16 de dezembro de 2009

Réveillon das Letras


A Revista da Cultura, publicada mensalmente pela Livraria Cultura, publicou um artigo interessante sobre o réveillon deste ano e sobre algumas crenças e mandingas populares que alguns escritores usam.

Mas o mais interessante é justamente o início do artigo. São listados vários prêmios literários brasileiros que dão ao escritor dos dias atuais uma esperança de poder viver de sua arte.

Parece algo pequeno, mas se pararmos para pensar que a vasta maioria dos grandes escritores da humanidade não viviam de suas obras ou, se viviam, era de uma maneira precária e subumana, então o significado dessa perspectiva começa a ficar mais nítido. Grandes como Edgar Allan Poe, Franz Kafka e Augusto dos Anjos sofriam para ver suas obras publicadas, sem nunca receber o devido reconhecimento. O próprio Shakespeare, cujo nome qualquer criança de oito anos já ouviu pelo menos uma vez na vida, e cujas obras ultrapassam qualquer marco de espaço e tempo, não vivia nas melhores condições.

Hoje, a situação é diferente. É mais fácil (relativamente) publicar um livro, e, se o autor realmente for bom e lutar para ser reconhecido - e também tiver paciência - sua obra pode ganhar tamanha notoriedade que muitos autores atuais se tornaram celebridade. Claro que o mercado literário brasileiro é minúsculo se comparado ao de países europeus ou orientais, mas mesmo esse obstáculo não impede iniciativas como os prêmios Jabuti, Portugal Telecom e Machado de Assis.

Enfim, o escritor de hoje tem a perspectiva de viver (bem) de sua arte. E, assim, pode festejar melhor um réveillon de letras!

Artigo Réveillon de Letras, Revista da Cultura 12/2009