9 de fevereiro de 2011

Allegro Sustenuto

Então a luz se acendeu
No palco, pequenos passos
Cortinas abertas, a espera
Silêncio! Começa o Ato

"Eis que eu danço
Para a alvorada audaz
Que matou minhas origens
A ela oferto a canção
Nascida da minha tempestade"

E salta, e gira, e voa!
Segura-se em tal trapézio
Mas não há cordas?
A criança corre sozinha
Ouvindo a música que não soou

"Eu canto a ária infeliz
O movimento calmo
De uma enferma sonatina"

Apanhou invisível pincel
E traçou um incolor arco-íris
Ela brinca, e ri
Pois veste a fantasia mais bonita
Que seu sonho permitiu

"E abraço o céu e a terra
Que o meu peito se abriu
E dele nasceu a fênix
Mas esta, esta podia voar!

"Eis, que eu traço o fogo
Que consome as esquinas
E teço a rapsódia fria
Que ouço derramar-se nas ruas

"É o silêncio que me enleva
É o incolor que me diverte
Pois há melhor momento
Que a folha ainda branca?

"Pois então dançarei
Hei de cantar à noite
À lua pálida que me observa
A sinfonia indelicada das cores

"Hei de desenhar notas
E pintar o mais belo cenário
Até que meu espetáculo termine

"E não há ninguém que possa
Ao meu palco subir?
Há então alguma outra criança
Ou haverei de brincar sozinho?

"Cala-te! Aos estilhaços
Eu traço a rubra sonata
O silente réquiem incolor"

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Escrito no Circo, em 08/02/2011, às 03:45h.

Ouvindo Gloria, Kalafina