frankfurt em junho de 1937. Causou uma grande impressão no público (e continua a causar).
A trilogia de Carmina Burna é obra de coral exuberante alegria e forte apelo erótico, inicialmente destinada para representação como ópera, certamente ultrapassou as salas de concerto. Deliberadamente anti romântica, é original, baseada no ritmo, acompanhada por orquestra, que priveligiam a percussão e vários pianos.
O manuscrito original inclui poucas melodias anotadas que Carl Orff levou em consideração, mas não citou diretamente, ampliando apenas sua atmosfera por meio dos instrumentos de percussão, com poucos instrumentos de sopro, sem violinos. Isso remete a metologia de ensino de Orff e sua composição, um retorno ou apelo ao homem ancestral.






Links:


Libretto no original




Carmina Burana - Trans Siberian Orchestra

Spieluhr + intro (Carmina Burana)

Vênus - Theatre of Tragedy



Partitura

Carmina Burana Remix (?)




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