16 de março de 2012

De um anacronismo espacial

Céus, eu lhes peço
Apaguem a luz
Ou ao menos desfoquem
Em tons de inverno e chuva

Meu peito já não aguenta
A força de algumas palavras
Não se formam
E me restam apenas repetições

Reflexos, ponteiros, flores, cores e tons
Reinvenção do inevitável
Eco do mesmo sangue
Vertendo por saídas diferentes

Meus olhos pendem cansados

Silêncio, sem supor
Sem miragens ou oásis
Apenas quieto e só

Desejo que entorna
Das bordas turvas da dúvida
Mulher que ri
Doce mel a cair do favo
No mesmo clichê de fatale

Meu corpo cede, em cacos,
À sepultura comum do sono
Um belo verso, e nada mais.




Escrito em um bloco de papel, em 15/03/2012,
por volta das 12:30h.

Ouvindo pássaros, conversas e o trânsito,
sob um sol escaldante.

Imagem: Faith,
by Hengki Koentjoro.