7 de janeiro de 2013

Constatação

O que me restou da dor? Uma face, olhos turvos que desviam de encontros, confrontos que não são, e o clarão de uma descoberta: não sou romântico.

Pois que não sou capaz de olhar a rosa sem me atentar aos espinhos, não consigo mais alcançar a doce ingenuidade da primeira vez sem corrompê-la com o presságio do que me resta.

E o que me resta?



Em algum momento do outono de 2012,
em um caderno de pensamentos.

Imagem: Eve,
by Leslie Ann O'Dell.