20 de julho de 2010

O Muro


Construí um muro
Nem grande
Nem pequeno
Discretamente o fiz

E parei calado
Diante do muro
Satisfeito
Perdidamente só

Pintei o muro
De vivo carmim
Que me disseram
Ser bem eficaz

E me pus sentado
Diante do muro
Surpreso
Era um cinza atroz

Pendurei no muro
Vasos, e flores
Que até se diziam
Únicas sob o Sol

E andei abismado
Diante do muro
Desiludido
No chão flores, mais mil

Reforcei o muro
Com espinhos e grades
Que me pareciam
Proteções perfeitas

E enfim esgotado
Diante do muro
Vulnerável
Um perfeito alvo

Não adiantam
Pedras e flores
Como um
Habilmente trançadas

Se fico para fora
Diante do muro
Construí um refúgio
Inutilmente o fiz


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Escrito em 17/07/2010, na terra sem ar.