22 de dezembro de 2009

Romances e Gaarder


Em meados do ano 1001, a nobre japonesa Murasaki Shikibu escreveu o primeiro romance da história. Conhecido como uma obra literária clássica de maior volume, apresentando 54 capítulos e mais de 600 mil palavras, Genji-Monogatari (Contos de Genji) descreve a elegante e requintada vida da corte, os sentimentos do personagem principal, Hikaru Genji, em relação às mulheres com quem se envolve e as intrigas pelo poder, retratando usos e costumes e pensamentos da Era Heian.


Embora muitos achem que romances são meras histórias de amor, eles vão além, podendo demonstrar muito mais do que uma simples história de amor, quando bem escritos eles revelam pensamentos de toda uma época, os costumes, a moral, enfim como as pessoas encaravam e enfrentavam a vida.
Então o que dizer sobre um romance da história da filosofia?


O escritor norueguês Jostein Gaarder (nascido no dia 8 de agosto de 1952, em Oslo, Noruega), é autor de livros de romances, contos e histórias infantis. 
Ficou conhecido por sua publicação de 1991: "O Mundo de Sofia" um romance, cujo tema é a história da filosofia, utilizando do personagem de Sofia, que ao longo de sua instrução no mundo da filosofia, descobre a verdade de sua existência.

O livro foi traduzido em 53 línguas, com 26 milhões de cópias impressas, sendo 3 milhões dela vendidas apenas na Alemanha.

Até então, ele lecionava filosofia na Escola Secundária Pública Fana, na cidade de Bergen, mas com o sucesso, passou a dedicar-se apenas à produção literária.


Retirado na íntegra do Wikipédia:

iagnosen og andre noveller (O Pássaro Raro) (1986)
Barna fra Sukhavati (Viagem a um Mundo Fantástico) (1987)
Froskeslottet (O Castelo do Príncipe Sapo) (1988)
Religionsboka (1989) - em parceria com Victor Hellern e Henry Notaker (O Livro das Religiões)
Kabalmysteriet (O Dia do Curinga) (1990)
Sofies verden (O Mundo de Sofia) (1991)
Julemysteriet (Mistério de Natal) (1992)
Bibbi Bokkens magike bibliotek (A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken) (1993)- em parceria com Klaus Hagerup.
I et speil, i en gåte (Através do Espelho) (1993)
Hallo? Er det noen her? (Ei! Tem alguém aí?) (1996)
Vita Brevis (Vita Brevis) (1996)
Maya (Maya) (1999)
Sirkusdirektørens datter (O Vendedor de Histórias) (2001)
Appelsinpiken (A Garota das Laranjas) (2003)
Sjakk Matt' (Xeque-Mate) (2006)
De gule dvergene (Os Anões Amarelos) (2006)


Entrevista com o autor, Publicado na Folha Online no dia 18 de agosto de 2005:

Folha - Em "O Mundo de Sofia" você ensina filosofia. Agora, em "A Garota das Laranjas", busca ensinar algo sobre o Universo?

Jostein Gaarder - Realmente falo bastante do Universo no livro, mas não tinha a ambição de ser um professor quando o escrevi. Queria escrever uma história de amor. O que acontece é que o personagem não tem qualquer filtro cultural entre si mesmo e o mundo, preferindo relacionar-se diretamente com o Universo. Vive, assim, uma existência mais nua do que em "O Mundo de Sofia".

Folha - A literatura é uma boa forma de transmitir conhecimento, como ciência ou filosofia?

Gaarder - É a segunda melhor maneira. A melhor é a conversa, o diálogo com os jovens ou entre professor e aluno. Sempre, desde a antiga filosofia grega, o diálogo entre as pessoas vivas foi a melhor maneira de lidar com a filosofia.

Folha - Filosofia e ciência devem se popularizar?

Gaarder - Com certeza, especialmente a ciência. Muito pouco da ciência moderna está popularizado. Não leio mais tanta filosofia nem tantos romances, leio biologia, astrofísica. As grandes questões filosóficas, como a natureza do Universo ou a existência de Deus, hoje são discutidas pelos cientistas, não mais pelos filósofos. Filósofos agora discutem linguagem, arte, coisas assim.

Folha - Como concilia essa atenção à ciência com a religiosidade e o misticismo que há em seus livros?

Gaarder - Pertenço à Igreja Católica e, embora não creia nela como revelação da verdade divina, encontro nela a mais importante filosofia moral. Tenho uma aproximação religiosa da vida porque sinto que minha vida e a existência do Universo são um truque mágico. Acredito na natureza do Universo por si só, e o experimento como uma revelação. O que é místico são essas existências.

Folha - Você sempre usa uma linguagem acessível a jovens. Que idade prefere para seus leitores?

Gaarder - Varia de livro para livro. Mas acredito que uma boa história para crianças pequenas será também uma boa história para adultos, embora o contrário não seja sempre verdadeiro.

Folha - O mais importante na literatura é a história?

Gaarder - Sim, não precisamos dos livros, mas das histórias. Diversas sociedades no mundo nunca tiveram livros, mas nenhuma prescindiu das histórias. Na sociedade moderna, perdemos o hábito de contá-las e começamos a esquecê-las. Por isso, tivemos que escrevê-las. Cem anos atrás, por exemplo, não havia qualquer livro infantil na Noruega. Mas havia muitas histórias, mais do que podemos encontrar hoje.

Folha - Você escreve o mais profunda e eloquentemente que pode ou prefere a simplicidade?

Gaarder - Tento ser simples. O pensamento claro é simples e pode ser explicado facilmente. E procuro a beleza também. Como seres humanos, temos um senso estético e somos especiais por podermos ver algo como bonito.

Para ver a reportagem na íntegra, clique. E para ler a entrevista dada a revista Super interessante, clique.


Trecho da Minissérie baseada no romance " O mundo de Sofia":



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