14 de agosto de 2009

Elísio

Oh, tu que ouviste todos os clamores
Que viste minhas noturnas lancinações
Minhas convulsivas obsessões
Mais pura demência, insânia maldita
Que eu abraço como o vampiro abraça

Tu, que recebes em ti pesadelos
Recrio em ti infâncias findas
Acalento em ti labirintos e risos
E o som que agora não ecoa em ti
Te traz inteiro e só a mim

Sempre escuro, ao mundo fechado
Tens teu próprio sol, tua grama
Lobos correm em tua volta
Palavras decoram tuas faces
Anfitrião de meu sacrifício

Um súcubo, um dragão, um pássaro!
Deito em ti como um gato
Lascivo corpo a ansiar teu chão
Sou em ti o que mais desejo
És em mim um infinito mausoléu

Dedico a ti esta e as outras
Que apenas a ti confio encarcerar
Recebe a graça de verdadeiro rosto
Pois apenas quando só nós dois cai a máscara
Beijo a tua face, transcendente elísio!


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Escrito no Jardim, em 05/08/2009. Ao meu infinito pequeno quarto.