11 de agosto de 2009

Role Playing Games


O que é exatamente RPG?

Traduzido normalmente como "Jogo de Interpretação" (não existe uma tradução exatamente correta), o RPG tem na verdade poucas coisas em comum com outros tipos de jogos. "Quem ganha?", "quem perde?" são perguntas que normalmente não se aplicam a um Jogo de Interpretação. A colaboração, a união do grupo é o que realmente importa. Mas afinal, como isso funciona?
Pense em um teatro, ou melhor, pense que você é um ator. Você tem o seu personagem definido, com todas as suas características, personalidade etc. Naturalmente, você age conforme um roteiro pré-definido, e o diretor organiza a sua interpretação. Bom, RPG é quase isso. A pequena diferença é que não há roteiro.
"COMO???"
Há dois tipos de jogadores bem definidos: os jogadores comuns, cada qual com seu próprio personagem, criado segundo as regras impostas pelo grupo, e um jogador chamado de narrador ou mestre, que pode ou não ter seu próprio personagem (o mais comum é não ter) e que cria toda a história (o roteiro), mas SEMPRE com base nas ações tomadas pelos outros jogadores. O mestre é, portanto, análogo ao diretor, ao figurinista, aos figurantes, e a todo o restante do crew de um teatro. Isso porque todos os personagens da história que não são interpretados por um jogador específico, são então interpretados pelo mestre (personagens NPC - non-personal character).

Aí surge a dúvida: então é necessário um palco, encenar a cena........ Não exatamente. O RPG comum é jogado apenas verbalmente, ou seja, quando você quer que seu personagem faça algo, você diz o que ele faz. Quando seu personagem entra em determinado lugar, o mestre descreve o lugar, citando os detalhes que os personagens devem saber, mas de preferência ocultando detalhes importantes (uma chave escondida debaixo de um tapete, por exemplo), tornando assim a aventura mais envolvente.
Outra dúvida: então todo mundo faz o que quer??? Não exatamente (de novo!). Existem diversos sistemas de regras para RPG, cada qual com suas características, e na maioria das vezes já descrevendo um determinado cenário (como acontece com o conhecido Dungeons and Dragons, que conta com vários cenários prontos) para aventuras. Normalmente os sistemas utilizam dados, de 6, 8, 10, 12, 20 ou até 100 lados (o chamado dado Zocchihedron, criado em 1989), para decidir aspectos arbitrários, como por exemplo se um personagem consegue pular um grande buraco, consegue arrombar uma porta etc.

Porém, aqui está mais uma diferença do RPG para outros tipos de jogos: as regras nunca são absolutas, inquebráveis. Elas estão ali para facilitar e tornar mais interessante a aventura, por deixá-la mais realista, mas nunca devem atrapalhar o bom andamento do jogo. Um exemplo: o personagem de um jogador tenta atirar com uma arma. Joga dados, e falha miseravelmente (o que é chamado de falha crítica, levando normalmente ao efeito contrário ao desejado). Pelo sistema, talvez o tiro devesse sair pela culatra, matando o personagem, mas o mestre pode, para que a aventura seja possível, omitir o resultado dos dados e descrever um tiro errado, mas não fatal para o personagem.
Outro aspecto importante, com relevância maior ou menor dependendo do sistema usado, é a interpretação. Se um personagem tem medo de fogo, o jogador que o possui deve interpretar isso. Seguindo um exemplo anterior, se o jogador sabe que a chave está debaixo do tapete, mas seu personagem não sabe, ele não deve portanto apanhá-la propositalmente (ou mesmo "andar perto do tapete" para tentar topar com a saliência). Alguns sistemas inclusive premiam o jogador pela interpretação.
"Prêmio???"
Ao final de cada aventura, ou cada sessão de jogo, normalmente são distribuídos pontos de experiência (XP) para cada jogador, de acordo com sua performance, que podem ser aplicados às suas características, tornando-o mais forte ou mais rápido por exemplo. Isso se refletirá tanto na interpretação como principalmente na rolagem de dados em testes relacionados a essas características.

Por fim, o mais interessante do RPG é a liberdade. É possível jogar em uma cidade de homens das cavernas, na Terra do Nunca, ou em 3550 d.C. Tudo depende da imaginação de narrador/mestre e jogadores. Sempre, isso sim, priorizando a diversão de todos.

Claro que RPG é um assunto bastante extenso. Ainda seria necessário falar sobre a polêmica com alguns sistemas, devido a jogadores imaturos que levam a sério o jogo. É sempre necessário dizer que RPG é um jogo, e SÓ isso. Se seu personagem sabe voar, ótimo, mas vestir uma capa e saltar pela janela do 14º andar não fará VOCÊ, jogador, voar.

RPG Online (site dedicado ao RPG - de mesa, não eletrônico)

Wikipedia - RPG (página da Wikipedia sobre RPG, bem explicativo)

Ainda neste blog postaremos sobre sistemas e coisas afins.