29 de novembro de 2009

O infinito e além


O homem sempre soube lá no fundo que ele era um ponto no meio do universo, sem saber para onde ir e carregando dentro de si um oceano de incertezas ele executava inúmeras táticas para que pudesse ter um vislumbre ínfimo dos planos dos Deuses.
Utilizava de muito métodos para entrar em contato com o Cosmo, Deuses, Espíritos e outras tantas entidades para saber de seu futuro.
Até nos dias de hoje olhamos para o futuro desconfiados, e mesmo que de forma inocente ainda apelamos para a vidência de adivinhos que nos dizem a sorte no Horóscopo do jornal.
Mais do que simples sorte, os adivinhos foram e são muito requisitados para uma infinidade de coisas, desde de saber o verdadeiro amor aos números da sena.
Os antigos se utilizavam de vários métodos como o uso de ossos e vísceras de animais, interpretação de sonhos, e muitos outros. Nos mitos podemos observar a presença constante dos adivinhos:



Durante a visita que fizera a Esparta, além dos conselhos que recebera tanto de Menelau quanto de Helena, Telêmaco recebera, também, do divino casal, valiosos presentes. Porém, antes da partida do ajuizado jovem Telêmaco (antecipada e tramada pela deusa Palas Atena) da cidade espartana, Helena teve um presságio: avistou uma águia, levando consigo um ganso capturado e indefeso. Helena decifrou o presságio a Telêmaco, isto é, confirmou o retorno de Odisseu a Ítaca, seguido da matança, pelo herói grego, de todos os pretendentes do reino de Ítaca.
(Canto XV, Odisséia - Homero)



Mais tarde, casado com Jocasta, evitava ter filhos, pois o Oráculo de Delfos revelara que seria morto por um filho seu. Mas Jocasta embebedou-o certa vez e, decorridos os meses de praxe, Édipo nasceu.
(Mito de Édipo)



Métodos de Adivinhação



Várias eram as ferramentas utilizadas e cada técnica possui um nome específico:

* Licnomancia: adivinhação baseada na interpretação das figuras que surgem da luz ou das sombras das chamas.
* Ceromancia: consiste na adivinhação pela interpretação das figuras que se formam com o pingar da cera de uma vela sobre a água contida em um recipiente (copo, vasilha).
* Halomancia: leitura e interpretação da disposição dos grãos de sal jogados fortuitamente sobre um pano liso preto.
* Antropomancia: interpretação dos órgãos e sangue de uma vítima sacrificada.
* Quiromancia: leitura e interpretação das linhas e sinais das mãos, englobando o estudo do formato das mãos, unha e falanges,
* Bibliomancia: método que consistia em adivinhar o futuro por meio de frases e versículos lidos ao acaso num livro. Esse tipo de adivinhação era famosa com a Bíblia, denominada por Sortes Sanctorum e com a Eneida, Sortes Virgilianae.
* Rapsodomancia: método muito similar a bibliomancia só que neste tipo de adivinhação o livro utilizado era de poesia.
* Cataptromancia: método de adivinhação baseado na hipnose causada pelo olhar fixo em um objeto concreto.
* Giromancia: o método consiste em uma pessoa girando em um círculo repleto de símbolos, seus tombos sobre determinados símbolos são marcados e interpretados por outro indivíduo.
* Apantomancia: método baseado no encontro fortuito com animais, ou mesmo coisas que aparecem inesperadamente.
* Astrologia: pelos corpos celestes.
* Augúrio: pelo vôo dos pássaros.
* Cartomancia: por cartas (baralhos).
* Cronomancia: se baseia no tempo, dia propício/dia não propício.
* Cybermancia: por computadores.
* Extispicy: pelas entranhas dos animais.
* Hidromancia: por água.
* Necromancia: consulta e invocação aos mortos.
* Numerologia: através da interpretação dos números.
* Oniromancia: interpretação dos sonhos.
* Onomancia: pela interpretação de nomes.
* Rabdomancia: adivinhação com bastões.
* Piromancia: adivinhação feita pela utilização do fogo.
* Nefelomancia: adivinhação realizada através do formato das nuvens.
* Libanomancia: método de divinação por meio da fumaça produzia por incensos.
* Lacomancia: método de divinação feito pela interpretação dos dados.
* Cafeomancia - Método de adivinhação através da interpretação da borra do café.
* Cristalomancia - Método de adivinhação através de um cristal, como a bola de cristal.
* Aspidomancia - Método de adivinhação através de um demônio.
* Astromancia - Método de adivinhação através dos astros.
* Aleuromancia - Método de adivinhação através dos biscoitos da sorte.
* Selenomancia - Método de advinhação através do movimentos e do estado da lua.
* Teimancia - Método de advinhação através das folhas de chá.

Existem muitas outras, pois o número de métodos muda conforme a cultura, e os recursos disponíveis, alguns métodos se destacaram mais do que outros é o caso das Runas, Tarot e Tábua Oui-ja.




Tarot

Não se tem certeza da origem do Tarot, mas podemos atentar primeiramente para o Norte da Itália, onde no séc. 14 foram encontradas as primeiras manifestações do jogo de 78 cartas.
As mudanças ao longo do tempo são mínimas, ainda são os quatro naipes dos jogos italianos (copas, espadas, paus e ouros). Além das dez cartas numéricas, as figuras são em número de quatro, para cada naipe: um rei, uma rainha (ou dama), um cavaleiro e um valete. Restam ainda 22 cartas especiais que, de certo modo, formariam um quinto naipe e que os documentos italianos denominam de trionfi (trunfos) e, os franceses, atouts, com o mesmo sentido de trunfo, ou seja, de cartas que se sobrepõem às demais.
Não se pode afirmar com certeza se os 22 trunfos ou Arcanos Maiores e as 56 cartas ou Arcanos Menores (os quatro naipes conhecidos) foram criados juntos ou separados e mais tarde combinados, formando então o baralho de 78 cartas.
A maior parte dos estudiosos consideram os 22 trunfos – os atualmente denominados "arcanos maiores" – uma criação do norte da Itália, como atestam as cartas do Tarot Visconti Sforza. Já as dúvidas aparecem quando se trata do conjunto das cartas numeradas – atualmente conhecidas por "arcanos menores" ou "baralho comum" –, que poderiam ter sido levadas pelos árabes à Europa durante a Idade Média. Existem menções às "cartas sarracenas" em registros do séc. 14.
É bastante citado, nos estudos de Tarô, o nome de Johannes, monge alemão que escreveu em Brefeld, na Suíça, que “um jogo chamado jogo de cartas (ludus cartarum) chegou até nós neste ano de 1377”, mas declara expressamente não saber “em que época, onde e por quem esse jogo havia sido inventado”. Sobre as cartas utilizadas, diz que os homens “pintam as cartas de maneiras diferentes, e jogam com elas de um modo ou de outro. Quanto à forma comum, e ao modo como chegaram até nós, quatro reis são pintados em quatro cartas, cada um deles sentado num trono real e segurando um símbolo em sua mão”.



Há outra menção, ainda no século XIV, embora não tenha restado exemplar algum das referidas cartas: nos livros de contabilidade de Charles Poupart, tesoureiro de Carlos IV, da França, existe uma passagem que declara que três baralhos em dourado e variegadamente ornamentados foram pintados por Jacquemin Gringonneur, em 1392, para divertimento do rei da França.
Numa composição diferente, com 50 cartas divididas em 5 séries de 10 cartas cada, existem vários exemplares do jogo chamado Carte di Baldini (c. 1465), também conhecido como os Tarocchi de Mantegna, nome de um dos mais importantes pintores do norte da Itália no séc. XV. Além de estruturas diferentes, exemplificada com o Tarô de Mantegna, existem inúmeros exemplos posteriores de acréscimo de cartas – como é o caso do I Tarocchi Classici – e de cortes e supressões que acabaram por originar jogos que se tornaram populares: Tarô Lenormand, também conhecido como Baralho Cigano.
 Hoje se possuem tantos e variados, com temáticas de filmes, livros e outros desenhos bastando escolher.












Runas


A origem das Runas data de tempos imemoriais, oriundas do norte da Europa, muito antes do aparecimento do cristianismo. Os mestres rúnicos da antigüidade riscavam os seus símbolos sagrados em seixos ou em gravetos de uma árvore frutífera, utilizando até o próprio sangue para dar-lhes a força mágica espiritual que almejavam. As Runas não representam um simples alfabeto de uma escrita antiga, mas sim, cada letra é um símbolo sagrado e autônomo. Cada Runa representa um arcano ligado a entidades representativas de Deuses da mitologia nórdica. Os símbolos por sua vez, tem uma energia individual e uma vibração característica que se expressa na força específica de cada Runa. O campo vibratório se altera na medida em que vários símbolos são conjugados para um trabalho em grupo. É essa força que estimula a intuição do "runamal" (cujo significado é a Runa falada ou os intérpretes que faziam as Runas falarem, o que recebiam esse cognome).


 Na antigüidade, o profundo conhecimento acumulado era transmitido de geração a geração a um círculo de homens sábios e mulheres de conhecimento que haviam sido iniciados para isso, mas mesmo assim, ele jamais foi monopolizado e concentrado na mão de um grupo restrito como freqüentemente acontece quando o poder é manipulado. Muitos mestres adicionavam novas revelações recebidas durante a convivência intensiva com o oráculo mantendo assim a chama das Runas acesa durante milênios. Mesmo no mundo material da atualidade, os símbolos rúnicos continuam vivos e alcançáveis por quem quer que se interesse por eles. O convívio estreito com o oráculo faz com que o "runamal" ou mesmo o próprio consulente, ganhe uma intuição quase infalível. Embora as Runas representem o oráculo europeu mais antigo não quer dizer que elas não se adaptem a jogos da modernidade. Elas funcionam em forma de baralho, ou em jogos eletrônicos, com a mesma presteza. A resposta do oráculo será tão precisa como seria se pintássemos os seus símbolos em seixos com o próprio sangue. Todavia, seja qual for o meio de adivinhação rúnica aplicada, sempre deverá ser precedido por um momento de introspeção e concentração para que a sintonia do interlocutor em relação ao campo rúnico possa se estabelecer e que a energia flua corretamente entre os dois pólos estabelecidos.

A própria raiz da palavra Runa, o "ru", em língua germânica arcaica, é sempre ligado a segredos e mistérios ou a algo muito confidencial. Runwita era um sábio ou conselheiro do rei, conhecedor de todos os "segredos". Runa em alemão arcaico tem o mesmo significado que "raunen" em linguagem atual e quer dizer sussurrar ou confidenciar. O "roun" dos escoceses antigos e o "rún" da Islândia tem a mesma conotação, sempre associado a mistérios e segredos.

Na ocasião em que a atual Grã-Bretanha foi colonizada pelo anglo-saxãos, existiram alfabetos rúnicos com o número de símbolos diferenciados (28 letras e posteriormente 29.) Na região norte da Inglaterra, acima do rio Humber, um pouco mais tarde haviam 33 símbolos. - O verdadeiro alfabeto, que além de ser a base para as escritas nórdicas e teve seu uso em magias, rituais e oráculo é o FUTHARK, composto de 24 símbolos, agrupados em 3 "aetts", ou seja, conjuntos de 8 letras cada, lidas da direita para a esquerda.




O primeiro "aett" corresponde às Runas Fehu, Uruz, Thurisaz, Ansuz, Raido, Kano, Gebo e Wunjo e a sua regência é de Freyr e Freyja, divindades da fertilidade e da criatividade.

O 2º grupo de "aetts" é composto de Hagalaz, Nauthiz, Isa, Jera, Eihwaz, Perth, Algiz e Sowelu. regidas por Hemdal e Mordgud , respectivamente o Deus da proteção pessoal e a Deusa, guardiã das entradas para os mundos subterrâneos.

O 3º "aett", tem a proteção do Deus Tyr e de sua companheira Zisa. São entidades guerreiras que em especial, resguardam a autodefesa do individuo. As Runas são: Teiwaz, Berkana, Ehwaz, Mannaz, Laguz, Inguz, Othila e Dagaz.




Tabuleiro Ouija


O Tabuleiro Ouija ou Tábua Ouija é qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel, utilizada supostamente para comunicação com espíritos. Os participantes colocam os dedos sobre o indicador que então se move pelo tabuleiro para responder perguntas e enviar mensagens. Na verdade, há um jogo de tabuleiro registrado no Departamento de Comércio americano com o nome de Ouija, mas a designação passou a servir a qualquer tabuleiro que se utiliza da mesma idéia.
No Brasil, há uma variante conhecida como a brincadeira do copo ou o jogo do copo, em que um copo faz as vezes do indicador para as respostas. Existem também apoios para a utilização de lápis durante as sessões.
O princípio que baseia o tabuleiro Ouija ficou conhecido depois de 1848, ano em que duas irmãs estadounidenses, Kate e Margaret Fox, supostamente contactaram um vendedor que havia morrido anos antes e espalharam uma febre espiritualista pelos Estados Unidos e Europa. Há também indícios de que o princípio teria sido aperfeiçoado por um espiritualista por volta de 1853, chamado M. Planchette, que teria inventado o indicador de madeira que é utilizado até hoje.

Espiritualistas que acreditam que é possível fazer contato real com o mundo dos mortos argumentam que vendar os olhos dos participantes da mesa prejudica suas supostas capacidades mediúnicas. A idéia que fundamenta o argumento é que o espírito utilizaria os sentidos do participante durante as sessões. A maioria dos adeptos dessa teoria acredita que o tabuleiro não tem poder em si mesmo, servindo apenas como ferramenta para o médium se comunicar com o mundo dos espíritos.