27 de dezembro de 2010

Carmilla


Carmilla foi composta por Joseph Sheridan Le Fanu, em 1872, com base em seus estudos sobre o vampirismo, compilando pela primeira vez todos os elementos conhecidos sobre o mito, tais como a estaca no coração, a metamorfose em animais, a decapitação, a sensualidade e o erotismo.
Embora seja um clássico da literatura gótica, não apresenta grandes evoluções em sua história, sendo fundamentalmente maniqueista, onde apresenta a jovem Laura, personagem inocente, e apática do mundo ao seu redor até que Carmilla se hospeda em sua casa, por convite do pai de Laura, que a recebe por ter sofrido um acidente próximo a residência, que a impede de continuar sua viagem. Ao contrário de Laura, Carmilla é uma jovem cheia de alegria e vida, e da relação de ambas nasce uma amizade intensa e apaixonada.
Contudo, os estranhos hábitos de Carmilla despertam interesse das pessoas, ao mesmo tempo em que acontecimentos escusos ocorrem nas redondezas.
Laura se vê, então, presa e fascinada pelo mistério que ronda sua nova amiga, porém sente que deve resistir aos seus encantos.
É neste ponto que a história de Le Fanu inova, pois que para a sociedade de 1872, a relação de paixão e desejo de Carmilla por Laura, manifestada por meio de palavras, toques apaixonados, beijos e cenas de pesadelos, onde uma personagem domina a outra, ainda que de forma não explícita, é chocante.
A novela em muitos pontos é confusa, deixando várias lacunas, que empobrecem, mas não afetam realmente a história.
Outro ponto interessante, é que Carmilla, ao meu ver, coloca a personagem vampira (e maligna) mais cativante do que a personagem Laura, personificação do bem.
Um livro curto, e fácil de ser lido, para quem aprecia literatura do gênero, vale a pena conferir.

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