7 de janeiro de 2013

Descrença

Amanheceram folhas caídas
As mesmas folhas,
Das mesmas árvores

Mora em mim uma cor
Que busca a beleza
Em toda sua infinita,
Tão clara, inutilidade

Mas cresce também a chaga
Febril doença dos sentidos
A intuir abismos
Nos mais dourados campos

Vê a criança, como guia.
Espera, e verás nascer
Ou a víbora de Vênus
Ou a traça de Marte

E que importa o gênero
Se no fim nem vale o ar
Não paga o Sol que a ilumina

Embota-se a cor
Mas a ferida também a acentua
Pois não há vermelho mais fogo
Nem amarelo mais ouro
Nem cor tão viva
Quanto aquela que brota do cinza


Escrito em 31 de julho de 2012,
em um caderno de pensamentos.

Imagem: Sear,
by Leslie Ann O'Dell.