10 de fevereiro de 2012

Carpe Diem

Eu não quero o dia
Não quero as massas
As lotações e os enxames
Eu não quero o barulho
O vaivém e a buzina
Não quero motores
Não desejo os outdoors
Letreiros óbvios protuberantes
Eu não quero a luz
Branca fria sobre a mesa
Não quero o sol
Direto do asfalto quente

Eu não comerei
A ganância nossa de cada dia
Não conversarei
A idiotice óbvia da rotina
Hei de não erguer
O copo cheio de palavras
Hei de não dormir
O descanso cego do escravo

Eu desejo o fim
Num adagio sensível
Quero a lentidão
Do toque sem palavras
Eu quero a concordância
Em silenciar a vida
Para viver como nunca mais



Escrito no Circo, em 08/02/2012, às 00:30h.

No silêncio.

Imagem: Lost,
by Hengki Koentjoro.