15 de agosto de 2009

Uma Tempestade

A você que sempre vigia, o aviso: isto é apenas para mim.

Descendo, flutuando em degraus
Atravessando pórticos quebrados
Chegando à gaiola do pássaro
Eu vi aquele que sempre sonha

Mil máscaras aos pés
Mil grades entre os dedos
Ele agora abre única porta
E deixa entrar os alheios olhos

Mas, terá o Louco a cura
Para a cura de sua demência?
Insano labirinto, não criado
Mas invocado pelo peito ardente

Invertendo palavras, gritando páginas
Mais uma vez, e mais uma
Ensandecido lacrimar noturno
À manhã, um sussurro dedicado

Sai ele enfim, adormecido
De sua gaiola vê o mundo
Será o mundo mais colorido
Que seu paraíso multifacetado?

Engano, tormenta e olhos esguios
Ácida língua, ferina voz
É o que recebe ao primeiro momento
E um sentimento ingrato após

Olha sempre para suas grades
Sempre encara suas máscaras
Agora, ao sol, ao dia e à luz
Sua pele queima, seus olhos ardem

O escuro foi abrigo, o silêncio companheiro
Barulho, poeira, mentira, vazio
Um Louco lembra de sua própria terra

“Contra ti eu fui, abri-te ao mundo
Encerro-te novamente no peito
És meu, sou teu, pelo amanhecer”

Eu vi, e eis que o sonhador gritou
Mãos ao chão, voz aos céus
Abre os punhos, verte a fonte
Beijando a insana tempestade

“Recebe agora a vida que nunca tive!
Ante a tua imagem, as tuas flores
Minhas pétalas, nossas páginas,
Escrevo a sanguínea sonata do Caos

“Apenas em mim, novamente, sonho
Um Louco, um Coringa, e um Mágico
Uma cortesia – silêncio! – e o riso
Mais uma vez, as notas voam
Minha tempestade, eterna, noturnal”


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Escrito no Jardim, em 14/08/2009