6 de abril de 2012

Qual o valor de um livro?

Já diria alguém que o preço de um produto não tem absolutamente nada a ver com o seu valor real. Se é realmente assim, é fácil lembrar de produtos caros que não valem realmente muito, e de pequenas coisas que possuímos que valem muito. Uma foto antiga, uma anotação em um caderno, um presentinho comprado em alguma lojinha de artesanato... Um livro....

Particularmente guardo um grande afeto pelos livros que tenho. Não que eu os guarde a sete chaves (na realidade amigos acabam levando alguns dos melhores), mas eles tem um grande valor pra mim. Por isso, quando fui confrontado, há alguns dias, com a pergunta título deste artigo, fiquei um certo tempo pensando sobre o real valor de um bom livro...

Em algumas estações dos metrôs das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro é possível se deparar com aquela pergunta, e com uma agradável surpresa: máquinas contendo livros, semelhante àquelas de refrigerante. Porém, o preço não é fixado! Ao invés disso, é possível ler, em letras garrafais, acima das máquinas: Pague quanto acha que vale. Possível?

Algumas pessoas se aglomeravam em volta das máquinas, surpresas tanto quanto eu com aquilo. Alguns descrentes iam embora achando se tratar de alguma brincadeira, mas alguns livros eram pescados de tempos em tempos (inclusive pesquei o meu, Manon Lescaut, de Prévost).

Para ver os livros nesta máquina, clique na imagem

A iniciativa é da 24X7 Cultural, uma empresa com fins lucrativos cuja missão, segundo seu próprio site, é de facilitar a formação de novos leitores, incentivar o hábito da leitura de forma sustentável e consequentemente melhorar os indíces de alfabetização funcional do Brasil. A primeira máquina de livros, como é chamada pela própria empresa, começou a funcionar em 2003, na estação São Joaquim do metrô de São Paulo.

De lá pra cá, com treze máquinas em São Paulo e mais de um milhão e duzentos mil livros já vendidos, o que era um projeto experimental se tornou uma solução viável em distribuição e comercialização de livros de qualidade a um custo baixíssimo e acessível à população. A uma população que supostamente não lê. E que, segundo o próprio fundador da 24X7, compra Nietzsche, Maquiavel, Platão, Diderot e Sun Tzu - autores mais vendidos nas máquinas. Um sinal de mudança, ou uma mudança de fato?


As fotos deste artigo foram tiradas na estação Barra Funda do metrô de São Paulo.